O segundo ciclo da quimioterapia foi diferente.
Muito diferente.
No primeiro dia Emma tinha conseguido rir.
Conversar.
Até brincar com Eloise sobre o crochê no hospital.
Mas dessa vez o corpo parecia ter decidido cobrar a conta.
O gosto metálico na boca apareceu primeiro.
Depois a náusea.
E o cansaço.
Um cansaço estranho.
Profundo.
Como se até respirar exigisse esforço.
Emma estava deitada no sofá da sala.
Um cobertor sobre as pernas.
O cabelo raspado agora não incomodava mais.
Mas o corpo…
parecia pesado demais.
Thiago apareceu na sala com uma bandeja.
— Você precisa comer alguma coisa.
Emma fez uma careta.
— Eu sinto gosto de metal.
— Eu sei.
Ele colocou a bandeja na mesa de centro.
— Mas mesmo assim.
Emma olhou para o prato.
Arroz.
Frango.
Um pouco de legumes.
— Parece comida de hospital.
Thiago levantou uma sobrancelha.
— Foi a Sofia que mandou.
Emma suspirou.
— Ok… parece comida boa.
Ele sentou ao lado dela.
Pegou o garfo.
— Só algumas colheradas.
Emma tentou.
Uma.
Duas.
Na terceira fez uma careta.
— Não dá.
Thiago pegou o copo de água.
— Já foi suficiente por enquanto.
Emma encostou a cabeça no encosto do sofá.
Os olhos fechados.
— Eu odeio isso.
Thiago não respondeu imediatamente.
Apenas passou a mão devagar no braço dela.
— Eu sei.
O silêncio ficou na sala por alguns minutos.
Emma respirou fundo.
Depois abriu os olhos.
Na mesa ao lado do sofá estava o livro da mãe.
Ela pegou.
Abriu em uma página marcada.
Thiago observou em silêncio.
Emma começou a ler.
A voz baixa.
— “O medo existe.”
Ela respirou fundo.
— “Ele sempre vai existir.”
Os olhos dela correram pelas linhas.
— “Mas viver apesar do medo é o que nos torna fortes.”
Emma fechou o livro devagar.
— Ela escreveu isso logo depois do diagnóstico.
Thiago segurou a mão dela.
— Sua mãe era uma mulher incrível.
Emma sorriu pequeno.
— Era.
Ela olhou para ele.
— Eu acho que finalmente estou entendendo algumas coisas que ela sentia.
Thiago inclinou a cabeça.
— Como o quê?
Emma pensou por um segundo.
— O medo de não ter tempo.
A sala ficou silenciosa.
Emma olhou para ele.
— Por isso eu quero continuar planejando o casamento.
Thiago piscou.
— Agora?
Emma assentiu.
— Agora.
Ela deu um pequeno sorriso.
— Se eu vou casar com você…
— eu quero escolher o vestido.
Thiago riu.
— Justo.
Emma abriu o notebook.
— Então vamos começar pelo básico.
— Local.
Thiago apoiou o queixo na mão.
— Eu voto por algo simples.
Emma olhou para ele.
— Simples?
— Com você, eu aceito qualquer coisa.
Emma sorriu.
— Cuidado.
Ela começou a digitar.
— Eu posso cobrar isso depois.
Thiago passou o braço pelos ombros dela.
Com cuidado.
— Pode cobrar o que quiser.
Emma encostou a cabeça nele.
Ainda cansada.
Ainda lutando contra o enjoo.
Mas sorrindo.
Porque mesmo nos dias mais difíceis…
a vida ainda continuava acontecendo.
E eles continuariam vivendo.
Juntos.
A quimioterapia não atacava apenas o corpo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Impossível de ler, vários capítulo não abrem só aparece o anúncio. Vou nem gastar dinheiro pq vou me arrepender...
Caraca vários capítulos não abrem. Muito ruim assim. mailto:[email protected]...
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...