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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 423

Joyce andava de um lado para o outro no quarto da mansão Nunes como um animal enjaulado.

O celular jogado sobre a cama.

As unhas roídas.

Os nervos à flor da pele.

— Aquela mulher tem que ter algum podre… — murmurou.

Pegou o primeiro objeto que encontrou.

Um vaso decorativo.

Arremessou contra a porta.

O impacto ecoou pela casa vazia.

Ninguém veio.

Não havia mais empregados.

Não havia luxo circulando.

Só silêncio.

Só contas bloqueadas.

Só policiais rondando.

Só a sensação sufocante de que tudo estava desmoronando rápido demais.

Joyce respirou fundo.

Tentou se recompor.

Mas era impossível.

Estava vivendo na mansão com a mãe agora.

Sem o pai.

Sem notícias.

Sem dinheiro entrando.

Sem segurança.

Sem poder.

O sobrenome Nunes, que antes abria portas, agora levantava suspeitas.

Ela sentou na cama.

Pegou uma foto que estava sobre a mesa.

Observou a imagem com desprezo.

Nathália.

Nos braços de outro homem.

Rindo.

Beijando.

Uma montagem.

Boa o bastante para ferir.

Joyce estreitou os olhos.

— Pelo menos você saiu da jogada… — sussurrou, encarando a foto.

Os olhos dela queimavam.

Raiva.

Inveja.

Desespero.

Joyce não cairia sozinha.

Já tinha contratado um detetive particular.

Mandado rastrear movimentações.

Seguir passos.

Levantar o passado.

Descobrir qualquer coisa.

Qualquer deslize.

Qualquer sombra.

Também tinha pago homens para se aproximarem de Nathália.

Convites.

Tentativas de flerte.

Supostos encontros “casuais”.

Tudo calculado.

Tudo armado.

Ela precisava que Ricardo acreditasse.

Precisava plantar dúvida.

Precisava quebrar a confiança.

Mas Nathália…

não tinha mordido.

Não tinha saído.

Não tinha dado brecha.

Não tinha escorregado.

Boa demais.

Discreta demais.

Correta demais.

Joyce apertou os dentes.

— Maldita secretária boazinha.

Mas isso não a impediu.

Fez questão de criar montagens.

Fotos manipuladas.

Ângulos forçados.

Sombras.

Recortes.

O suficiente para parecer real para quem quisesse acreditar.

Uma enviada para Ricardo.

Outra…

para Carlota.

Porque valia tudo.

Tudo.

Para manter Ricardo.

Para voltar ao topo.

Para não perder a vida que tinha.

Joyce encarou o celular outra vez.

Digitou rápido para o detetive.

> “Quero algo concreto.

Não fofoca.

Não suspeita.

Um escândalo.”

Jogou o aparelho sobre a cama.

Levantou.

Foi até o espelho.

O reflexo devolveu uma mulher diferente.

Menos segura.

Mais afiada.

Mais perigosa.

— Eu não vou perder… — murmurou para si mesma. — Não agora. Não assim.

Do lado de fora…

a família Nunes queimava.

Por dentro…

Joyce preparava a próxima mentira.

E, desta vez…

não pretendia errar.

O telefone de Joyce vibrou às duas da manhã.

Ela estava sentada na beira da cama.

Vestindo o mesmo robe há horas.

Enquanto isso, do outro lado da cidade…

Nathália e Ricardo dormiam enroscados no sofá.

Os corpos ainda quentes.

As pernas entrelaçadas.

O braço dele firme ao redor da cintura dela, como se tivesse medo de que ela desaparecesse se soltasse por um segundo.

A respiração dos dois já havia desacelerado.

Mas o ar ainda carregava vestígios do que tinha acontecido ali.

Do fogo.

Da urgência.

Da necessidade quase desesperada de provar que continuavam sendo deles.

Nathália dormia com o rosto escondido no pescoço dele.

Ricardo mantinha a testa encostada em seus cabelos.

Como quem finalmente tinha encontrado abrigo depois de uma guerra.

Por algumas horas…

não existiam Joyce.

Não existiam drama.

Não existiam planos.

Nem armadilhas.

Só eles.

Agarrados.

Inteiros.

Respirando no mesmo ritmo.

Se protegendo do mundo.

Às cinco da manhã, o alarme tocou.

Ricardo acordou no mesmo instante.

Alerta.

Tenso.

Saiu do apartamento da Nathália do mesmo jeito que tinha chegado horas antes.

Atento.

Olhando para os lados.

Desconfiado de cada carro que passava.

Não gostava daquela situação.

Nem um pouco.

Quando finalmente entrou na cobertura, tirou o casaco sem pressa.

Foi até a janela.

Espiou a rua lá embaixo.

Só então trancou a porta.

Mesmo assim…

o corpo não relaxou.

Deitou.

Virou para um lado.

Para o outro.

Não conseguiu dormir.

O dia prometia.

Surpresas.

Algumas boas.

Outras… nem tanto.

Era o dia do baile da Royal.

A noite em que pretendia assumir seu noivado.

Mas Ricardo já sabia…

nada naquela história viria fácil.

E, quando o sol nasceu por trás dos prédios…

ele tinha a sensação incômoda de que alguém ainda estava jogando.

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