A noite promete.
Eloise estava parada diante do espelho, observando o reflexo como se não o reconhecesse de imediato. O vestido justo em tom vinho abraçava suas curvas com elegância, sem ser vulgar. O decote discreto, o tecido macio que descia até a altura dos joelhos e a fenda lateral davam um ar sofisticado — quase ousado para alguém que passara semanas presa entre escritório e casa.
Nos pés, os saltos pretos alongavam ainda mais sua silhueta. O cabelo, solto em ondas leves, caía sobre os ombros, com aquele brilho natural que ela quase tinha esquecido de notar. Um batom vermelho, passado com cuidado, completava a produção.
Eloise piscou para o próprio reflexo, respirando fundo.
— Faz tempo que você não se vê assim… — murmurou para si mesma. — Ok, Eloise, você é jovem, precisa viver.
De repente, uma dúvida passou por sua cabeça.
“Será que deveria avisá-lo? Mas, afinal… nem somos um casal.”
Ajeitou a bolsa pequena sobre o ombro e desceu as escadas. O pai, sentado na sala, ergueu os olhos do livro e parou por alguns segundos, como se estivesse diante de outra versão da filha.
— Uau… — comentou, com orgulho evidente no olhar. — Minha menina está linda.
Eloise sorriu, um pouco tímida.
— Obrigada, pai. Vou sair com uma amiga hoje. Prometo não voltar tarde.
Ele fechou o livro devagar, analisando-a com atenção, mas sem julgamento. Apenas aquele cuidado paterno que nunca diminuía.
— Só toma cuidado, filha. Não é a roupa, nem a noite… é você que vale ouro.
Ela se aproximou, rindo baixinho.
— Eu sei, pode deixar.
O celular vibrou em sua mão. Uma notificação do Uber piscou na tela: “Seu motorista chegou.”
Eloise respirou fundo, pegou as chaves e se inclinou para beijar o rosto do pai.
— Te amo, pai. Qualquer coisa, me liga.
Ele segurou a mão dela por um instante, como se quisesse prolongar o momento.
— Se cuida, filha. — sorriu. — Te amo, princesa.
Ela se afastou devagar, o coração aquecido pelo gesto. Na porta, antes de sair, olhou mais uma vez para trás e o viu ali, sentado, orgulhoso e um pouco preocupado, mas feliz em vê-la viver.
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O carro parou em frente a uma fachada iluminada por letreiros em neon. A música já se fazia ouvir da calçada, o som das batidas graves reverberando no peito de quem passava. Uma pequena fila se formava na entrada, mas Eloise não teve tempo nem de pensar em esperar.
— Eloise! — a voz animada cortou o barulho.
Nathalia acenava com força logo à frente, eufórica, como se fosse a dona da noite. Estava em um vestido curto de paetês prateados que refletiam cada luz, o cabelo solto e um sorriso de quem não aceitava um “não” como resposta.
Eloise riu, rolando os olhos.
— Por favor… como se eu tivesse cabeça para isso.
— Ai, até parece! — Nathalia cutucou, divertida. — Mas relaxa, hoje você vai esquecer de trabalho, esquece de problemas, esquece de… tudo.
— Nathalia. — Eloise interrompeu com um olhar sério, mas o riso logo entregou que não havia raiva, apenas um segredo que ela não revelaria.
Nathalia gargalhou alto, brindando com ela.
— Tá bom, tá bom. Mas se aparecer um deus grego, pelo menos olha, combinado?
Eloise apenas balançou a cabeça, rindo, antes de dar mais um gole no drink.
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Do outro lado da área VIP, em um espaço ainda mais reservado, alguém observava.
Thiago Albuquerque recostava-se no sofá de couro escuro, o copo de cerveja na mão e o olhar fixo nas duas mulheres. O contraste entre Nathalia, brilhante e barulhenta, e Eloise, sofisticada e contida, lhe arrancou um sorriso quase imperceptível.
— Mas olha só… — murmurou para si mesmo, rindo baixo. — Conheço alguém que vai gostar muito disso.
Antes de ir até as meninas, pegou o celular, tirou uma foto delas e enviou a alguém. Só então seguiu para cumprimentá-las, com a alegria de sempre estampada no rosto.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...