"Camila"
A ligação do Fabricio tinha sido estranha, ainda mais porque ele queria falar comigo pessoalmente. Eu já tinha ouvido uma fofoca que um ricaço tinha comprado a Lush do Isaac o que por si só já era esquisito. Todo mundo sabia que tinha umas histórias estranhas sobre o Isaac e jamais imaginaria ele vendendo a Lush, o lugar era o reino dele.
Imaginei que o convite tivesse a ver com isso. E, movida pela curiosidade, ou talvez pela necessidade de encarar fantasmas, aceitei.
Agora estávamos sentados em um café discreto no centro, e Fabrício enrolava fazia quase cinco minutos.
— Fala logo, Fabrício — Perguntei logo sem paciência.
Ele ajeitou a postura.
— Eu fui promovido. O novo dono me colocou como gerente da Lush.
Eu sorri, sincera.
— Que ótimo. Você sempre garantiu que as coisas funcionassem lá dentro. Já fazia o trabalho de gerente há anos. Que bom que finalmente reconheceram isso.
— É… é ótimo mesmo.
Ele não parecia tão confortável quanto deveria.
— Fabrício, você está esquisito.
Ele suspirou.
— Eu queria te chamar para comandar o bar. Sua demissão foi injusta e eu sei que foi armação. Todo mundo sabe. E agora, com nova direção, é a oportunidade de fazer o certo. Esquecer aquele processo ridículo. A vaga é sua, se você quiser.
Voltar para a Lush. E para comandar o bar.
Por um segundo, meu coração disparou de felicidade. Eu tinha amado trabalhar ali. O bar era meu território. Eu tinha planos, ideias, sonhos.
Mas então a lembrança ainda era vida na minha mente. Saindo algemada, a polícia, os olhares das pessoas que eu via todos os dias, a sensação de estar nua diante de todos, era muita humilhação e retornar era aceitar essa humilhação.
— É incrível, de verdade… — minha voz saiu mais baixa do que eu gostaria. — Mas eu não posso aceitar. Não dá para simplesmente esquecer o que aconteceu, foi complicado, acabou comigo, só consegui um emprego, porque ainda tenho amigos.
— Eu imagino. Aquilo foi podre, mas agora está tudo diferente. Novo dono, novas diretrizes. Muita coisa vai mudar e para melhor, eu te garanto que ninguém acha que você fez alguma coisa, isso foi coisa do Isaac.
Eu o encarei curiosa.
— Aliás… quem é esse novo dono? A Carlinha me falou, mas não deu detalhes, fiquei curiosa para saber quem conseguiu convencer um cara como Isaac a fazer a venda.
Fabrício ficou vermelho. Literalmente vermelho, tomou um gole de água rápido demais.
— Ninguém especial. Só… um desses ricaços. Muito dinheiro, sabe?
Estranho.
— E como o Isaac vendeu? Sempre diziam que ele nunca venderia.
— Dinheiro. Pelo que eu soube, foi uma oferta grande, irrecusável.
Alguma coisa ali não fechava, mas não insisti.
— Então… o que você acha? — ele insistiu. — Quer voltar? Podemos falar de aumento. E você, como responsável pelo bar, pode até sugerir uma remodelagem no catálogo de bebidas.


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Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido