Capítulo 47
Como se o próprio dia adivinhasse o desfecho, quando Eloise e Augusto chegaram ao hall de entrada da empresa, a chuva caía pesada lá fora. O som dos trovões se misturava aos flashes incessantes das câmeras dos repórteres que já se aglomeravam na porta do prédio. O escândalo havia estourado, e a mídia não perderia um segundo daquele circo.
— Cuidado, por favor! — gritou um segurança tentando conter a multidão. — Afastem-se!
Augusto manteve-se firme, o braço ligeiramente à frente de Eloise, protegendo-a com o corpo enquanto atravessavam o saguão. Ela ainda sentia o coração acelerado. A arma no pescoço, o cheiro do medo, os gritos e a tensão daquele instante ainda dançavam em sua memória como se tudo tivesse acontecido minutos atrás.
Antes de saírem, Augusto se virou para Vinícius e estendeu a mão com firmeza.
— Obrigado. Te devo mais uma.
O delegado apertou sua mão de volta com respeito e sorriu de lado.
— Um dia, quem sabe, eu cobro um jantar — brincou. — Mas hoje não. Tenho muito trabalho pela frente.
Depois, dirigiu o olhar para Eloise, mais sério:
— Vamos acrescentar a tentativa de sequestro no depoimento. Assim que estiver mais calma, passe na delegacia para formalizar.
Eloise apenas assentiu, ainda em choque.
Cláudia surgiu logo em seguida, firme, porém com um ar de alívio evidente. Augusto não hesitou:
— Bom trabalho. Espero que possamos jantar quando chegar na Cidade Norte — disse, com um leve sorriso.
Ela respondeu com um aceno silencioso, cúmplice. E então, ele e Eloise deixaram o prédio.
O alvoroço foi imediato.
Repórteres cercaram o carro, microfones surgiram pelas janelas, e vozes atropeladas lançavam perguntas como disparos:
— Senhor Monteiro, é verdade que o presidente do financeiro liderava o esquema?
— É confirmada a informação de que a senhorita foi feita refém?
— A empresa perdeu mais de cinquenta milhões?
— Quem mais está envolvido?
— Eloise Nogueira! Qual é o seu papel nisso tudo?
Augusto sentou-se ao lado dela e, num gesto silencioso, estendeu o braço. Eloise hesitou por um instante… mas depois se permitiu. Apoiou-se contra ele. O calor do corpo dele, firme e presente, fez o peso daquela tarde parecer mais suportável.
Ficaram assim por um tempo, em silêncio. As palavras, por ora, seriam inúteis.
Na tentativa de amenizar o silêncio que começava a incomodar, Augusto pegou o controle e ligou a televisão.
Na tela, os destaques do dia.
Imagens da polícia entrando na empresa, Gabriel sendo algemado, os repórteres correndo embaixo da chuva e, por fim, uma atualização sobre o tempo:
— ...e as chuvas devem continuar fortes até o fim de semana. A cidade está em estado de atenção. Evite sair de casa sem necessidade...
Eloise respirou fundo.
Augusto apenas passou o braço pelas costas dela com mais firmeza.
Do lado de fora, o mundo estava um caos.
Mas ali, no sofá, naquele instante, era como se tudo estivesse em pausa.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...