Todos já estavam na sala quando ele chegou.
Augusto ocupava a cabeceira da mesa, sério como sempre.
Eloise folheava alguns documentos, distraída.
Thiago ajustava o notebook.
Nathália estava sentada mais ao fundo, concentrada demais nas próprias anotações para parecer natural.
A porta se abriu.
E o ar mudou.
Ricardo entrou com passos firmes, seguros. Vestia uma calça social preta impecável e uma camisa azul-escura, ajustada ao corpo forte. Os cabelos estavam perfeitamente alinhados, e os fios grisalhos davam a ele um ar ainda mais imponente — e perigosamente atraente.
Nathália olhou.
Olhou mais do que deveria.
Foram apenas dois segundos.
Mas foi o suficiente.
Ricardo ergueu os olhos.
E a encontrou.
Ele não desviou.
A postura permaneceu intacta, treinada por anos de reuniões e negociações duras — mas por dentro, sentiu. Aquela mulher ainda tinha o poder de bagunçar tudo. O perfume doce, marcante na medida certa, chegou até ele como uma lembrança indesejada e deliciosa.
— Bom dia a todos. — disse, com a voz firme.
Cumprimentou Thiago primeiro, com um aperto de mão cordial. Depois Augusto, no mesmo tom profissional.
Com Eloise, aproximou-se e deu um beijo leve na bochecha.
— Como você está?
— Muito bem. — Eloise respondeu sorrindo.
Ricardo assentiu, então virou-se.
A parte mais difícil.
Ele caminhou alguns passos, mantendo a casualidade que já tinha salvado muitos acordos — mas que ali exigia mais controle do que ele gostaria.
— Tudo bem, Nathália? — perguntou.
Aproximou-se o suficiente para o cumprimento social.
Beijo na bochecha.
Simples.
Rápido.
Mas, para ela, foi um choque.
O cheiro dele.
A presença.
O calor.
Nathália travou por um microssegundo — tempo suficiente para sentir o coração errar o ritmo.
— Tudo… — a voz quase falhou. — Tudo bem.
Conseguiu sorrir.
Sentar.
Respirar.
A reunião começou.
Ricardo falava com clareza absoluta. Explicava o que queria, como queria, sem rodeios. Um aplicativo exclusivo, sob medida, que atendesse toda a operação da Royal Cacao Group. Nada genérico. Nada adaptado.
Enquanto ele falava, Nathália fazia anotações sem parar.
Caneta rápida.
Olhar baixo.
Ela não podia se dar ao luxo de encará-lo.
Porque sempre que levantava os olhos… ele já estava olhando.
Firme.
Atento.
Como se soubesse exatamente o que passava pela cabeça dela.
Ela rezava, em silêncio, para que alguém a chamasse. Para que surgisse uma emergência qualquer que a arrancasse dali.
A reunião seguiu.
— Aceita um café, Ricardo? — Augusto perguntou, ao final de uma explicação.
— Sim. Obrigado. — ele respondeu.
Nathália se levantou imediatamente.
— Vou pedir para trazerem.
Era uma desculpa.
Um pretexto.
Qualquer coisa para sair da sala e conseguir respirar sem aquele olhar sobre ela.
No corredor, fechou os olhos por um segundo.
Inspirou fundo.
Quando voltou à sala, o som de uma risada chamou sua atenção.
Ricardo estava sorrindo.
Não o sorriso social.
Mas aquele outro.
O que ela conhecia bem demais.
Ela parou por um instante na porta.
— Perfeito. — Ricardo respondeu. — Pode confirmar direto com meu escritório.
Eloise assentiu, já com algo se formando por trás do olhar atento.
Ela tinha um plano.
A reunião chegou ao fim de forma quase protocolar, mas o ambiente estava longe de ser neutro.
Havia algo no ar.
Algo que não se dizia.
Todos percebiam.
Augusto se inclinou discretamente para Eloise e murmurou, baixo o suficiente para não ser ouvido:
— Só eles não percebem que se amam.
Eloise deu um leve tapa no braço dele, fingindo reprovação.
— Intrometido. — sussurrou. — Mas… tem razão.
Ricardo se levantou para se despedir.
Apertos de mão.
Sorrisos contidos.
Quando chegou até Nathália, aproximou-se mais do que o necessário.
O beijo na bochecha foi rápido.
Mas a mão dele não foi.
Desceu.
Atingiu a cintura dela.
E apertou.
O suficiente para ser sentido.
Não o bastante para ser questionado.
Nathália estremeceu, apesar de todo o autocontrole.
Ricardo se afastou como se nada tivesse acontecido.
Despediu-se dos outros.
Saiu.
Quando a porta se fechou atrás dele, Nathália soltou o ar — só então percebendo que estava prendendo a respiração havia minutos.
O silêncio que ficou não era vazio.
Era carregado.
E todos ali sabiam:
Aquilo estava longe de acabar.
E, no fundo, nenhum dos dois queria que acabasse.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Paguei e mesmo assim o capitulo não abre... :(...
Impossível de ler, vários capítulo não abrem só aparece o anúncio. Vou nem gastar dinheiro pq vou me arrepender...
Caraca vários capítulos não abrem. Muito ruim assim. mailto:[email protected]...
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...