A sala de Thomas era exatamente como Sofia lembrava.
Fria. Organizada. Funcional demais para alguém que vivia cercado de caos humano.
Ela entrou sem comentar nada, largando a bolsa na cadeira ao lado da mesa. Thomas fechou a porta atrás deles, automaticamente.
— Aqui tem tudo se descobrindo. Obrigado por esta aqui, eu sempre quis solucionar esse caso. — ele disse, já caminhando até o quadro branco encostado na parede.
Sofia cruzou os braços.
— Não fiz isso por você. Fiz pelo interesse do meu cliente.
Thomas assentiu.
— Eu sei.
Ele pegou uma pasta grossa, preta, com etiquetas antigas e jogou sobre a mesa.
— Nicole Martins. — começou. — Filha da Carla.
O nome ecoou pesado.
Sofia se aproximou devagar.
— A última visita registrada dela à mãe foi quando?
— Dois meses antes da Carla ser transferida de ala. — Thomas respondeu. — Depois disso… sumiu.
Ele abriu a pasta, espalhando fotos, relatórios, mapas.
— Sem endereço fixo. Nenhum vínculo formal de trabalho. Nenhum cadastro recente em hospital, escola, universidade. Nada.
— E o pai? — Sofia perguntou, já analisando os documentos.
— Monitorado por dois anos. — Thomas respondeu. — Nenhum contato com a Nicole. Zero. Como se ela tivesse evaporado.
Sofia franziu o cenho.
— E a Carla?
— Era monitorada também. — ele disse. — Mas com o arquivamento parcial do processo, a vigilância foi suspensa.
Sofia respirou fundo.
— Conveniente demais.
— Exatamente. — Thomas concordou. — A Nicole é o elo que falta. A mãe pode ter passado todo esquema para ela.
Sofia levantou o olhar.
— E agora pode estar operando por conta própria.
O silêncio confirmou.
Ela se afastou da mesa e caminhou até a janela.
— Então é isso. — disse. — Lavagem de dinheiro mascarada como ação beneficente, um instituto fantasma, um lar de idosos que não existe… e uma herdeira invisível.
Thomas observava cada movimento dela.
— Você vê o mesmo padrão que eu.
— Vejo algo pior. — Sofia respondeu. — Vejo continuidade. Não é um esquema novo. É uma evolução.
Ela virou-se para ele.
— Eles aprenderam com os erros.
Thomas sentiu um arrepio percorrer a espinha.
— Por isso o Dante te trouxe de volta.
— Por isso eu aceitei. — ela corrigiu.
Sofia voltou até a mesa, fechou a pasta com firmeza.
— Agora precisamos alinhar uma coisa antes de continuar.
Thomas ficou atento.
— Nós vamos trabalhar juntos. — ela disse, objetiva. — Mas apenas isso.
Ele assentiu lentamente.
— Profissionalmente.
— Exato. — Sofia continuou. — Não somos amigos. Não somos aliados emocionais. Não existe intimidade. Não existe passado aqui dentro.
Ela tocou a mesa entre eles.
— O que aconteceu entre nós ficou fora dessa sala. Se isso virar um problema… eu saio do caso.
Thomas sustentou o olhar dela.
— Não vai virar.
— Eu preciso ter certeza. — Sofia rebateu. — Porque esse tipo de investigação destrói pessoas. E eu não vou me destruir de novo.
Houve um segundo de silêncio.
Então Thomas falou, baixo:
— Eu também não quero isso.
Sofia assentiu, satisfeita.
— Ótimo. — pegou a bolsa. — Então começamos amanhã. Quero acesso total às transferências do instituto e à quebra de sigilo dos doadores dos últimos três leilões.
— Já estou providenciando. — Thomas respondeu.
Ela caminhou até a porta.
Antes de sair, parou.
— Thomas?
Ele levantou o olhar.
— Se em algum momento você esquecer que isso é só trabalho… — ela disse, firme. — Eu não vou lembrar você. Eu vou ir embora.
E saiu.
Thomas ficou sozinho na sala, olhando para a pasta fechada.
Nicole Martins.
Ficha Limpa.
E Sofia… mais distante do que nunca.
Mas ele sabia.
Esse caso não ia só revelar um esquema criminoso.
Ia arrancar verdades que nenhum dos dois estava preparado para encarar.
Sofia saiu da sala de Thomas com passos firmes.
A reunião tinha sido objetiva. Profissional. Técnica.
Como ela exigiu que fosse.
Nada além do necessário.
Quando a porta se fechou atrás dela, Sofia respirou fundo — aquele tipo de respiração que não é cansaço… é controle.
todas riram.
Nathalia inclinou a cabeça, maliciosa.
— E você, doutora Sofia… — deu uma pausa dramática. — Vai sair do zero a zero ou vai continuar sendo a intocável do grupo?
Sofia quase engasgou com o vinho.
— Nathalia! — Emma reclamou, rindo.
— Ué, estou perguntando com carinho. — ela rebateu. — Transparência é tudo entre amigas.
Sofia apoiou o copo na mesa.
— Eu estou trabalhando com o Thomas.
O silêncio caiu.
Pesado.
— Não acho que isso seja uma boa ideia. — Nathalia foi a primeira, direta.
— Isso pode te machucar. — Emma completou, mais suave.
Sofia manteve a calma.
— Infelizmente eu não tive escolha. Foi ordem direta. De todos os sócios.
Eloise cruzou os braços.
— Isso não costuma acabar bem. Vamos ser sinceras… ainda existe sentimento dos dois lados.
Laís inclinou-se teatralmente.
— “Eu não gosto mais dele.” — imitou Sofia. — A gente não é burra, né? Isso é mentira, sua querida.
Nathalia assentiu.
— Thomas nunca mais se relacionou com ninguém. Se teve algo, foi bem escondido. E você… — apontou para Sofia. — nem se fala. Virou freira de novo.
Sofia respirou fundo.
Mas não se defendeu.
Ela explicou.
— Eu entendo a preocupação de vocês. De verdade. — disse, madura. — Mas eu estou focada no meu trabalho. E deixei minhas exigências muito claras.
Fez uma pausa.
— Com Thomas é trabalho. E só trabalho.
Olhou para cada uma delas.
— Agora… podemos mudar de assunto?
As amigas se entreolharam.
Não totalmente convencidas.
Mas respeitando.
O vinho voltou a circular. As risadas reapareceram.
Mas o destino…
O destino nunca respeita acordos emocionais.
E Sofia — apesar de mais forte, mais segura, mais inteira —
ainda não sabia que algumas linhas não se cruzam duas vezes por acaso.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...