"Júlia"
A casa da minha mãe continuava igual. Até o portão ainda tinha a mesma cor.
Minha vontade era recusar aquele encontro, mas não tinha como. César ficaria chateado e, depois da nossa última discussão, eu não queria me indispor com ele outra vez, já tinha sido difícil o suficiente colocá-lo contra a parede.
Agora eu estava ali, com Adam no colo, forçando meu melhor sorriso e rezando para que a conversa terminasse o mais rápido possível.
Assim que saímos do carro, minha mãe abriu a porta. E ali estávamos nós, frente a frente outra vez, mais de dez anos depois.
Ela me olhou séria. Nenhum indício de emoção, nenhum gesto de saudade. Pelo jeito, o perdão não viria tão fácil e eu nem esperava nada diferente.
Adam estava acordado, observando tudo com seus olhinhos inquietos, enquanto minha mãe me analisou de cima a baixo enquanto entrávamos na casa. Continuava calada, com uma expressão tensa.
Sentei-me no sofá com meu filho no colo. Ele se mexeu, mas não chorou e sem dizer uma palavra, ela saiu e voltou com uma bandeja de café e bolo, era tipico da minha mãe, jamais deixar a visita sem alguma coisa para tomar ou beliscar.
— Oi, mãe — eu disse, dando o primeiro passo. Também era uma forma de mostrar para César que eu estava tentando.
Ele apenas observava a cena.
— Não esperava que fosse voltar um dia. Pelo que o César me contou, você conseguiu se meter em mais confusão ainda, falei para você que o vai volta, que aquele cara não prestava, mas o dinheiro falou mais alto.
— Mãe!
— Vamos tentar conversar, deixar o passado de lado — César interveio.
Minha mãe soltou um resmungo, tomou um gole de café e continuou:
— Tudo bem. Vamos falar sobre o futuro, mas antes preciso dizer algumas verdades.
— Pensei que a senhora já tivesse dito todas — Não consegui disfarçar a raiva, não tinha vontade de ficar remoendo o passado.
— Não falei o suficiente pelo jeito. O que você fez foi vergonhoso, falta de caráter. Tenho vergonha só de lembrar. Mas agora você é mãe… e espero que tenha mudado de verdade. Principalmente depois de tudo o que passou.
Engoli seco com vergonha de encarar César.
— Eu me arrependo. Não devia ter feito nada daquilo. Eu era jovem, boba… achei que não tinha escolha. Talvez a melhor escolha fosse ter ido embora. Eu achava que entendia as coisas… mas só me iludi. Estou tentando agora, mãe. A senhora tentou me avisar, tinha razão.
— Pelo menos isso — ela respondeu, seca. — E qual é o seu plano a partir de agora? Não pode ficar eternamente na aba do César.
— Claro que não. Agora ainda não consigo, o Adam é muito pequeno. Mas, em breve, vou trabalhar, me sustentar, me reerguer. Eu tinha um negócio antes… posso fazer a mesma coisa aqui.
Eu conhecia minha mãe bem demais. Pelo olhar dela, dava para perceber que não acreditava em uma palavra do que eu dizia. E, quando ela desviou os olhos para César, tive certeza de que queria convencê-lo de que eu estava mentindo.
— É verdade, eu juro.
— A Júlia tem se esforçado — César disse. — Quando fui encontrá-la, ela estava se virando. Eu acredito nela. E, como disse para a senhora, estou aqui para ajudar.
Minha mãe cruzou os braços.
— Tudo bem. Vamos dizer que tudo seja verdade. Vai pedir perdão? Pediu para o César pelo menos? Ou só se arrependeu porquê deu tudo errado?
— Sim, mãe. Eu peço perdão por tudo o que fiz a senhora passar… e pelo que fiz com o César. Estou arrependida.
Ela ficou em silêncio por alguns segundos.


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Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido