Ao final do leilão, Ricardo entrelaçou os dedos aos de Nathália enquanto caminhavam em direção à saída da área VIP.
— Quer passar a noite aqui… ou voltamos hoje? — perguntou.
Ela ainda parecia elétrica com tudo que tinha visto.
— A gente podia ficar. — respondeu.
Ricardo sorriu.
— Então vamos. Amanhã faço um passeio que acho que você vai gostar.
Saíram pelo corredor principal, onde os convidados iam se dispersando, risadas altas, comentários sobre os animais vendidos, apostas futuras.
Foi quando o homem do chapéu branco surgiu mais à frente.
Caminhava calmamente.
Falava com alguém ao telefone.
Até levantar o rosto.
E parar.
O corpo inteiro congelou.
Os olhos cravaram em Nathália.
— …Emília?
O nome caiu no ar como uma pedrada.
Nathália travou.
Literalmente.
Os passos cessaram.
A respiração ficou rasa.
Os olhos verdes dele encontraram os dela.
Por um segundo longo demais.
Ricardo franziu a testa.
— Jorge Lemann… — cumprimentou com frieza educada. — O senhor está confundindo. Essa é Nathália. Minha namorada.
Mas Jorge não desviava o olhar dela.
Havia algo diferente ali.
Espanto.
Reconhecimento.
Algo antigo.
Ele pigarreou, finalmente.
— Desculpa. — disse, voltando-se para ela. — É que você é muito parecida com alguém que eu conheci há muitos anos.
Nathália abriu a boca.
Nenhum som saiu.
Ricardo sentiu.
O corpo dela tinha ficado rígido.
A mão dela na dele estava gelada.
— Com licença. — cortou, firme. — Precisamos ir.
Sem esperar resposta, puxou Nathália com cuidado, mas decidido, conduzindo-a para fora.
Jorge ainda os observava.
Como quem tenta encaixar uma peça que não volta para o lugar.
Dentro do carro, assim que as portas se fecharam, o silêncio caiu pesado.
Ricardo virou-se para ela.
— Amor… o que aconteceu?
Nathália piscou.
Uma vez.
Duas.
Como se voltasse.
— Minha mãe. — murmurou rápido demais.
Ele não comprou.
— Amor?
Ela respirou fundo.
Os dedos se apertaram no colo.
O nome ainda ecoava.
Emília.
Ricardo segurou a mão dela.
— Fala comigo.
O carro começou a andar.
E, pela primeira vez desde que tinham chegado naquele mundo de luxo e poder…
o passado dela tinha acabado de bater à porta.
O tempo parecia saber.
Como se antecipasse a tempestade que vinha por aí, o céu fechou de repente, deixando o dia cinza, pesado.
Nathália observava a paisagem pela janela do carro, o olhar perdido, distante demais para aquele momento.
E então…
veio o flash.
Ela era pequena.
Tinha uma foto nas mãos.
Uma mulher sorrindo.
E um homem ao lado dela.
— Mamãe… eu tenho direito. — a voz infantil saiu fraca, tremida.
A mulher à sua frente — sua mãe — não sorriu.
— Não. — respondeu seca. — Você não tem, Nathália.
Tomou a foto da mão dela.
Rasgou.
Sem pressa.
Colocou os pedaços dentro de um recipiente de alumínio.
Riscou o fósforo.
E ateou fogo.
As chamas engoliram o papel.
Nathália começou a chorar.
— Você vai me prometer uma coisa. — a mãe disse, firme. — Nunca vai atrás do seu genitor. Ele não foi pai. Foi apenas… um genitor.
A menina balançou a cabeça em negação.
A mulher levou a mão ao peito.
— Promete.
As lágrimas escorriam.
— Eu prometo… — Nathália sussurrou. — Enquanto você estiver viva… eu não vou procurar nada sobre ele.
O flash se dissolveu.
Nathália piscou.
— Não pode ser… — murmurou para si mesma.
O trajeto até o hotel seguiu em silêncio.
Um silêncio pesado.
Denso.
Ricardo sabia reconhecer quando palavras só atrapalhavam.
E respeitou.
A chuva começou a cair fraca quando o carro estacionou.
No check-in, ele pediu uma suíte.
Subiram.
O quarto era grande, confortável… quase acolhedor demais para o turbilhão que se formava dentro dela.
Fazenda Isabella.
Nathália sentiu um pontinho de ciúme cutucar o peito.
Era linda.
Gigantesca.
Campos que pareciam não ter fim.
Ricardo abriu o porta-malas, pegou uma cesta e entrelaçou a mão na dela.
— Vem.
Caminharam por uma trilha suave.
Depois por uma subida leve.
— Já tô cansada. — reclamou, rindo. — Sou sedentária, amor.
Ricardo soltou uma gargalhada.
Ela estava vermelha.
Ofegante.
Mas quando chegaram ao topo…
esqueceu.
Dali era possível ver toda a fazenda.
O cacau.
O gado.
A horta ainda úmida do sereno da madrugada.
A casa principal.
E o sol surgindo no horizonte, dourando cada pedaço da terra.
Nathália levou a mão ao peito.
— Meu Deus… isso é perfeito.
Ricardo apontou para uma construção escondida entre árvores.
— Por aqui.
Era um chalé pequeno.
De madeira clara.
Aconchegante.
Nos fundos, uma varanda voltada exatamente para a vista.
Ele estendeu uma toalha sobre a mesinha.
Tirou da cesta pães, frutas, café, geleia, suco.
Um piquenique improvisado.
Perfeito demais.
Nathália olhou para ele com os olhos brilhando.
— Eu te amo. Muito. Muito mesmo. — disse baixo. — Não importa o que… desde que seja com você, eu enfrento o mundo.
Ricardo se aproximou.
As mãos na cintura dela.
Ela passou os braços pelo pescoço dele.
— Se eu soubesse que ganharia uma declaração dessas… tinha trazido você aqui antes. — brincou.
Ela riu e o beijou.
Ricardo segurou o rosto dela com as duas mãos.
— Nathália… eu também te amo. — disse sério agora. — Você é a primeira mulher que eu trago aqui. E não importa o que aconteça… com você eu sempre vou lutar. Sempre.
Ela sorriu contra a boca dele.
O beijo veio calmo.
Seguro.
Com gosto de casa.
De promessa.
De começo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Paguei e mesmo assim o capitulo não abre... :(...
Impossível de ler, vários capítulo não abrem só aparece o anúncio. Vou nem gastar dinheiro pq vou me arrepender...
Caraca vários capítulos não abrem. Muito ruim assim. mailto:[email protected]...
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...