A noite começou tranquila.
Silenciosa.
Como tantas outras nos últimos dias.
Emma estava deitada no sofá, coberta até o queixo.
O corpo ainda cansado da última sessão.
Mas, dessa vez, havia algo diferente.
Um frio estranho.
Mesmo com o cobertor.
Mesmo com a casa aquecida.
Ela se encolheu um pouco mais.
Os braços envolvendo o próprio corpo.
— Thiago… — chamou baixo.
Ele apareceu na sala poucos segundos depois.
— Oi, amor.
Emma levantou os olhos.
— Estou com frio.
Thiago franziu a testa.
— Frio?
Ele se aproximou.
Colocou a mão na testa dela.
E congelou.
— Emma…
A pele dela estava quente.
Quente demais.
Ele levantou rápido.
— Fica aqui.
Foi até o quarto quase correndo.
Voltou com o termômetro.
Emma observava tudo em silêncio.
Cansada demais para questionar.
Thiago colocou o termômetro.
Esperou.
Os segundos pareceram longos demais.
O apito soou.
Ele olhou.
39.4.
O coração dele disparou.
— A gente vai pro hospital.
Emma fechou os olhos.
— Não precisa…
— Precisa.
A voz dele saiu firme.
Sem espaço para discussão.
— Você está com febre.
Emma tentou protestar.
Mas o corpo não respondeu.
Thiago já estava pegando a bolsa.
Documentos.
Chaves.
Tudo automático.
Como se já soubesse o que fazer.
Mas por dentro…
não sabia.
O caminho até o hospital foi silencioso.
Emma encostada no banco.
Os olhos semicerrados.
Respiração lenta.
Thiago apertava o volante com força.
Os nós dos dedos brancos.
Quando chegaram, ele praticamente correu com ela até a recepção.
— Ela está em quimioterapia.
— Está com febre.
A enfermeira mudou o tom imediatamente.
— Vamos atender agora.
Emma foi levada para uma sala.
Pressão.
Temperatura.
Perguntas rápidas.
Thiago não soltava a mão dela.
Nem por um segundo.
Veio o exame de sangue.
O soro.
A espera.
Sempre a espera.
Até que o médico entrou.
Calmo.
Direto.
— A febre em pacientes em quimioterapia sempre é um alerta.
Thiago engoliu seco.
— É grave?
O médico balançou a cabeça levemente.
— A imunidade dela está baixa.
Ele olhou para Emma.
— Isso é esperado em alguns ciclos.
— Mas precisamos ter cuidado.
Emma assentiu devagar.
Cansada demais para falar.
O médico continuou:
— Vamos iniciar antibiótico e manter ela em observação.
O silêncio caiu.
Thiago apertou a mão dela.
Mais forte.
Como se aquilo fosse impedir qualquer coisa de acontecer.
Depois que o médico saiu, o quarto ficou quieto.
O som baixo dos equipamentos.
A respiração de Emma.
E o medo.
E dessa vez
era real.
Thiago se aproximou mais.
Sentou na cadeira ao lado da cama.
Os olhos fixos nela.
Cansada.
Frágil.
E ainda assim…
tão forte.
Ele passou a mão no rosto.
Respirou fundo.
Mas não conseguiu segurar.
— Eu não sei o que fazer sem você.
A voz saiu baixa.
Quebrada.
Emma abriu os olhos devagar.
Olhou para ele.
Viu o medo.
Colocou o notebook na cama.
Apertou de leve a mão de Emma.
— Já é muita coisa.
Emma assentiu.
E abriu o notebook.
Assim que a tela acendeu…
algo mudou.
Ela começou a escrever.
Editar.
Criar.
Palavras que estavam presas…
começaram a sair.
O tempo passou sem que ela percebesse.
Quando o cansaço pesou…
ela dormiu.
O notebook ainda aberto ao lado.
E quando acordou…
continuou.
Porque Emma já tinha decidido:
não deixaria mais nada para depois.
Não iria esperar a cura para viver.
Naquela mesma semana…
ela finalizou uma versão do livro.
Revisou.
Fez ajustes.
Respirou fundo.
E digitou:
Autora: Isabela Rocha e Emma Rocha.
Ficou olhando por alguns segundos.
Os olhos marejados.
Depois…
clicou.
— Pronto. Enviei.
Thiago, que estava ao lado, franziu a testa.
— O quê?
Emma virou o notebook para ele.
— O livro. Para o editor.
Thiago ficou em silêncio por um segundo.
Depois sorriu.
Orgulhoso.
— Eu tô feliz por você.
Ele se inclinou um pouco.
— Agora você pode voltar a repousar, certo?
Emma revirou os olhos.
— Você é um chato.
Fez uma pausa.
Um sorriso leve apareceu.
— Mesmo que eu te ame… sou obrigada a falar a verdade.
Thiago riu baixo.
— Eu te amo.
Ele cruzou os braços, fingindo seriedade.
— Mas também sou obrigado a falar o quanto você é desobediente.
Emma soltou uma risada leve.
Naquele momento,
aquele quarto de hospital já não parecia apenas um lugar de espera.
Parecia…
um lugar de recomeço.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Paguei e mesmo assim o capitulo não abre... :(...
Impossível de ler, vários capítulo não abrem só aparece o anúncio. Vou nem gastar dinheiro pq vou me arrepender...
Caraca vários capítulos não abrem. Muito ruim assim. mailto:[email protected]...
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...