O elevador desceu em silêncio, mas a mente de Lais estava longe dali.
Ela nem sabia exatamente o que estava fazendo.
Ou melhor… sabia.
Só não queria admitir.
Assim que as portas se abriram, ela seguiu até a recepção do hotel, mantendo a postura firme, mas o olhar inquieto traía o que estava por trás da decisão.
— Boa noite — disse, apoiando as mãos no balcão. — Eu queria uma informação.
O recepcionista sorriu, profissional.
— Claro, senhora.
Ela hesitou por um segundo.
— O hóspede Heitor Reis… em qual quarto ele está?
O sorriso do homem não mudou, mas a resposta veio rápida:
— Desculpa, senhora, mas não posso passar esse tipo de informação.
Claro.
Óbvio.
Ela já esperava.
Ainda assim, assentiu, respirando fundo.
— Tudo bem.
Virou-se.
Mas não deu dois passos.
— Procurando alguém?
A voz veio atrás dela.
Grave.
Calma.
E perigosamente familiar.
Lais fechou os olhos por um segundo antes de se virar.
Ele estava ali.
Como se já soubesse.
Como se estivesse observando há tempo suficiente.
— Curiosa, talvez — respondeu, cruzando os braços.
Heitor se aproximou devagar, o olhar fixo nela, avaliando cada reação.
— Curiosa sobre o meu quarto?
Ela arqueou a sobrancelha, um sorriso de canto surgindo.
— Nem começa.
Ele parou perto.
Perto demais.
O suficiente para mudar o ar entre eles.
— Então o que você tá fazendo aqui, Lais?
Ela sustentou o olhar.
— Eu podia perguntar a mesma coisa.
— Eu cheguei antes de você.
— E saiu antes também.
O ar entre os dois ficou tenso, denso demais para ser ignorado.
O maxilar dele tensionou levemente.
— Não é ciúme — disse, direto.
Ela soltou uma risada baixa, balançando a cabeça.
— Não?
Deu um passo à frente.
— Então por que você não ficou?
Ele não desviou.
— Porque você não me convidou.
A resposta veio rápida.
Segura.
Mas não o suficiente.
— Você foi embora antes de eu ter a chance — ela rebateu, sem perder o tom.
Ele inclinou levemente a cabeça.
— Achei que estava atrapalhando.
A frase ficou no ar.
E, por um segundo…
quase pareceu sincera demais.
Lais observou.
Analisou.
E então sorriu.
— Tá vendo?
Cruzou os braços, se inclinando levemente.
— Isso é ciúme.
— Não é — ele insistiu.
— É sim.
Ela deu mais um passo.
Agora, não havia mais espaço.
— Mas vale lembrar… — continuou, mais baixa — nosso acordo não tem isso.
O olhar dele escureceu.
— Nosso acordo tem exclusividade.
Ela sustentou.
Sem piscar.
— E eu tô cumprindo.
Silêncio.
Dessa vez, mais pesado.
Mais perigoso.
Os olhos dele desceram por um segundo… e voltaram.
— Você tava se divertindo.
— Eu estava conversando.
— Parecia mais do que isso.
Ela inclinou a cabeça, provocando.
— Agora isso é problema seu.
A tensão subiu.
Rápida.
Bruta.
E, dessa vez…
foi ele quem perdeu.
Heitor segurou o braço dela e a puxou para perto em um movimento firme, fazendo o corpo dela colidir contra o dele.
— Você gosta de testar meus limites, né?
A voz veio baixa.
Rente ao rosto dela.
Lais não recuou.
Muito pelo contrário.
— E você gosta de fingir que não tem nenhum.
O olhar dele caiu na boca dela.
E ficou.
Por um segundo.
Dois.
E então acabou.
Ele a beijou.
Sem aviso.
Sem espaço.
Sem controle.
O beijo veio intenso, carregado de tudo que tinha ficado preso na conversa, nas provocações, no que nenhum dos dois queria admitir. A mão dele subiu pela cintura dela, segurando firme, como se não existisse a opção de deixá-la escapar.
Lais respondeu na mesma intensidade, puxando-o pela camisa, aprofundando o beijo sem hesitar.
Nenhum dos dois estava mais tentando manter regra nenhuma.
Quando ele se afastou, foi só o suficiente para respirar.
— Vamos subir.
Não foi um pedido.
Ela mordeu levemente o lábio, ainda próxima demais.
— E o seu controle?
Ele deu um meio sorriso.
— Já foi embora faz tempo.
Ela riu baixo.
— Ótimo.
Ele segurou a mão dela dessa vez, entrelaçando os dedos como se fosse algo natural.
Como se não significasse nada.
Mas significava.
E os dois sabiam.
O elevador subiu em silêncio.
Mas não era vazio.
Era cheio de tensão.
De expectativa.
De tudo que eles ainda fingiam não entender.
E, quando as portas se abriram…
nenhum dos dois falou sobre regras.
Porque, naquele momento…
elas já não importavam mais.
Heitor soltou a mão dela por um segundo… só para encarar.
Como se estivesse tentando entender até onde aquilo ia.
Ou até onde ele estava disposto a ir.
— Ainda dá tempo de você ir embora — disse, a voz baixa, controlada demais.
Lais soltou uma risada leve, sem humor.
— Agora você quer controle?
Deu um passo à frente.
— Interessante.
Ele não respondeu.
Mas também não recuou.
Os olhos dela percorreram o rosto dele… parando nos lábios.
— Você sempre foge quando começa a sentir demais? — ela provocou.
Aquilo acertou.
Direto.
O maxilar dele travou.
— Eu não fujo.
— Fugiu hoje.
O tempo pareceu desacelerar por um instante.
E foi o suficiente.
Heitor segurou o rosto dela com uma das mãos e a puxou para um beijo que não tinha mais discussão nenhuma ali dentro.
Era desejo.
Cru.
Intenso.
Como se tudo que eles estavam evitando tivesse decidido aparecer de uma vez só.
Lais correspondeu na mesma hora, envolvendo os braços no pescoço dele, aprofundando o beijo sem qualquer resistência. O corpo dela se encaixou ao dele com naturalidade perigosa, como se já conhecesse cada movimento.
Como se já fosse hábito.
E talvez estivesse se tornando.
As mãos dele desceram pela cintura dela, puxando ainda mais para perto, eliminando qualquer espaço que ainda existia.
— Você complica tudo — ele murmurou contra a boca dela.
Ela sorriu de leve, ainda próxima.
— Você que não sabe lidar.
Ele soltou um riso baixo… mas não disse mais nada.
Porque, naquele momento, falar já não fazia sentido.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Impossível de ler, vários capítulo não abrem só aparece o anúncio. Vou nem gastar dinheiro pq vou me arrepender...
Caraca vários capítulos não abrem. Muito ruim assim. mailto:[email protected]...
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...