Capítulo 19 — Linhas de Confiança
Victoria
Finalmente. Pela primeira vez desde que havíamos assinado aquele maldito contrato, Adrian e eu tínhamos tido uma conversa de verdade, e não uma briga cheia de farpas.
Mas a minha sensação de alívio durou bem pouco. Logo após eu me abrir completamente, expondo um dos meus traumas mais profundos e dolorosos, o cretino simplesmente se levantou e saiu do banheiro sem dizer uma única palavra.
— Mas que idiota... — resmunguei indignada, batendo com a mão na água da banheira. — Homem insensível, sem coração. Eu aqui me desmanchando e ele...
Minhas reclamações morreram na minha garganta quando a porta se abriu novamente. Adrian entrou vestindo roupas secas e caminhou até a borda da banheira, estendendo a mão direita para mim.
— Vamos — ele ordenou, com o tom firme.
Olhei para a palma da mão dele e depois para o seu rosto, completamente confusa.
— Aonde, Adrian?
Ele deu um meio sorriso de lado. Foi um gesto tão genuíno, tão desarmado, que por um milésimo de segundo eu até esqueci como se respirava.
— Vou ensinar a minha esposa a nadar.
Pisquei algumas vezes, processando a informação.
— Como é que é? Você? — Apontei o dedo indicador para o peito dele, incrédula. — Adrian Foley, o homem de ferro, o cara que me odeia, quer me ensinar a nadar? — Soltei uma risadinha nervosa, balançando a cabeça. — Você está brincando, né?
Adrian bufou, visivelmente irritado com a minha reação, mas manteve a mão estendida na minha direção.
— Primeiro: eu não te odeio, nós apenas tivemos um começo difícil. E segundo: eu não estou brincando. Vou te ensinar a nadar.
Sustentei o olhar dele, tentando ler o que se passava por trás daquela fachada imaculada.
— Por quê?
Ele soltou o ar pesadamente, desviando os olhos por um breve instante enquanto parecia buscar as palavras certas.
— Porque você não sabe. Porque estou com tempo livre e porque... — Ele fez uma pausa dramática. Fiquei ali, esperando com uma expectativa boba que meu coração chegava a martelar no peito. — E porque o vovô vai gostar de saber que fizemos algo assim na nossa lua de mel.
As palavras dele me atingiram em cheio, mas não de uma forma positiva. Um gosto amargo subiu pela minha boca. Por um segundo ridículo, cheguei a pensar que ele estivesse fazendo aquilo por mim. Por nós. Mas é claro que não. Era pelo avô. Pela bendita holding e pela herança que ele tanto desejava proteger.
Estendi minha mão e segurei a dele, forçando um sorriso plástico.
— Claro. Pelo vovô.
A minha voz saiu em um tom baixo e murcho, nitidamente triste. Adrian percebeu a mudança de humor no mesmo instante. Ele fechou os dedos ao redor da minha mão e me puxou para cima com tudo, me fazendo ficar de pé dentro da banheira.
— O que foi? — ele perguntou, estreitando os olhos.
Soltei minha mão do aperto dele com um puxão firme, peguei a toalha de banho que estava na borda e me enrolei nela, saindo da banheira antes de responder.
— Nada. Mas não precisa me ensinar de verdade, Adrian. Podemos apenas tirar algumas fotos perto da água para mandar para o vovô e fica tudo por isso mesmo. Não precisa se dar ao trabalho.
Comecei a caminhar em direção à porta, mas antes que eu pudesse dar o terceiro passo, senti o braço forte dele envolver a minha cintura com precisão, me puxando para trás em um tranco firme até que as minhas costas batessem direto contra o peito dele.
— Victoria... — ele começou, a voz grave vibrando contra as minhas costas.
Não o deixei terminar. Girei o corpo no aperto dele, ficando de frente, embora colada ao seu peito.
— Está tudo bem, Adrian, é sério. Não precisa fazer isso por obrigação — cruzei os braços sobre a toalha e virei o rosto para o lado, me recusando a encará-lo.
Senti o toque quente e firme dos dedos dele no meu queixo. Com uma pressão sutil, ele virou o meu rosto, me obrigando a olhar diretamente nos seus olhos. O polegar dele subiu de leve, acariciando a minha bochecha com uma delicadeza que quase me fez fraquejar.
— Você disse que não tinha quem te ensinasse. E eu estou aqui, disposto a ensinar. Não vamos criar um problema onde não existe.
A proximidade, o calor do corpo dele e a insistência silenciosa naquele olhar me venceram. Soltei um suspiro derrotado.
— Tudo bem.
Adrian deu um leve sorriso de satisfação, soltando o meu queixo.
— Ótimo. Agora vá se trocar.
Olhei para ele, totalmente confusa, e depois para baixo, apontando para o biquíni vermelho que ainda aparecia sob as dobras da toalha.

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