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Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido romance Capítulo 17

"César"

A morte do meu pai foi o momento mais confuso da minha vida. Depois de uma vida inteira de manipulações e escolhas que destruíram tudo ao redor, achei que estaria pronto. Imaginei que, diante do seu fim, eu sentiria apenas um peso burocrático e resolveria os detalhes com frieza.

Mas estava errado.

Quando entrei no necrotério ao lado de Augusto, o cheiro metálico e o frio artificial me atingiram como um soco. No silêncio daquela sala, o corpo estendido parecia menor, vulnerável.Humano demais. Era difícil processar como aquele homem, agora reduzido a pele pálida e silêncio, tinha causado tanto estrago.

— Você está bem? — Augusto perguntou, colocando a mão no meu ombro, parecendo tão ou mais abalado.

Assenti, mentindo para nós dois. Não entendia como aquilo tinha acontecido, mesmo sabendo que existiam inúmeros motivos para alguém querer matar Marco Aurélio.

O resto da noite foi turbulento, entre a policia e a casa da minha avó. Ele tinha sido executado ao sair do escritório do seu advogado, um crime limpo e sem rastro, em plena luz do dia e a minha mãe, entre crises de choro, gritava que Augusto era o assassino.

No enterro, a realidade foi ainda mais amarga. Eu era o único dos filhos ali. O único para carregar o caixão, o único para sustentar o peso do sobrenome que ele tanto se orgulhava. O legado de um homem que viveu para passar por cima de todos: no fim, não restou ninguém, exceto a mulher sedada e uma mãe em choque.

Passei a viver entre dois mundos: passava o dia resolvendo as pendências do espólio e as investigações, e as noites na casa da minha avó, garantindo que as duas mulheres não desabassem por completo.

Mas havia o terceiro mundo. O meu apartamento. Onde Júlia me esperava e ainda um outro mundo, onde Camila estava.

A presença de Júlia tinha se transformado em culpa. Eu a abrigava sob o pretexto de proteção, mas a verdade era uma mancha na minha consciência: desde aquele beijo maldito, eu não conseguia olhar para ela direito, não queria alimentar novas esperanças, tinha que resolver aquela situação o mais rápido possível.

Evitava chegar cedo, evitava conversas longas. A culpa não era só pelo desejo; era pelo fato de que, no momento em que eu deveria ser o pilar da família, eu estava a ponto de desejar uma mulher que não deveria sequer estar ali.

Eu tinha retribuído o beijo. Tinha sentido cada fibra do meu corpo implorar por mais e, por um momento, esqueci tudo, o passado, o presente e o futuro. Meu corpo reconhecendo o corpo de Júlia, algo que eu julgava esquecido entre nós e que, por um instante, pareceu intensamente vivo.

Depois do enterro, só apareci em casa dois dias depois, exausto, esgotado de tudo.

O encontro de Júlia com a mãe precisou ser adiado por causa do enterro, e o olhar dela, quando entrei, estava carregado de mágoa.

Capítulo 17 1

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