Capítulo 8
Na manhã seguinte, o som dos saltos de Eloise ressoou com firmeza pelo mármore da recepção, como se cada passo fosse uma armadura contra o caos dentro dela. Vestia um vestido midi preto, por cima um blazer, elegante, mas não provocativo. Os brincos dourados pequenos e um relógio fino no pulso completavam o visual de mulher segura e inabalável.
O cabelo escovado nenhum fio fora do lugar — fruto de uma paciência quase mecânica diante do espelho naquela manhã. O batom nude equilibrava a sombra leve esfumada nos olhos, que escondia bem as olheiras causadas por uma noite mal dormida. Sua maquiagem era seu escudo; sua postura, seu disfarce.
Na noite anterior, ao chegar em casa e encontrar o pai deitado no sofá, abatido, sentiu o chão se desfazer sob os pés. Ele sorriu, como sempre fazia, mas até o sorriso parecia cansado. Ela tentou sorrir de volta, mas algo em seu peito pesou — como se tudo estivesse prestes a desmoronar.
Passou a madrugada se revirando na cama, os pensamentos girando sem descanso. Os valores da cirurgia martelavam como uma ameaça silenciosa. Como conseguiria aquele dinheiro em tão pouco tempo?
Como de costume, chegou em sua mesa, arrumou documentos, atualizou a agenda de Augusto, levou documentos importantes para ele assinar e deixou sobre a mesa dele, respondeu e-mails, quando de repente o elevador fez barulho e abriu as portas: um homem imponente, terno sempre impecável.
O relógio marcava exatamente 8h quando Augusto Monteiro cruzou o hall do último andar da Monteiro Corporation. Seus passos firmes ecoavam pelo corredor de mármore, e sua presença exigia atenção sem precisar de uma palavra.
Eloise se levantou imediatamente ao vê-lo.
— Bom dia, senhor Monteiro — disse com firmeza e profissionalismo.
Ele a encarou por um breve segundo, os olhos verdes afiados como sempre, e respondeu seco:
— Me acompanhe.
Ela o seguiu até a sala envidraçada, espaçosa e impecavelmente organizada. Ele abriu a porta, entrou sem olhar para trás e ela o seguiu, mantendo a compostura.
Augusto se sentou em sua cadeira de couro, recostando-se ligeiramente, e indicou com um gesto que ela se aproximasse da mesa.
— A agenda — ordenou, com a voz baixa e direta.
Eloise ligou o tablet e começou a leitura, profissional como sempre:
— Às 10h, reunião com os diretores da filial na Cidade Norte Grande. Está confirmada por videoconferência.
— Uhum — ele murmurou, olhando para a tela do notebook à sua frente.
— Ao meio-dia, almoço-reunião com o grupo de investidores do projeto Costa Dourada, reservado no restaurante La Belle Terrasse.
Augusto ergueu os olhos, fitando-a.
Ela prosseguiu:
— E no período da tarde, reunião com o diretor de desenvolvimento para revisão dos relatórios do último trimestre.
Ele assentiu lentamente, depois disse com naturalidade:
— No almoço, você vai me acompanhar.
Ela hesitou por uma fração de segundo, surpresa com a ordem, mas rapidamente assentiu com um aceno contido.
— Claro, senhor.
— Pode se retirar — concluiu, voltando a atenção para o notebook.
— Minha secretária, Eloise Nogueira.
A conversa com os investidores começou formal. Projetos, lucros, prazos, parcerias. Eloise anotava pontos importantes e, vez ou outra, era consultada sobre alguma informação específica — sempre pronta, precisa, segura. A maneira como ela lidava com os números e com os dados do projeto impressionava.
Um dos investidores, mais velho, fez um comentário:
— Inteligente e elegante, Monteiro. Um bom reforço para sua equipe.
Augusto ergueu uma sobrancelha, sem esboçar um sorriso.
— Não mantenho ninguém que não entregue o que promete — disse, seco.
Mas seus olhos, por um breve instante, pousaram em Eloise. Ela fingiu não notar, mantendo-se ocupada com os papéis à sua frente, embora um calor involuntário subisse por seu pescoço.
Quando os pratos foram servidos, o clima na mesa relaxou um pouco. Houve risos discretos, comentários sobre o tempo, uma ou outra piada de negócios. Mesmo nesse ambiente, Augusto mantinha a postura sóbria, mas sempre no controle.
Enquanto o garçom servia o vinho, Augusto se inclinou um pouco para ela e disse, em tom baixo:
— Você se saiu bem.
Eloise apenas assentiu, mantendo o olhar na taça que girava com elegância entre os dedos.
— Eu sempre me saio bem, senhor Monteiro — respondeu no mesmo tom, sem encará-lo diretamente.
Ele esboçou um leve sorriso de canto, quase imperceptível, e voltou a atenção para os investidores.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...