Capítulo 16 — O Peso do Passado
Victoria
Eu ainda conseguia ouvir o eco da voz do Adrian ecoando no quarto enquanto o elevador descia em direção ao térreo. Um sorriso involuntário brincava nos meus lábios. Ver o grande e inabalável Adrian Foley perder a postura daquele jeito, afetado pelo biquíni vermelho e pela minha recusa em lhe dar explicações, tinha sido deliciosamente gratificante.
Ele achava que podia controlar cada aspecto da minha vida com aquele contrato, mas eu estava bem disposta a provar o contrário.
Assim que as portas do elevador se abriram no hall, segui direto para a área da piscina. O lugar era monumental, cercado por palmeiras e com uma arquitetura que exalava luxo. Caminhei até encontrar uma das espreguiçadeiras mais reservadas, localizada logo atrás do bar da praia. Deixei minha bolsa e a canga ali, tirei os chinelos e caminhei até a borda, mergulhando apenas os pés na água para sentir a temperatura agradável.
Estava distraída, absorvendo a beleza daquele lugar e a brisa leve do mar, quando me virei rápido demais para pegar minhas coisas e acabei esbarrando em um homem que vinha na minha direção.
Meu corpo desequilibrou, tombando perigosamente em direção à água da piscina. Antes que eu pudesse cair, duas mãos firmes me seguraram pela cintura, me puxando de volta para o piso firme.
— Meu Deus, me desculpe! — falei rapidamente, com o coração acelerado pelo susto.
— Está tudo bem — ele respondeu, com um sotaque inglês nítido e um sorriso simpático enquanto me soltava. — Você está bem? Não se machucou?
— Estou bem, sim. Obrigada pelo reflexo rápido, eu surtaria se tivesse caído. — respondi, sentindo um leve calor subir pelas minhas bochechas por conta do momento embaraçoso.
Ele deu um passo para trás, ajeitando os óculos escuros, e olhou ao redor antes de fixar os olhos em mim.
— Você está sozinha por aqui?
— Estou com o meu marido, em lua de mel — expliquei, soltando uma risada curta. — Mas ele tinha uma reunião importante de trabalho e ficou trancado no quarto. E eu, obviamente, não podia ficar presa lá dentro com esse sol maravilhoso aqui fora.
O homem sorriu, achando graça da minha honestidade.
— Você fez muito bem. Mas, quem trabalha em plena lua de mel?
— Adrian Foley — respondi o nome como se isso explicasse toda a obsessão por trabalho do mundo, e nós dois rimos juntos.
— Bom, eu sou o Will — ele se apresentou formalmente, estendendo a mão. — E para ser justo, o meu namorado, Augustus, também está aqui a trabalho. Estou esperando por ele agora. Então, acho que não posso julgar tanto assim o seu marido.
A conversa fluiu com uma facilidade impressionante. Will era britânico, extremamente bem-humorado e uma companhia leve. Nós pedimos alguns drinks ao barman e a tarde passou voando entre risadas e fofocas.
Em determinado momento, me deitei na espreguiçadeira enquanto ele se sentou na borda do estofado ao meu lado. Senti o efeito do álcool começar a subir suavemente e balancei o copo na direção dele.
— Acho melhor eu parar por aqui, Will. O drink está começando a subir.
Will soltou uma gargalhada, ajeitando o cabelo.
— Então pare, minha cara! Se não, a bebedeira vai estragar a sua lua de mel. E se o seu marido for o deus grego que você diz que é, você precisa estar bem acordada para aproveitar.
Soltei uma gargalhada alta com a provocação dele. Estávamos completamente perdidos no meio das nossas piadas quando uma voz grave, fria e extremamente sexy cortou o ar, transformando o clima leve em puro gelo:
— Posso saber o motivo de tanta alegria, querida?
Will se levantou imediatamente, virando-se para encarar o homem que havia acabado de projetar uma sombra robusta sobre nós. Olhei para cima e encarei o meu homem de ferro.
Adrian estava ali de pé, vestindo bermuda e camiseta, mas com a exata mesma expressão sombria de quando usava seus ternos de milhares de dólares.
— Querido! — falei, forçando um tom carregado de deboche. — O que está fazendo aqui fora? Achei que a sua reunião fosse importante demais para ser interrompida.
Pude ver o maxilar de Adrian se cerrar com tanta força que uma linha dura se formou em sua bochecha. Ele odiava o meu tom.
Antes que o confronto escalasse, o telefone de Will começou a tocar no bolso dele. Ele olhou para a tela e soltou um suspiro de alívio, percebendo a tensão palpável entre mim e o "deus grego" de terno invisível.
— Vic, vou ter que ir agora, o Augustus chegou. Mas nos vemos à noite? No luau do resort? — Will perguntou, ignorando a carranca de Adrian.
— Com certeza. Até mais tarde, Will — respondi, dando uma piscadinha amigável para ele.

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