Capítulo 15 — Fora do Consórcio
Adrian Foley
O beijo que eu tinha roubado no jato ainda parecia arder nos meus lábios, como uma marca persistente que eu tentava, sem sucesso, ignorar. Durante o resto do voo, agi como se nada tivesse acontecido, mantendo os olhos focados na tela escura do meu celular e fingindo uma indiferença que eu estava longe de sentir.
Mas a verdade é que a vulnerabilidade dela tinha quebrado as minhas defesas. E quando chegamos ao resort, ver a lingerie vermelha e ousada que o meu avô havia deixado em cima da cama nupcial só serviu para piorar as coisas; minha mente traidora não parava de imaginá-la usando aquela maldita renda.
Foco, Adrian, ordenei a mim mesmo em pensamento.
Eu tinha uma holding para administrar e uma reunião por videoconferência crucial com o advogado que estava intermediando a compra de uma nova empresa para o grupo Foley. Ajeitei meu ambiente de trabalho na bancada do quarto, liguei o notebook que Henry havia enviado de forma providencial e ignorei Victoria por alguns minutos.
Mas, entre nós dois, a trégua nunca durava. Quando ela saiu do banheiro vestida daquela forma provocativa, tudo o que eu pretendia ignorar durante o final de semana inteiro desmoronou. O biquíni vermelho parecia moldado no corpo dela. Exigi saber onde ela ia daquele jeito, mas Victoria ignorou o meu chamado, me deu uma resposta debochada e saiu da suíte, me deixando falando sozinho.
— Senhor Foley? Está tudo bem? O senhor me ouve? — A voz do meu advogado através do alto-falante do notebook me puxou de volta à realidade.
Pisquei, forçando-me a focar na tela.
— Sim, Jonathan. Prossiga — respondi, pigarreando e tentando retomar a reunião.
Tentei, com todas as minhas forças, voltar a minha atenção para o que realmente importava: os números, as cláusulas de aquisição, os milhões de dólares em jogo. Mas foi uma batalha perdida. A imagem da Victoria naquele biquíni vermelho, com os fios de cabelo soltos emoldurando o rosto perfeito, invadia a minha mente sem pedir licença.
Com uma dificuldade absurda que eu nunca havia experimentado antes em toda a minha carreira profissional, consegui arrastar a reunião até o final.
Assim que encerrei a chamada, fechei a tela do notebook com um baque surdo. Peguei o celular e liguei direto para o Henry.
— Adrian? E aí, deu tudo cer...
— Que porra foi essa, Henry? — descarreguei, sem dar espaço para cumprimentos. — Você ajudou o meu avô pelas minhas costas de novo. Mandou minhas bagagens e meu notebook para San Diego sem me falar nada!
— Cara, o senhor Foley me encurralou! — Henry tentou se justificar do outro lado da linha, a voz vacilante. — Ele disse que se eu não ajudasse, ele me demitia e ainda cortava o meu bônus. O velho é implacável, você sabe disso. Eu só fiz o que precisava para sobreviver.
— Você trabalha para mim, Henry. Não para ele.
— Eu sei, eu sei… me desculpe, mas agora já foi.
— Já foi. — repeti com deboche. — Isso aqui está bem longe de acabar, está loucura está só começando. — Henry fez uma pausa, notando a respiração pesada do meu lado.
— Cara, eu já me desculpei. Mas me diz... toda essa irritação é só pelo que o seu avô fez ou aconteceu mais alguma coisa aí?
A pergunta dele foi o gatilho. Eu estava tão sufocado com os acontecimentos das últimas horas que as palavras simplesmente dispararam da minha boca, sem que eu conseguisse segurar.
— A Victoria simplesmente se recusou a me contar quem é o tal amigo com quem ela ia almoçar amanhã. Me disse somente que ele era um “amigo querido”. Que porra é essa? Desde quando mulheres tem “amigos queridos”.
— Talvez ele seja gay. — Henry disse com certa convicção, eu poderia me apegar a essa ideia, mas algo dentro de mim me dizia que era mais que isso.

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