Ricardo nunca foi ao cinema em uma terça-feira à noite.
Nunca.
Terça era dia de reunião, de jantar rápido, de relatórios revisados na madrugada.
Mas ali estava ele.
Sentado numa poltrona confortável demais, com pipoca entre as mãos e Nathália ao seu lado, rindo baixinho de alguma cena boba da comédia romântica que passava na tela.
Ele não estava nem prestando atenção no filme.
Estava nela.
Na forma como se inclinava para comentar algo.
No jeito como roubava pipoca do balde dele.
No sorriso aberto, fácil, que surgia sem esforço.
— Para de me olhar assim. — ela cochichou.
— Assim como?
— Como se eu fosse mais interessante que o filme.
Ricardo inclinou-se até a orelha dela.
— E é.
Ela revirou os olhos, rindo.
— Bobo.
— Realista.
Quando a sessão terminou, Nathália ainda estava limpando os dedos engordurados de manteiga quando sentiu a mão dele procurar a sua no corredor escuro.
Entrelaçou.
Natural.
Como se sempre tivesse sido assim.
Na saída, Emma estava esperando perto da bilheteria.
Ricardo congelou.
— Pai?
Nathália olhou para ele, divertida.
— Ué… a família inteira vai começar a fiscalizar agora?
Emma abriu um sorriso lento.
Observador.
— Não… só viemos assistir o filme que está em cartaz.
Depois inclinou a cabeça.
— Mas você tá… diferente.
— Diferente como? — Ricardo desconfiou.
— Rindo. — respondeu simples.
Nathália reprimiu um sorriso.
Emma cruzou os braços, divertida.
— Essa versão do meu pai estava adormecida há anos.
Ricardo bufou.
— Dramática.
— Verdade. — ela rebateu. — Desde a mamãe eu não via você assim.
O silêncio foi curto.
Mas não pesado.
Ricardo apertou a mão de Nathália.
— Eu tô bem. — disse apenas.
Emma assentiu.
— Dá pra ver.
Os dias passavam… e, com eles, uma rotina ia se formando entre os dois sem que percebessem.
Não era planejada.
Nem anunciada.
Acontecia.
Quinta-feira virou dia de jantar em família. Na cozinha reinava uma bagunça organizada.
Nathália mexia uma panela enquanto Ricardo cortava legumes sem nenhuma coordenação.
— Você tá torturando essa cenoura. — ela comentou.
— Eu administro bilhões. — ele retrucou. — Posso cortar uma cenoura.
— Claramente não.
— Quer apostar?
Ela se aproximou por trás, pegou na mão dele e ajeitou a faca.
— Assim.
O corpo deles ficou perto demais para fingir neutralidade.
Ricardo inclinou o rosto.
— Você faz isso de propósito.
— Ensinar?
— Ficar colada.
Ela sorriu.
— Talvez.
Thiago apareceu na porta.
Parou.
Observou a cena.
— Vou fingir que não tô vendo isso.
— Tarde demais. — Ricardo respondeu.
— Eu precisava desse choque emocional.
Nathália riu.
— Ciumento?
— Profissionalmente ofendido. — ele disse. — Você é minha melhor secretária.
— Era. — Ricardo corrigiu.
Thiago ergueu a sobrancelha.
— Já roubou oficialmente?
— Com recibo.
Nathália empurrou os dois para fora da cozinha.
— Fora. Antes que eu jogue a colher em alguém.
Ricardo levantou as mãos.
— Violência doméstica.
— Autodefesa culinária. — ela rebateu.
Thiago riu, sendo arrastado junto.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Impossível de ler, vários capítulo não abrem só aparece o anúncio. Vou nem gastar dinheiro pq vou me arrepender...
Caraca vários capítulos não abrem. Muito ruim assim. mailto:[email protected]...
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...