Capítulo 20 — A Linha Entre o Controle e o Desejo
Adrian Foley
Eu fui um covarde. Quando disse a Victoria que estava fazendo aquilo pelo meu avô, menti. Eu sabia o que o velho Victor diria, sabia que ele bateria no meu ombro orgulhoso, mas a verdade era bem mais incômoda: eu odiei vê-la chorar.
Odiei saber que ela guardava aquela solidão esmagadora desde os oito anos e que tinha enfrentado aquele trauma sem ninguém para segurar sua mão. Agora que eu estava aqui, a simples ideia de deixá-la se sentir sozinha de novo me dava um nó no estômago.
Mas por que eu simplesmente não tinha dito isso a ela? Por que fui orgulhoso o suficiente para deixá-la pensar que tudo não passava de mais uma obrigação contratual?
Caminhando pela área externa, louvei aos céus por aquela maldita piscina principal estar lotada. Ver o desconforto dela com a multidão foi o pretexto perfeito para nos isolarmos, mas no fundo, eu sabia que a verdade era outra: eu odiaria ver outros homens encarando-a naquele biquíni vermelho.
Que merda era essa? Ciúmes? Não, claro que não. Era apenas zelo pelo meu sobrenome. Pelo menos era o que eu estava repetindo para mim mesmo até me convencer disso.
Mas quando entramos na área privativa, tudo melhorou, ou piorou de vez. Vê-la tão vulnerável nos meus braços, tremendo, e logo em seguida ouvir o seu sussurro sincero: “Eu acredito em você…” acendeu em mim o que eu passei os últimos dias tentando enterrar a todo custo. O meu desejo por ela.
Por isso… eu a beijei.
Victoria não recuou; pelo contrário, correspondeu na mesma intensidade, abrindo os lábios e me dando passagem. A apertei com mais força contra o meu corpo, sentindo a textura da sua pele molhada, e fui caminhando com ela pela água até que suas costas encostassem na borda de pedra da piscina.
Suas mãos subiram para o meu cabelo, agarrando os fios, me puxando para mais perto. Desci meus lábios pelo maxilar dela, trilhando um caminho torturantemente lento até o seu pescoço. Victoria jogou a cabeça para trás, soltando um suspiro sôfrego, um convite silencioso para que eu continuasse.
E foi exatamente o que fiz. Pressionei meu corpo contra o dela, me roçando ali sem pressa, a ouvindo gemer baixinho ao sentir o efeito devastador que causava em mim.
— Adrian... — o meu nome escapou dos lábios dela como uma súplica.
Eu a queria ali. Naquela piscina, sob aquele sol, sem me importar com o contrato, com o passado ou com as regras. Voltei a colar minha boca na dela, sussurrando contra os seus lábios entre beijos curtos:
— Só fala que sim... Só me diz que quer, que eu te tomo aqui e agora.
Victoria separou a boca da minha devagar, mas não se afastou. Encostou a testa na minha, ambos com a respiração completamente desregulada, o peito subindo e descendo. Ela ergueu a mão, acariciando a linha do meu maxilar antes de falar, com um sorriso provocativo surgindo nos lábios:
— Se era isso que você queria fazer, devíamos ter ficado no quarto.
Sorri, incapaz de conter a satisfação, e lhe dei um selinho demorado.
— Bem, eu quero fazer isso com você desde o segundo em que te reencontrei naquele hospital.
Victoria soltou uma risada gostosa, que ecoou pelas paredes de pedra da área privativa.
— Tenho que te dizer que você foi péssimo em demonstrar isso até agora.
Soltei o ar pelo nariz, a olhando fixamente.
— Eu sou péssimo em muita coisa, Vic. Mas nisso aqui... — Pressionei meu quadril contra o dela mais uma vez, a fazendo arquejar. — Eu sou ótimo.
Ela me encarou com uma faísca no olhar, aquela expressão cínica que eu já tinha aprendido a decifrar e que, eu sabia bem, significava que eu não ia gostar do que viria a seguir.
— Não posso negar que o seu empenho foi bom naquela noite — ela comentou, pretensiosa.
— Bom? — repeti, cerrando os olhos.

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