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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 91

Entre destinos e feridas.

Ela olhou a tela e viu o nome da vizinha. Atendeu sorrindo, achando que era sobre o recado que havia deixado antes de sair do escritório: “Passa lá para ver o papai, por favor”.

Mas a voz do outro lado veio em prantos, desesperada:

— Eloise! Corre pro hospital! Seu pai… ele passou muito mal… o estado é grave!

A taça escorregou dos dedos de Eloise, o cristal estilhaçando no chão. O riso cessou, o silêncio tomou conta da mesa, e o coração dela afundou num vazio gelado.

A noite que tinha tudo para ser inesquecível… acabaria marcada como o início da tempestade. Mas vale lembrar, nem tudo é tão ruim, que não possa piora.

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A correria até o hospital foi um tormento. Eloise mal conseguia respirar, agarrada à mão de Augusto, que dirigia em silêncio, firme, mas com o maxilar tenso. Cláudia seguia no banco de trás, dando instruções, tentando manter a calma:

— Eu conheço o diretor daqui, vou falar com ele. Eloise, força, nós vamos dar um jeito.

Ao entrarem, foram recebidos pelo cheiro forte de antisséptico, corredores lotados e a agonia de uma espera que parecia não ter fim. O médico apareceu sério, direto:

— Seu Carlos está na UTI e precisa de cirurgia imediatamente. É delicada, mas necessária.

Eloise sentiu o chão sumir. O coração dela disparava.

— Cirurgia? Mas… quanto tempo temos?

— Pouquíssimo. Precisamos da autorização e do pagamento para liberar o procedimento — respondeu o médico.

Augusto imediatamente se adiantou:

— Eu cubro tudo. Não se preocupe, Eloise.

Mas ela se virou bruscamente, com os olhos marejados e a voz trêmula, porém firme:

— Não, Augusto. Você não pode se meter nisso.

Ele franziu a testa, incrédulo.

— Não se meter? Eloise, é a vida do seu pai! Não vamos perder tempo com formalidades.

Ela balançou a cabeça, engolindo o choro, sentindo as palavras de José Monteiro ecoarem no peito como um veneno que se repetia sem parar:

“O pai dela precisa de uma cirurgia que custa duzentos mil. Uma quantia que ela nunca teria por conta própria. Mas, estando ao meu lado…”

" Não é amor, é sobrevivência. "

O orgulho queimava mais do que a dor. A lembrança das palavras não deixava espaço para aceitar a ajuda de Augusto, mesmo que fosse o caminho mais fácil, mesmo que fosse a chance de salvar o pai sem hesitação.

Ela não podia. Não assim.

— Eu não posso simplesmente aceitar o seu dinheiro assim — disse, num fio de voz, mas carregada de orgulho e dor. — Se for preciso, eu faço um empréstimo. Pago cada centavo. Mas não posso… não posso carregar esse peso, Augusto.

O silêncio cortou como faca. Ele a olhava, dividido entre respeito e revolta. Cláudia interveio, tentando apaziguar:

— O importante agora é salvar o Carlos. Depois vocês resolvem o resto.

— Eloise Nogueira — sussurrou, um leve sorriso se formando entre lágrimas contidas.

E então tudo fez sentido.

— Nogueira. Você é a cara dele. — a voz embargada. — Como eu não liguei os pontos antes?

Ela fechou os olhos, respirando fundo, tentando se recompor. Quando voltou a olhar pela janela, a visão não era só de um homem lutando pela vida — mas de um passado inteiro que retornava, impondo uma nova verdade.

A jovem que entrara na vida de Augusto não era apenas uma funcionária com olhar corajoso e língua afiada.

Era filha de Carlos Nogueira.

O nó na garganta a impediu de falar mais. Mas, no fundo, Cláudia sabia: nada, absolutamente nada, seria igual depois dessa revelação.

O destino havia aberto um círculo que jamais deveria ter sido fechado.

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O sábado e o domingo passaram arrastados, mas ao mesmo tempo voaram. Eloise vivia em estado de vigília, como se não houvesse mais noite nem dia. Ia em casa apenas para tomar um banho rápido e voltava correndo, mesmo sabendo que só poderia entrar por menos de uma hora para ver o pai. Ainda assim, permanecia pelos corredores, sentada em cadeiras desconfortáveis, com a esperança de arrancar qualquer boa notícia dos médicos.

Nathalia foi até lá, levando comida, insistindo para que Eloise comesse algo. Ficou com ela, oferecendo o colo que Eloise nem sabia precisar até sentir o abraço da amiga.

No meio daquela confusão de sentimentos, ela fez algo sem perceber: afastou Augusto. Não atendia suas ligações, não respondia suas mensagens. Quando ele aparecia, ela se limitava a agradecer friamente e pedir espaço, prometendo que conversariam depois.

Ele respeitou. Mas dentro dele, a sensação era amarga. Eloise estava erguendo muros sem nem notar.

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