Entrar Via

Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 89

Silêncios que Queimam

O carro deslizava pela avenida iluminada, mas dentro dele o silêncio era absoluto.

Eloise mantinha o olhar fixo na janela, observando as luzes da cidade como se fossem mais interessantes do que realmente eram. O coração, no entanto, batia rápido demais.

O que significava tudo isso.

Ela mordia o lábio discretamente, tentando não se perder na lembrança da voz dele, no peso daquelas palavras ditas no elevador. Mas quanto mais tentava ignorar, mais o corpo reagia — o calor, o arrepio, a lembrança do toque.

Do lado oposto, Augusto estava imóvel, uma sombra imponente no banco de couro. A mão apoiada no queixo, os olhos verdes fixos à frente. Para qualquer um, ele parecia apenas concentrado. Mas Eloise sabia — aquele silêncio não era simples.

De repente, ele se virou. O olhar encontrou o dela no reflexo da janela.

— Está nervosa? — perguntou, a voz grave, baixa, como se pudesse ler seus pensamentos.

Eloise piscou, surpresa, tentando disfarçar.

— Só cansada. — murmurou, embora soubesse que ele não acreditaria.

Um canto da boca dele se curvou, lento. Não era um sorriso completo, mas um gesto suficiente para deixá-la ainda mais sem ar.

Augusto inclinou-se ligeiramente, o tom mais baixo, quase um segredo.

— Ontem à noite… você disse que queimava quando eu olhava pra você. — fez uma pausa curta, os olhos cravados nos dela. — Eu também queimo, Eloise. Mais do que deveria.

O ar pareceu desaparecer. O peito dela subiu e desceu depressa, e as mãos se apertaram contra o colo, nervosas.

Augusto recostou-se de novo, como se nada tivesse dito, voltando à sua postura imponente.

— Fique calma, deixe acontecer combinado. — concluiu, sério, antes de voltar o olhar para a estrada.

O silêncio voltou, mas já não era o mesmo. Agora queimava.

---

Os dias seguiram em ritmo intenso.

O projeto, secreto e ambicioso, consumia cada minuto dentro da empresa. A equipe era pequena, escolhida a dedo: Augusto, Eloise, Thiago, Nathalia, Pedro e Emma. Poucos, mas suficientes para carregar nas mãos algo que poderia mudar o mercado.

Na sala de reuniões, a energia era diferente. Pedro apresentava esboços na tela, Emma digitava com rapidez enquanto explicava possibilidades de programação, e Thiago intervinha com seu humor certeiro, mas sem perder a seriedade do momento.

Eloise, à mesa, acompanhava cada detalhe. A caneta corria firme pelo caderno de couro, registrando decisões, prazos e observações com a atenção de quem sabia a importância do que estava sendo construído.

— O que você está fazendo? — ela o encarou, franzindo o cenho.

— Estou indo jantar. — respondeu simples, como se fosse o mais natural do mundo.

— Jantar? Aqui? — ela ergueu a sobrancelha, incrédula. — E quem foi que te convidou? Porque eu não fui. Não é o momento, Augusto…

Ele a interrompeu antes que terminasse a frase, a boca curvando num meio sorriso provocador:

— O convite não veio de você, Eloise. Veio do seu pai.

Antes que ela pudesse retrucar, a porta se abriu.

Senhor Carlos apareceu, olhando dos dois para a cena, e soltou, com ironia:

— Ainda não é o momento de quê, minha filha?

Eloise, corada, perdeu a voz.

Augusto, no entanto, manteve-se firme. Cumprimentou o pai dela com a naturalidade de quem já se sentia em casa.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário