Quatro meses.
Emma já tinha completado quatro meses de quimioterapia.
Os ciclos ainda eram difíceis.
Alguns dias o corpo parecia pesado.
Outros dias vinham melhores.
Mas a resposta ao tratamento estava sendo positiva.
E isso mudava tudo.
Naquela tarde ela estava organizando alguns documentos no escritório.
Papéis da consulta.
Anotações do livro.
Algumas ideias que tinha começado a escrever.
Quando abriu a gaveta procurando um grampeador.
Foi então que viu.
O envelope.
Amarelado pelo tempo.
Quieto.
No fundo da gaveta.
Emma ficou parada por alguns segundos.
A carta.
A mesma carta que ela tinha evitado abrir por tanto tempo.
Ela pegou o envelope devagar.
Passou os dedos pela borda.
Respirou fundo.
— Chegou a hora, Emma… — murmurou para si mesma.
Ela abriu.
Quando virou o envelope, algo caiu sobre a mesa.
Um cordão.
Emma franziu a testa.
Pegou o objeto.
Era um pingente.
Pequeno.
Delicado.
Uma menininha.
O coração dela apertou imediatamente.
Emma abriu a carta.
As mãos tremiam levemente.
E começou a ler.
“Se você estiver lendo isso…
significa que eu não consegui ficar tempo suficiente.”
A visão ficou embaçada.
Emma levou a mão à boca.
Mas continuou.
“Filha… me desculpa por não estar ao seu lado quando você tiver sua primeira menstruação.
Me desculpa por não estar lá quando você se apaixonar pela primeira vez.
E por não estar ali para cuidar de você quando seu coração se partir.”
As lágrimas começaram a cair.
Silenciosas.
“Eu queria ter tempo para tudo isso.
Para cada conversa.
Cada abraço.
Cada conselho.”
Emma pressionou a carta contra o peito por um segundo.
Mas voltou a ler.
“Filha… quando você encontrar alguém que ame de verdade…
lute por essa pessoa.
Se entregue.
Construa sua família sem medo.”
Ela respirou fundo.
Os olhos cheios de lágrimas.
“Quando for a pessoa destinada a ficar ao seu lado…
você vai saber.”
Emma deixou escapar um pequeno riso entre lágrimas.
— Eu encontrei, mamãe…
A voz saiu quebrada.
Ela olhou para o pingente da menininha na palma da mão.
— E a senhora iria amar conhecer ele.
O choro veio então.
Mais forte.
Emma se inclinou sobre a mesa.
Os ombros tremendo.
Mas naquele momento as lágrimas não eram apenas de tristeza.
Eram também de algo diferente.
Conexão.
Como se, através daquelas palavras…
a mãe ainda estivesse ali.
Guiando.
Aconselhando.
Amando.
Emma limpou os olhos.
E releu um trecho da carta.
Devagar.
Então pegou o notebook.
Abriu o documento do livro.
E começou a digitar.
Porque algumas histórias…
não terminam quando alguém parte.
Algumas histórias continuam vivendo.
os dias passaram.
As semanas também.
Emma estava completamente mergulhada no projeto do livro.
Anotava ideias.
Revisitava o diário da mãe.
Escrevia trechos.
Apagava.
Reescrevia.
Às vezes ficava horas olhando para a tela do notebook, pensando em como transformar aquelas memórias em algo que pudesse ajudar outras pessoas.
Ela estava animada.
Motivada.
E Thiago adorava ver aquilo.
Era como se uma parte de Emma tivesse voltado.
A parte que sonhava.
A parte que planejava.
A parte que acreditava no futuro.
Mas a luta contra a doença não seguia o mesmo ritmo.
Era feita de altos…
e baixos.
Naquela semana Emma fez mais uma sessão de quimioterapia.
No hospital tudo parecia controlado.
Até tranquilo.
Mas quando chegaram em casa…
o corpo dela começou a reagir.
Primeiro veio o cansaço.
Um cansaço profundo.
Depois a náusea.
Emma tentou ignorar.
Sentou no sofá.
Respirou fundo.
Mas o estômago virou.
Ela levantou rápido.
Correu para o banheiro.
Emma apenas balançou a cabeça.
Ainda cansada.
Thiago tomou um gole do café e ficou em silêncio por alguns segundos.
Depois falou:
— Estava pensando em uma coisa.
Emma levantou os olhos.
— O quê?
Ele fingiu um ar muito sério.
— Acho que precisamos agilizar esse casamento.
Emma soltou uma risada leve.
— É sério, amor.
Ele apontou para si mesmo.
— Eu não quero mais ser conhecido como seu namorado.
Emma encostou a cabeça no encosto do sofá.
— E onde o senhor pretende se casar?
Thiago pensou por um instante.
— Eu imaginei algo na praia.
Ele deu de ombros.
— Mas também poderíamos usar o segundo andar do restaurante do Enzo.
Emma sorriu.
— Acho que ele não aceitaria.
Thiago inclinou a cabeça.
— Mas você aceitaria?
Ele olhou para ela.
— Ou prefere outro lugar?
Emma pensou por alguns segundos.
Depois disse:
— Que tal algo mais… família?
Thiago franziu a testa.
— Tipo?
— O jardim da casa do papai.
Ela sorriu.
— É enorme.
Thiago ficou pensativo.
Então respondeu:
— Ou…
Ele levantou uma sobrancelha.
— A gente copia a ideia do Augusto.
Emma olhou para ele curiosa.
— Como assim?
— Compramos uma casa.
Ele sorriu.
— E casamos no jardim.
Emma riu.
Thiago continuou:
— A gente pode até construir uma pequena capela.
Ele deu de ombros.
— Para ficar lá depois.
— Um lugar para nossos filhos verem.
Emma virou-se para ele.
Deitou a cabeça nas pernas dele.
Thiago começou a fazer carinho no ombro dela.
Devagar.
Emma suspirou.
— É uma boa ideia.
Thiago sorriu.
Porque, mesmo em meio à batalha…
eles ainda estavam planejando o futuro.
Juntos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Paguei e mesmo assim o capitulo não abre... :(...
Impossível de ler, vários capítulo não abrem só aparece o anúncio. Vou nem gastar dinheiro pq vou me arrepender...
Caraca vários capítulos não abrem. Muito ruim assim. mailto:[email protected]...
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...