Capítulo 14 — O Sol de San Diego
Victoria Clark
O beijo não foi apenas um toque de lábios; foi um blecaute total nos meus sentidos. Enquanto o jato subia rasgando as nuvens, a boca de Adrian contra a minha apagou o pavor da decolagem, o barulho dos motores e até a gravidade.
Eu estava tão concentrada no calor dele que, quando o avião finalmente estabilizou em altitude de cruzeiro, demorei alguns segundos para perceber que já estávamos voando em linha reta.
Adrian se afastou devagar. A expressão dele, antes focada e intensa, transformou-se instantaneamente naquela máscara fria de CEO intocável, como se nada tivesse acontecido. Ele limpou a garganta, ajeitou os punhos da camisa e voltou a cruzar as pernas, como se nada tivesse acontecido.
Fiquei estática na poltrona, o coração batendo na altura do estômago. Minha pele ainda formigava e meus lábios ardiam com o toque dele. O que mais me irritava não era o fato de ele ter me beijado, mas a reação traidora do meu próprio corpo, que implorava para que ele não tivesse parado. Olhei para o vidro da janela, fingindo um interesse repentino pelas nuvens para que ele não visse o quanto eu estava confusa e afetada.
Uma hora e meia de voo passou em um silêncio carregado de eletricidade estática.
Assim que pousamos em San Diego, um carro executivo do próprio hotel já nos aguardava na pista particular. O trajeto até o resort de luxo foi rápido. Quando o veículo cruzou os portões da propriedade, não pude deixar de ficar impressionada com a opulência do lugar.
Coqueiros monumentais emolduravam uma arquitetura moderna que se fundia perfeitamente com a vista paradisíaca do oceano. Mas a minha admiração durou pouco. A ficha caiu de verdade quando paramos na recepção.
— Bem-vindos ao Pacific Horizon, Senhor e Senhora Foley — o recepcionista nos cumprimentou com um sorriso impecável, digitando algo no computador. — O Senhor Victor Foley pessoalmente ligou para confirmar os detalhes. A Suíte Presidencial Nupcial já está pronta para vocês.
Suíte nupcial. Senti um arrepio na espinha. Me aproximei de Adrian, fingindo ajustar a gola do seu paletó, e sussurrei entre os dentes:
— Dá um jeito nisso. Manda ele trocar de quarto. Pede duas suítes executivas.
Adrian sequer piscou, mantendo o sorriso social para o funcionário enquanto respondia no mesmo tom baixo e controlado para mim:
— Se eu fizer isso, o meu avô vai descobrir em menos de dez minutos. Henry está sob as ordens dele. Não vou arriscar o acordo por causa de uma cama.
Bufei, desviando o olhar. Eu odiava admitir, mas ele tinha razão. O velho Victor era astuto demais. Se déssemos um passo em falso agora, o teatro desmoronaria. Cedi em silêncio, pegando a chave que o recepcionista estendeu.
Um funcionário nos guiou até a suíte. Assim que a porta se abriu, ficou claro que o quarto realmente exalava romance por todos os cantos. Havia pétalas discretas, velas aromáticas apagadas e, bem no centro do espaço monumental, uma enorme cama King Size.
Adrian caminhou até a beirada do colchão. Meus olhos se arregalaram quando notei o que estava depositado ali. Uma lingerie vermelha, minúscula, de renda extremamente ousada. Adrian a segurou pela alça fina de cetim e virou-se para mim, um sorriso nitidamente debochado brincando nos lábios.
— O vovô realmente está empenhado em fazer esse casamento dar certo — ele provocou, erguendo a peça.
Senti meu rosto esquentar tanto que tive certeza de que estava combinando com a cor da renda. Dei passos largos até ele, arranquei a lingerie de sua mão e a joguei de volta na cama.
— Para de graça, Adrian — mandei, tentando manter a voz firme apesar do embaraço.
Ele soltou uma risada anasalada e olhou para o canto do quarto, onde as malas já haviam sido descarregadas, junto com a maleta preta do seu notebook. Adrian caminhou até ela, pegando o aparelho.
— Pelo menos o Henry fez o trabalho dele e mandou meu notebook — ele comentou, ligando o aparelho na tomada da bancada de trabalho.
Arregalei os olhos, incrédula.
— Você realmente vai trabalhar? Em San Diego?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Cláusula Proibida: O Amor Nunca Fez Parte Do Acordo