O almoço se estendeu mais do que Eloise esperava. Cada prato parecia apenas um pretexto para que eles permanecessem ali, trocando provocações entre uma taça e outra. Quando a sobremesa chegou — um pudim de leite impecável — Augusto pegou a colher antes dela e serviu um pedaço, levando devagar até a boca dela.
— Prova. — O tom não era sugestão, era ordem.
Ela inclinou-se levemente, aceitando a colher. O doce derreteu na boca, mas o olhar dele a deixou ainda mais desconcertada do que o sabor.
— Está ótimo — murmurou, limpando o canto dos lábios com o guardanapo.
— Eu sei. — Ele ainda a observava, como se ela fosse a sobremesa real.
O silêncio que se seguiu era denso, carregado de um desejo contido que nenhum dos dois fazia questão de disfarçar. Eloise largou o guardanapo sobre a mesa e cruzou os braços, tentando parecer firme.
— Você prometeu que íamos voltar depois do almoço, lembra?
— Eu cumpro promessas, Eloise. — Ele se levantou, ajeitando o casaco. — Mas isso não significa que não vou aproveitar cada minuto até lá.
O garçom apareceu para avisar que o carro já estava preparado. Eloise ajeitou os cabelos, ainda tentando se recompor, mas no elevador que levava ao térreo Augusto já a puxava pela cintura, prendendo-a contra a parede espelhada.
— Augusto… — ela começou, mas a boca dele a silenciou antes que pudesse protestar. O beijo foi rápido, urgente, e deixou as pernas dela bambas.
— Preciso de você focada na viagem — ele disse entre os lábios dela. — E isso… — deslizou o polegar pelo queixo dela, ainda úmido do beijo — vai me assombrar até a gente chegar em Cidade Norte.
No carro, o motorista dirigia em silêncio, mas no banco de trás a atmosfera era tudo menos tranquila. As mãos dele pousavam no joelho dela, subindo devagar até a barra do vestido, apenas o suficiente para provocar. Eloise fechou os olhos por um instante, inspirando fundo, como se lutasse contra a vontade de esquecer qualquer limite.
Quando chegaram ao hangar, o jatinho particular já os aguardava. O vento frio batia forte, mas parecia não importar. Ao subir a escada, Eloise lançou-lhe um olhar rápido, carregado de desafio e expectativa.
Augusto sorriu de canto, quase imperceptível, mas o suficiente para incendiar o ar entre eles.
— Cidade Norte que me aguarde — murmurou, baixo, apenas para que ela ouvisse. — Porque com você ao meu lado… nada mais vai ser o mesmo.
Eloise não respondeu. Apenas entrou, sentando-se, mas com o coração disparado — como se soubesse que a viagem de volta não seria apenas para a empresa, mas para algo ainda maior entre eles.
O carro parou em frente à casa simples, iluminada pelo céu ainda nublado da tarde de sexta-feira. Augusto manteve o olhar preso nela por alguns segundos, como se estivesse adiando a despedida.
— Boa sorte com o seu pai — disse, mas antes que Eloise pudesse responder, ele se inclinou, segurou seu queixo com firmeza e a beijou. Não foi urgente como os outros; foi lento, marcado, deixando claro que não era um adeus, apenas uma pausa.
Quando ele recuou, Eloise mal conseguiu disfarçar o sorriso.
— Até segunda, Monteiro.
— Pois é. — A mulher cruzou as pernas no sofá, com um sorriso que não chegava aos olhos. — Vim visitar seu pai… e acabei ganhando a surpresa de ver a sobrinha brilhando. Ou melhor, se exibindo. — A voz dela carregava insinuações. — Já ouvi comentários… que você anda muito bem acompanhada. Um homem rico, poderoso. Sabe como é, querida, as más línguas falam.
Eloise respirou fundo, segurando o impulso de revirar os olhos.
— As más línguas sempre falam, tia. Mas diferente de algumas pessoas, eu não vivo da vida alheia.
Carla inclinou-se para frente, o sorriso malicioso se acentuando.
— Só espero, Eloise, que você não esteja repetindo erros da sua mãe… se envolvendo com homens de dinheiro, achando que isso é amor.
O golpe baixo fez o peito dela arder, mas Eloise não cedeu. Endireitou os ombros, o olhar firme e a voz cortante:
— A senhora pode achar o que quiser. Mas eu sei exatamente quem eu sou e o que estou construindo. E se incomoda tanto ver alguém conseguir por mérito próprio, talvez devesse olhar para a própria vida, em vez de tentar diminuir a dos outros.
O silêncio na sala foi pesado. O pai olhou de uma para a outra, preocupado, mas Eloise já tinha vencido aquela troca. A tia Carla apenas arqueou a sobrancelha e recostou-se novamente, como quem disfarçava o golpe.
Eloise, no entanto, apenas respirou fundo e voltou a sorrir para o pai, sem dar à tia a satisfação de vê-la abalada.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...