Capítulo 17 — O Reverso do Controle
Adrian Foley
Ver Victoria rindo e se divertindo com aquele tal de Will tinha feito cada fibra do meu corpo entrar em alerta. A irritação imediata que senti ao notar a intimidade dos dois, combinando de se encontrar no luau à noite, quase me fez perder a cabeça.
Por isso, o alívio que me atingiu ao descobrir que o sujeito era gay foi absurdo, avassalador. Por um milésimo de segundo, cheguei a pensar que a teoria do Henry estava certa e que o tal do Lucas também pudesse ser.
Mas o alívio durou pouco. As provocações dela, o deboche explícito ao elogiar o amigo e a audácia de prender os braços ao redor do meu pescoço testaram o limite do meu autocontrole. Tomado por um impulso impaciente de repulsa, a soltei. Eu só não previ que ela perderia o equilíbrio e cairia direto na piscina.
— Para de brincadeira, Victoria! Saia logo daí — ordenei, dando um passo até a beirada.
Cruzei os braços, esperando que ela emergisse com alguma resposta afiada. Mas ela continuou se batendo, os movimentos ficando cada vez mais desordenados e fracos.
— Victoria! — chamei mais uma vez, a irritação começando a dar lugar a um incômodo estranho no meu peito.
Então, ela parou de se bater. O corpo dela simplesmente começou a afundar, estático.
Aquilo acendeu um alerta vermelho e violento na minha mente. Notei que algumas pessoas ao redor começavam a apontar e a se aproximar, percebendo que algo estava errado. O ar sumiu dos meus pulmões.
— VICTORIA! — gritei.
Não pensei em mais nada. Pulei na água de roupa e tudo. O resgate aconteceu sob uma urgência ensurdecedora. Submergi, agarrei o corpo dela pela cintura e a puxei para cima com força, nadando rapidamente até a borda mais próxima. Com a ajuda de dois hóspedes, consegui içá-la para fora e subi logo em seguida.
Victoria estava deitada de costas no piso de pedra, completamente desmaiada. A pele, antes corada pelo sol, parecia pálida.
— Victoria! Acorda! Victoria! — dei tapinhas leves no rosto dela, mas não houve resposta.
— Cara, ela não está respirando! — um dos hóspedes exclamou, tenso.
— Já estou chamando a equipe médica do resort! — o barman gritou ao fundo.
O pânico se instalou. Me ajoelhei ao lado dela, inclinei sua cabeça para trás e comecei o processo de respiração boca a boca, intercalando com as massagens cardíacas.
— Vamos, Victoria... Respira, porra! — bradei entre as tentativas.
Ela não respondia. Eu comecei a ficar desesperado, minhas mãos tremendo sem parar sobre o peito dela. O medo avassalador de perdê-la tomou conta de mim de um jeito que eu nunca havia experimentado antes.
Eu odiava perder. Odiava a simples possibilidade de não ter o controle sobre a situação. E, naquele segundo de puro terror, minha mente me arrastou violentamente para o passado. Para o dia em que perdi meus pais.
Naquele dia terrível, diante dos caixões, eu jurei a mim mesmo que nunca mais me apegaria a ninguém. Nunca mais me permitiria amar para não correr o risco de ter que dizer adeus novamente.
E agora, a garota que tinha entrado na minha vida por causa de um contrato idiota estava prestes a me fazer quebrar aquela promessa.
Victoria subitamente tossiu, expelindo a água que havia engolido, e puxou o ar com força, os olhos se abrindo em puro pânico.
Antes que ela pudesse processar o que estava acontecendo, eu a puxei para os meus braços, apertando-a contra o meu peito com uma força quase dolorosa. Enterrei o rosto em seu pescoço e depositei um beijo ali, sentindo meu próprio coração desacelerar.
Victoria desabou. Ela se agarrou à minha camiseta molhada com tanta força que os dedos dela tremiam, chorando baixinho. Aquele gesto me desmontou por completo.
— Como você está se sentindo? — perguntei, a voz rouca, afastando-me apenas o suficiente para olhar o rosto dela.
— Bem... — ela sussurrou, a voz fraca, ainda trêmula.
— Com licença, senhor. Somos da equipe de paramédicos. Preciso que se afaste para que possamos examiná-la — um homem de uniforme interveio, tocando meu ombro.
Relutante, e com o estômago revirado pela quebra do contato, eu me afastei e fiquei de pé, observando o médico do resort fazer os procedimentos padrão. Ele checou o pulso dela, os reflexos e colocou uma manta térmica sobre os seus ombros. Após alguns minutos, o médico se levantou e caminhou até mim.
— Foi um susto grande, senhor. Aparentemente ela está bem, os sinais vitais estão estáveis. Mas, como ela ficou cerca de dois minutos desacordada, o ideal seria levá-la ao hospital para um check-up mais detalhado e alguns exames.

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