Silêncios que Queimam
O carro deslizava pela avenida iluminada, mas dentro dele o silêncio era absoluto.
Eloise mantinha o olhar fixo na janela, observando as luzes da cidade como se fossem mais interessantes do que realmente eram. O coração, no entanto, batia rápido demais.
O que significava tudo isso.
Ela mordia o lábio discretamente, tentando não se perder na lembrança da voz dele, no peso daquelas palavras ditas no elevador. Mas quanto mais tentava ignorar, mais o corpo reagia — o calor, o arrepio, a lembrança do toque.
Do lado oposto, Augusto estava imóvel, uma sombra imponente no banco de couro. A mão apoiada no queixo, os olhos verdes fixos à frente. Para qualquer um, ele parecia apenas concentrado. Mas Eloise sabia — aquele silêncio não era simples.
De repente, ele se virou. O olhar encontrou o dela no reflexo da janela.
— Está nervosa? — perguntou, a voz grave, baixa, como se pudesse ler seus pensamentos.
Eloise piscou, surpresa, tentando disfarçar.
— Só cansada. — murmurou, embora soubesse que ele não acreditaria.
Um canto da boca dele se curvou, lento. Não era um sorriso completo, mas um gesto suficiente para deixá-la ainda mais sem ar.
Augusto inclinou-se ligeiramente, o tom mais baixo, quase um segredo.
— Ontem à noite… você disse que queimava quando eu olhava pra você. — fez uma pausa curta, os olhos cravados nos dela. — Eu também queimo, Eloise. Mais do que deveria.
O ar pareceu desaparecer. O peito dela subiu e desceu depressa, e as mãos se apertaram contra o colo, nervosas.
Augusto recostou-se de novo, como se nada tivesse dito, voltando à sua postura imponente.
— Fique calma, deixe acontecer combinado. — concluiu, sério, antes de voltar o olhar para a estrada.
O silêncio voltou, mas já não era o mesmo. Agora queimava.
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Os dias seguiram em ritmo intenso.
O projeto, secreto e ambicioso, consumia cada minuto dentro da empresa. A equipe era pequena, escolhida a dedo: Augusto, Eloise, Thiago, Nathalia, Pedro e Emma. Poucos, mas suficientes para carregar nas mãos algo que poderia mudar o mercado.
Na sala de reuniões, a energia era diferente. Pedro apresentava esboços na tela, Emma digitava com rapidez enquanto explicava possibilidades de programação, e Thiago intervinha com seu humor certeiro, mas sem perder a seriedade do momento.
Eloise, à mesa, acompanhava cada detalhe. A caneta corria firme pelo caderno de couro, registrando decisões, prazos e observações com a atenção de quem sabia a importância do que estava sendo construído.
— O que você está fazendo? — ela o encarou, franzindo o cenho.
— Estou indo jantar. — respondeu simples, como se fosse o mais natural do mundo.
— Jantar? Aqui? — ela ergueu a sobrancelha, incrédula. — E quem foi que te convidou? Porque eu não fui. Não é o momento, Augusto…
Ele a interrompeu antes que terminasse a frase, a boca curvando num meio sorriso provocador:
— O convite não veio de você, Eloise. Veio do seu pai.
Antes que ela pudesse retrucar, a porta se abriu.
Senhor Carlos apareceu, olhando dos dois para a cena, e soltou, com ironia:
— Ainda não é o momento de quê, minha filha?
Eloise, corada, perdeu a voz.
Augusto, no entanto, manteve-se firme. Cumprimentou o pai dela com a naturalidade de quem já se sentia em casa.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...