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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 66

A segunda-feira chegou sem pedir licença.

O céu ainda carregava o cinza da madrugada quando Sofia entrou na delegacia. O cansaço do fim de semana ainda pesava nos ombros, mas havia algo diferente no ar. Um silêncio mais denso. Expectativa.

Na sala de Thomas, as luzes estavam acesas desde cedo.

Ele estava de pé, diante do quadro branco, analisando mapas e relatórios quando Sofia entrou. Os dois trocaram apenas um aceno discreto — automático, profissional — e começaram a trabalhar.

Durante quase o dia todo falaram apenas o necessário.

Dados. Rotas. Horários. Padrões.

Até que Thomas quebrou o silêncio.

— Sobre ontem… — começou, sem encará-la de imediato.

Sofia ergueu os olhos devagar.

— O hospital?

— Não. — ele respondeu. — Sobre você.

Ela ficou imóvel, a caneta suspensa no ar.

Thomas respirou fundo e finalmente se virou para ela.

— Eu vi você com o Enzo.

Sofia sentiu o coração bater mais forte, mas manteve o rosto neutro.

— E…? — perguntou com calma.

— E eu não vou perguntar nada sobre ele. — Thomas disse, firme. — Não tenho esse direito.

Ele deu um passo à frente. Depois outro.

— Mas eu preciso ser honesto com você.

O ambiente pareceu encolher.

— Eu vou lutar para te reconquistar, Sofia. — disse, sem rodeios. — Sem joguinhos. Sem pressão. Sem tentar te controlar.

Ela abriu a boca para falar, mas ele a interrompeu com um gesto leve da mão.

— Deixa eu terminar.

Thomas se aproximou mais. Agora, a poucos passos dela.

— Se um dia você me disser que não existe mais chance pra nós… — a voz dele falhou por um segundo, mas se recompôs — eu vou respeitar. Vai doer. Muito. Mas eu vou respeitar.

Sofia sentiu a respiração falhar.

— E é por isso que, até esse dia, eu vou dar o meu melhor. — ele continuou. — Vou ser o seu Thomas. O homem que você merecia e que eu demorei pra ser.

Ela engoliu seco.

— Thomas…

— Sofia… — ele disse, interrompendo outra vez, mas agora com doçura. — Só me promete uma coisa. Sinceridade. Se existir outra pessoa, você me diz. Sem medo. Sem culpa. Vamos jogar limpo.

O olhar dele era nu. Sem defesas.

— Eu ainda te amo. — confessou. — Amei em silêncio esses dois anos. Sofri. Me arrependi. E entendi, tarde demais, o quanto fui burro.

O espaço entre eles desapareceu.

Thomas chegou mais perto.

Sofia sentiu o ar faltar. O coração disparar. O corpo reagir antes da razão.

Os lábios deles se tocaram.

Não foi um beijo intenso. Não foi urgente. Foi tímido. Contido. Carregado de tudo que nunca foi dito.

Um segundo. Talvez dois.

Então—

A porta se abriu sem aviso.

— Thomas…

A palavra morreu no ar.

Bruna ficou parada no batente, o olhar indo de Thomas para Sofia em questão de segundos. O silêncio que se formou não foi constrangedor — foi cortante.

Sofia se afastou primeiro.

Rápido demais.

O corpo reagiu antes da mente.

— Eu… — ela começou, sem terminar. — Preciso ir.

Virou-se, empurrou a porta e saiu apressada, o coração acelerado, a respiração descompassada. Só percebeu o erro segundos depois.

A bolsa.

Ficou para trás.

Dentro da sala, Bruna fechou a porta com força.

— Minha bolsa… — disse, baixo. — Eu vim buscar minha bolsa.

Bruna passou por ela sem dizer uma palavra, os passos rápidos ecoando pelo corredor.

Sofia entrou.

Thomas estava parado no mesmo lugar.

Eles se olharam.

E, por alguns segundos que pareceram longos demais, tudo voltou.

O jeito dele olhar.

A firmeza.

A verdade.

Era o Thomas que ela amou.

Sofia desviou o olhar primeiro.

Pegou a bolsa com pressa.

Virou-se e saiu.

No estacionamento, entrou no carro e fechou a porta com força demais.

Respirou fundo.

Uma vez.

Duas.

— Somos profissionais. Estamos trabalhando juntos. Nada de passado.

— murmurou para si mesma.

Dentro da sala, Thomas permaneceu imóvel.

Sabia.

A partir daquele momento, nada seria simples.

Nada seria apenas profissional.

As linhas tinham se cruzado de novo.

E, desta vez, não havia como fingir que não.

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