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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 406

O trajeto até a cobertura foi silencioso.

Não um silêncio desconfortável.

Mas daquele tipo carregado.

De pensamentos que ninguém queria dizer em voz alta ainda.

No banco de trás do carro, Ricardo entrelaçou os dedos aos de Nathália, a outra mão pousando sobre a coxa dela de forma instintiva.

O motorista mantinha os olhos na estrada, discreto demais para existir.

Nathália observava a cidade pela janela.

Perdida nos próprios pensamentos.

Luzes correndo lá fora.

Reflexos no vidro.

A imagem da mansão…

de Joyce…

de Jorge…

de Carlota…

voltava em flashes.

Quando entraram no quarto, Nathália soltou os saltos perto da porta.

Caminhou direto para o banheiro.

— Vou tomar banho… — avisou baixo.

A água quente caiu sobre seus ombros, mas não levou embora a inquietação.

Quando voltou, usava uma camisola vermelha simples, de tecido leve.

O cabelo ainda úmido.

O rosto limpo.

Pensativo.

Sentou-se na beira da cama.

Ricardo aproximou-se.

Beijou-lhe a têmpora.

Depois os lábios.

Demorado.

Seguro.

— Vou tomar banho também… já volto.

Ela assentiu.

Assim que a porta do banheiro se fechou…

Nathália virou a cabeça.

O notebook estava sobre a mesinha lateral.

Aberto.

Como se estivesse esperando.

Ela hesitou.

Dois segundos.

Depois puxou para perto.

Digitou:

Jorge Lemann.

A página carregou.

Fotos.

Reportagens.

Capas de revista.

“Magnata do agronegócio.”

“Homem mais rico de Serra Alta.”

“Império de terras e exportações.”

Leu em silêncio.

Triplicou o patrimônio nos últimos cinco anos.

Milhares de hectares.

Rebanhos avaliados em cifras absurdas.

Poder.

Muito poder.

Outra manchete chamou sua atenção:

Quem é Jorge Lemann por trás do dinheiro?

Clicou.

Jorge Lemann foi casado durante vinte e sete anos com Marta Lemann.

Pai de três filhas: Agatha, Anabela e Ana.

Avô dedicado, frequentemente visto com os netos.

Fontes próximas afirmam que o empresário rígido nos negócios contrasta com o homem reservado na vida pessoal.

Há rumores antigos sobre um capítulo não resolvido de seu passado.

Uma herdeira desaparecida.

Nathália sentiu o estômago apertar.

Desceu a página.

Tentou achar mais.

Nada concreto.

Nada explicado.

Só especulação.

Sussurros.

Uma história que ninguém terminava.

Ela fechou o notebook num impulso.

O som seco ecoou no quarto.

Respirou fundo.

O coração acelerado.

Foi nesse momento que Ricardo saiu do banheiro, secando o cabelo com a toalha.

— Amor… o que foi?

Ela ergueu os olhos.

Estava pálida.

Os dedos apertando o tecido da camisola.

— Eu… — começou.

Parou.

Engoliu seco.

— Eu não posso mais fingir que isso não tá me incomodando.

Ricardo largou a toalha na cadeira.

Aproximou-se.

— O quê?

— Aquele homem… Jorge. — a voz saiu baixa. — Você poderia investigar? Ver se ele teve alguma ligação com a minha mãe… se existe alguma pista sobre quem é meu pai.

Ele ficou imóvel por meio segundo.

Observando-a.

A insegurança por trás da coragem.

— Você quer isso?

Ela assentiu.

— Quero. Chega de fugir. Se existe algo… eu preciso saber.

Ricardo sentou-se diante dela.

Segurou seu rosto com as duas mãos.

Levantou devagar.

Fez com que ela o encarasse.

— Então eu vou descobrir. Tudo.

Os olhos dele eram firmes.

— Mas lembra de uma coisa.

Apoiou a testa na dela.

— Eu estou com você. Sempre.

Ela respirou fundo.

— Sempre?

— Sempre.

Um sorriso pequeno apareceu.

— Eu te amo mais que tudo.

Ele a beijou.

Devagar.

Protegendo.

No meio do beijo, Nathália sussurrou contra os lábios dele:

— Sim. — Ricardo assentiu.

Eloise inclinou a cabeça.

— Pelas fotos que ela mostrou… Emília e Nathália se parecem muito.

Alana franziu a testa.

— Mas isso ainda não prova que ele é o pai.

Ricardo respirou fundo.

— Não prova. Só um exame de DNA pode confirmar.

Fez uma pausa.

— Mas os detalhes coincidem demais.

— Ele procura uma filha há mais de vinte e cinco anos.

— O nome da mãe era Emília. — completou Sofia.

— E Nathália já contou que os avós eram de Serra Alta. — Emma acrescentou.

Laís se inclinou.

— E que a mãe dela proibia qualquer viagem pra lá.

Ricardo assentiu.

Silêncio.

Pesado.

— Ela já sabe? — Eloise perguntou.

— Não tudo. — respondeu. — Ontem ela me pediu pra investigar Jorge. Quer saber quem é o pai.

As cinco se entreolharam.

— E ele? — Laís perguntou.

— Jorge já percebeu que as informações batem com a filha desaparecida.

Alana respirou fundo.

— Então isso vai explodir.

— Vai. — Ricardo concordou.

Emma cruzou os braços.

— E você pretende contar logo.

— Hoje. — afirmou. — Mas antes de qualquer encontro… eu vou entender quais são as intenções dele.

Eloise se aproximou um passo.

— Quer que a gente esteja lá?

Ricardo levantou o olhar.

— Seria bom.

A voz saiu sincera.

— Isso pode virar um terremoto emocional.

Lais assentiu.

— Com certeza.

Sofia completou:

— Ele é absurdamente rico.

— E tem ex-esposa, três filhas, genros… — Emma disse.

O olhar dela endureceu.

— A família pode tratar a Nathália igual a vovó anda tentando.

Ricardo fechou a expressão.

— E não vai.

Silêncio imediato.

— Ninguém machuca a Nathália. Não enquanto eu respirar.

Eloise sorriu de leve.

— Fico feliz em ouvir isso.

As outras concordaram.

— Todas nós. — Laís completou.

Mas…

atrás do sofá de couro claro da sala presidencial…

outro par de ouvidos tinha escutado cada palavra.

Respiração contida.

Celular já na mão.

Gravando.

E prestes a transformar aquela revelação…

em arma.

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