Os dias seguintes foram tudo, menos tranquilos.
O nome Nicole Martins começou a aparecer com mais peso do que Sofia esperava.
Não era só uma jovem desaparecida.
Era um rastro mal apagado.
Transferências frias.
Testemunhas que “não lembravam”.
Relatórios incompletos.
E um silêncio conveniente demais para ser coincidência.
Sofia passou a dormir pouco.
Comia mal.
Pensava demais.
O caso não era claro — era sombrio.
Mas não eram apenas os investigadores que estavam se movendo.
— Eles ainda não aprenderam. — disse a mulher, com a voz fria, enquanto observava a tela à sua frente.
A imagem congelada mostrava Sofia e Thomas no café, segundos antes do primeiro disparo.
— Estão cavando fundo demais.
O homem ao lado assentiu.
— Quer que a gente elimine?
A mulher não piscou.
— Não. Ainda não. — fez uma pausa. — Vamos mandar um recado.
Ela deslizou um pen drive sobre a mesa.
Um leve sorriso surgiu no canto dos lábios da mulher.
— Vamos brincar um pouco. Eles sempre erram quando acham que estão no controle.
___
Na delegacia.
Alex foi o primeiro a notar o envelope pardo sobre a mesa de triagem.
Não tinha remetente.
Não tinha protocolo.
Não tinha registro de entrada.
— Isso aqui não estava aí antes… — murmurou, franzindo a testa.
Thomas se aproximou.
— O que tem dentro?
Alex abriu com cuidado.
Lá dentro, um caderno pequeno, de capa preta, gasto nas bordas. Parecia antigo. Usado. Vivido.
E um bilhete dobrado, escrito à mão:
> “Ela não é quem vocês pensam.
Nicole não fugiu.
Nicole sobreviveu.”
O silêncio caiu pesado.
Thomas pegou o caderno.
As primeiras páginas estavam preenchidas com uma letra feminina, irregular — às vezes firme, às vezes tremida.
Datas.
Nomes riscados.
Valores.
Frases soltas.
> “Mamãe diz que é só uma fase.”
“Não confio mais em ninguém.”
“Se algo acontecer comigo, não foi escolha.”
Thomas engoliu seco.
— Isso é… — começou.
— Plantado. — Sofia concluiu, fria, ao entrar na sala naquele momento.
Ela pegou o caderno das mãos dele, folheando rápido demais para quem estava lendo pela primeira vez.
— Quem mandou isso quer uma coisa muito específica. — disse firme.
Alex coçou a nuca.
— Que a gente acredite que a Nicole é vítima. Mas… e se ela for?
Sofia levantou o olhar, séria.
— Esse é o perigo das pistas falsas bem feitas. — respondeu. — Elas misturam verdade com encenação.
Thomas cruzou os braços.
— Se isso cair na imprensa…
— Transforma Nicole em mártir. — Sofia completou. — E muda completamente a narrativa do caso. Confundindo todos, inclusive a gente.
Ela fechou o caderno devagar.
— Quem mandou isso sabe nossos passos. está jogando com a gente.
Um silêncio denso se instalou.
Mas, Sofia teve certeza de uma coisa:
> Alguém estava jogando com eles.
E estava jogando muito bem.
— Sofia… vamos tomar um café. — Thomas sugeriu, fechando a pasta, como se precisasse sair dali.
Ela assentiu em silêncio.
Minutos depois, os dois saíram juntos.
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O café estava cheio demais.
Barulhento demais.
E, ainda assim… algo parecia fora do lugar.
Xícaras batendo, vozes misturadas, o cheiro de café recém-passado preenchendo o ambiente.
Um lugar comum demais para uma conversa que não era.
Sofia estava sentada de costas para a janela, o notebook aberto, pastas espalhadas pela mesa pequena. Thomas, à frente dela, observava o ambiente mais do que os documentos.
— Você não confia em ninguém rápido. — ele comentou, baixo.
— Confiança não é talento, Thomas. — Sofia respondeu sem levantar os olhos. — É consequência.
Ele respirou fundo, aceitando o golpe sem rebater.
— Nicole não sumiu por acaso. — Sofia disse, sem levantar os olhos. — A resposta está nela.
— É ela, Sofia. Nicole não é a vítima.
Thomas apoiou as mãos na mesa.
— Eu conheço esse padrão.
Sofia finalmente ergueu o olhar.
— Eu também. — disse firme. — E não é de agora.
O garçom se aproximou.
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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...