Entre Orgulho e Medo
A segunda-feira começou diferente.
Eloise entrou sozinha na empresa, os saltos soando no mármore do hall como se carregassem chumbo. O batom e a base não conseguiam esconder o cansaço: os olhos denunciavam noites em claro no hospital. Ainda assim, ela manteve a postura.
Sentou-se em sua mesa, abriu o G***l, confirmou a agenda, fez tudo no automático, como se fosse apenas mais uma manhã de trabalho. Mas por dentro, estava em frangalhos.
Pouco depois, a figura imponente de Augusto surgiu. O olhar verde pousou nela com intensidade.
— Venha à minha sala. — disse, firme.
Eloise o acompanhou. Entrou, fechou a porta, e logo o silêncio pesado tomou conta do ambiente.
Augusto não perdeu tempo.
— Eloise, eu posso resolver isso. — disse, sem rodeios. — Hoje mesmo transfiro o dinheiro.
Ela congelou. O coração disparou, mas a resposta foi imediata.
— Não. — rebateu, firme. — Eu vou fazer um empréstimo.
O maxilar de Augusto se contraiu, incrédulo.
— Empréstimo? — repetiu. — Você não precisa disso. Eu tenho o valor, não me faz diferença.
Eloise respirou fundo, as mãos trêmulas apertando a barra da saia.
— Você não entende. — disse, a voz embargada. — Como eu vou aceitar duzentos mil… do homem que é o meu chefe? Como vou olhar para você depois?
Augusto deu um passo à frente, o olhar faiscando.
— Eu não sou só seu chefe. — respondeu, grave. — E você sabe disso.
Mas as palavras dele, em vez de consolo, foram um gatilho.
As frases de José Monteiro ecoaram na mente dela como lâminas:
“Ela deixou o ex para tentar a sorte com você por dinheiro…”
“…o pai dela precisa de uma cirurgia de duzentos mil…”
“…não é amor, é sobrevivência.”
Eloise engoliu em seco, a respiração acelerada.
— Justamente por isso eu não posso aceitar. — murmurou, os olhos marejados. — Não quero que ninguém… nem você, nem seu pai… ache que estou com você por interesse.
Augusto cerrou os punhos, respirando fundo para controlar a raiva.
— Eloise, você acha mesmo que eu me importo com o que os outros dizem? — a voz dele soou como trovão. — Eu só quero o seu pai vivo.
Logo atrás, Nathalia entrou às pressas, o salto batendo forte contra o piso. O rosto dela também estava tenso, pálido.
— Eloise… — chamou, a voz trêmula, mas firme. — Venha, é algo sério.
O coração de Eloise disparou.
Pela primeira vez, até respirar parecia difícil.
Thiago entrou como um furacão, sem bater, sem pedir licença.
Augusto levantou os olhos do notebook, o maxilar travado pela interrupção brusca.
— Thiago… — começou, mas não teve chance de continuar.
O amigo atravessou a sala em dois passos largos e jogou com força uma revista e um convite dourado sobre a mesa. O som ecoou no silêncio carregado.
— Olha isso! — a voz dele saiu como um trovão.
Augusto pegou a revista com calma forçada, mas seus olhos foram direto para a capa.
O silêncio que se seguiu não era de dúvida.
Era de pura raiva.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...