Capítulo 18 — Fios de Confiança
Adrian Foley
Fiquei parado no batente da porta, a encarando por alguns segundos que pareceram uma eternidade. O eco do seu pedido “Adrian, fica... por favor”, reverberava no meu peito, quebrando a última barreira de resistência que eu tentava manter.
— Tudo bem — respondi, a voz saindo mais suave do que eu pretendia.
Caminhei a passos lentos pelo piso de mármore até a banheira e me sentei na borda larga de porcelana, logo atrás dela. Victoria ergueu os olhos castanhos para mim, avaliando as minhas roupas encharcadas que começavam a formar uma pequena poça no chão.
— É sério que você vai ficar sentado aí com essa roupa molhada? Tira isso — ela falou, tentando manter o tom firme, mas a voz ainda denunciava o cansaço.
Arqueei uma sobrancelha, deixando um canto dos meus lábios subir em um meio sorriso provocativo.
— Querendo me ver pelado, esposa?
Victoria franziu a testa e jogou um punhado de água morna na minha direção, acertando o meu braço.
— Claro que não! — ela bufou, irritada. — Só não quero que você pegue um resfriado em plena lua de mel e eu tenha que cuidar de um CEO ranzinzo.
Soltei uma risada curta, a primeira legítima em dias. Me levantei, levei as mãos à barra da camiseta e a puxei pela cabeça, a jogando no cesto de roupas sujas. Em seguida, desabotoei a bermuda e a tirei, ficando apenas de cueca box.
Pelo canto do olho, notei que ela me encarava fixamente, mas assim que virei o rosto na sua direção, Victoria desviou o olhar rapidamente, fitando a espuma da banheira com um interesse repentino.
Alcancei a toalha de banho pendurada no suporte, a enrolei na cintura com um nó firme e voltei a me sentar na beirada da banheira ao seu lado.
Aproximei minhas mãos da água morna, colhendo o líquido com as palmas e jogando com cuidado sobre os ombros tensos dela. Com movimentos calmos, levei os dedos até a nuca de Victoria, soltando o elástico que prendia seu cabelo, e comecei a jogar a água em sua cabeça, ajudando a tirar o cloro e os resquícios da piscina.
Victoria fechou os olhos e jogou a cabeça levemente para trás, entregando-se aos meus cuidados em um silêncio absoluto.
Aquilo mexeu com algo muito profundo dentro de mim. Eu nunca havia me imaginado cuidando de alguém daquela forma, com tanta delicadeza. Muito menos dela. Mas, naquele exato momento, o mundo lá fora parecia não existir. Aquilo parecia tão certo que eu simplesmente não queria sair dali.
Alguns minutos se passaram no mais completo silêncio, quebrado apenas pelo som sutil da água se movendo, até que ela respirou fundo.
— Obrigada... por me tirar da água — ela quebrou o silêncio, a voz baixa.
Soltei o ar que nem sabia que estava prendendo e olhei para as minhas próprias mãos submersas.
— Me desculpa... — falei em um tom baixo.
Victoria, que estava com a cabeça relaxada recebendo a água morna, endireitou a postura imediatamente. Ela abriu os olhos e virou-se para mim, os cílios ainda úmidos.
— Você está se desculpando? — ela perguntou, visivelmente confusa. — Pelo quê?
Tirei a mão da água, apoiando o antebraço no joelho, e mantive meus olhos fixos nos dela.
— Você caiu por minha causa. Se eu soubesse que você não sabia nadar, teria sido mais cuidadoso, não teria te soltado daquele jeito abrupto. E... me desculpe por ter achado que era só mais uma das suas provocações. Eu demorei para agir.
Minha voz saiu com uma vulnerabilidade que nem mesmo eu sabia ser capaz de projetar. Eu, Adrian Foley, estava me despindo de toda a minha armadura diante de uma garota que eu mal conhecia.
Ela deu um sorriso triste, sem nenhum humor, e desviou o olhar por um segundo.
— Não tinha como você saber, Adrian. Nós nos conhecemos há pouco mais de uma semana, e as nossas conversas sempre se resumem a brigas, cláusulas contratuais e ofensas, em vez de conversas de verdade. E sobre demorar... eu não te culpo. Nós dois passamos mais tempo tentando ferir o orgulho um do outro do que dizendo a verdade.
Sem conseguir conter o impulso que vinha direto do meu peito, estendi a mão e passei os dedos suavemente pelo rosto dela, afastando uma mecha úmida.
— Me desculpe mesmo assim — insisti, a voz baixa.
Victoria inclinou levemente a cabeça, encaixando o rosto na palma da minha mão, e um sorriso genuíno e doce surgiu em seus lábios.

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