Confissões à Meia-Luz
O escritório estava silencioso. Augusto permanecia de pé, de costas para a porta, as mãos nos bolsos e o olhar fixo na cidade que se estendia além da parede de vidro. Lá embaixo, tudo parecia pequeno, distante, mas dentro dele o tumulto era maior do que jamais admitiria em voz alta.
A porta se abriu sem anúncio, e Thiago entrou como se o espaço também fosse dele. Fechou-a devagar e se recostou na mesa, observando o amigo em silêncio. O ar divertido de costume não estava ali. Ele sabia reconhecer quando Augusto precisava de silêncio antes das palavras.
— Vai ficar em pé olhando a cidade até ela responder as suas perguntas? — perguntou, a voz baixa, sem ironia.
Augusto não se virou. Respirou fundo, o maxilar travado.
— Estou… confuso. — disse por fim, as palavras pesadas, como se fosse difícil soltá-las. — O que sinto… não deveria sentir. Não por ela.
Thiago cruzou os braços, sério, atento.
— Eloise.
Augusto fechou os olhos por um instante ao ouvir o nome, como se até isso fosse um risco.
— Ela me tira do eixo. Eu perco o controle perto dela. E você sabe… eu nunca perco o controle.
— Está com medo? — Thiago perguntou, direto, mas sem julgamento.
Augusto virou-se finalmente, os olhos verdes em chamas, mas não de raiva — de algo mais profundo, mais perigoso.
— Estou. — admitiu. — Medo de me enganar de novo. Medo de me destruir outra vez.
O silêncio pairou pesado. Thiago manteve o olhar fixo nele, sem sarcasmo, apenas a gravidade de quem conhecia a ferida antiga que Augusto escondia.
— Você não é o mesmo homem de antes. — disse, firme. — E ela não é a mesma história.
Augusto passou a mão pelos cabelos, num gesto raro de inquietação.
O silêncio voltou por um instante, mas dessa vez não era tão pesado. Thiago claramente tentava aliviar, mas os olhos de Augusto permaneceram sérios, fixos.
Com a voz grave e contida, bem diferente do normal, Thiago disse:
— Eloise é diferente, Augusto.
Augusto respirou fundo, como se admitisse algo apenas a si mesmo.
— Meu coração… diz que sim. Eu gosto dela. Mais do que deveria.
A frase ficou suspensa no ar, simples, direta, impossível de retirar depois de dita. Thiago ergueu uma sobrancelha, surpreso pelo tom e pela confissão.
Ele não respondeu de imediato, apenas observou o amigo em silêncio, e pela primeira vez entendeu que o que queimava em Augusto não era apenas desejo. Era algo que, se crescesse, poderia mudar tudo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...