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Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido romance Capítulo 14

"Júlia"

Uma chuva começou no meio da tarde. Fina, constante, insistente, cancelando o passeio do fim de tarde.

Estava sentada no tapete da sala, com Adam apoiado nas minhas pernas, quando ouvi os passos dele no corredor. Eu já conhecia aquele ritmo. A cada dia que passava, ansiava por ele. Sentia que, agora em um ambiente seguro, no território de César, ele estava mais relaxado.

Adam riu alto, aquele riso novo, recém-descoberto, e eu ri junto.

— Ele descobriu que consegue puxar meu cabelo — falei quando César apareceu na sala. — Vai ser um meninão forte.

Ele nos observou por um segundo longo demais. Aquele olhar que fazia meu coração disparar e minhas pernas tremerem.

— Tenho certeza que sim — respondeu, com um leve sorriso.

O modo como tratava meu filho, como era cuidadoso, era outro fator que me deixava feliz.

O silêncio que se formou não foi desconfortável. Nós parecíamos uma família. E, por mais que ele ainda se mantivesse afastado, eu sentia que as barreiras caíam dia após dia. Sabia que a família dele enfrentava inúmeros problemas. Agora eu acompanhava tudo pela internet, conferindo cada detalhe. César estava estressado e preocupado, mas sempre deixava isso de lado quando estava em casa, comigo e com Adam.

Levantei devagar, com Adam no colo, e me aproximei.

— Quer segurar um pouquinho? Incrível como ele te adora.

Ele hesitou por meio segundo, eu senti , mas colocou Adam nos braços. Meu filho segurou o dedo dele com força, como se já soubesse a quem se agarrar.

— Você leva jeito — murmurei, próxima demais, sentindo o cheiro dele.

— É só instinto.

Balancei a cabeça.

— Pelo jeito, você tem um instinto natural para ser pai.

Ele ficou levemente desconfortável, e eu o encarei, sem conseguir evitar pensar que, se fosse verdade tudo o que eu lia na internet, em breve o pai dele não teria tanto poder. César já tinha se desvencilhado da empresa. Era uma oportunidade nossa. De ficarmos juntos, sem interferências, uma segunda chance.

— Júlia…

Eu conhecia aquele tom. Ele ficava assim sempre que eu me aproximava demais.

— Eu sei — antecipei. — Você já deixou claro que isso aqui é temporário.

— Não é isso.

— Então o que é?

Dei um passo, talvez perto demais, brincando com Adam no colo dele. César olhou nos meus olhos e pareceu pensar em alguma coisa.

— Eu vou conversar com sua mãe. Vou sozinho primeiro. Tenho certeza de que vamos ter uma conversa franca. Já se passaram mais de dez anos. Você é filha dela, tem um filho… acredito que ela possa te perdoar.

Tentei forçar um sorriso, mas tinha minhas dúvidas. Minha briga com a minha mãe ainda estava viva na minha mente. A decepção dela, mesmo depois de tanto tempo, eu achava que ela não me perdoaria.

E, se perdoasse… César me mandaria embora.

Eu tinha plena consciência de que ele não tinha falado com ninguém sobre a minha presença na casa. Na verdade, eu nem saía — apenas ia ao parquinho do prédio para tomar um pouco de sol com Adam. Mas não me importava. Desde que César me mantivesse ali, estava tudo bem. Porque, se eu saísse, o perderia de novo.

— Não sei como ela vai reagir… realmente é melhor você ir sozinho.

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