Capítulo 21 — Prazo de Validade
Victoria Clark
Como era possível? Como um homem que eu havia jurado para mim mesma odiar por toda a eternidade, agora ser o cara que eu mais desejava e mais queria por perto?
Era uma contradição assustadora. No entanto, o magnetismo de Adrian Foley me puxava com uma força que eu já não conseguia combater. Provocá-lo, ver as rachaduras na sua armadura de ferro, era deliciosamente satisfatório.
Sob aquela fachada inabalável de CEO implacável, existia um homem capaz de compartilhar comigo momentos incríveis. Um homem que tinha me segurado quando o meu mundo parecia prestes a afundar.
— Vou pegar o celular na bolsa — comentei, oferecendo a ele um sorriso genuíno que há muito tempo eu não dava a ninguém. — Precisamos tirar aquelas fotos para o vovô ver que estamos nos divertindo.
Adrian assentiu, ajeitando o cabelo molhado para trás.
— Tudo bem.
Com firmeza e uma coragem que eu nem sabia que possuía, nadei até a borda da piscina, do jeitinho exato que ele havia me ensinado. O medo não me paralisava mais; naquele momento, eu era apenas uma mulher que finalmente tinha aprendido a vencer os próprios fantasmas.
Subi os degraus de pedra em direção à espreguiçadeira e, antes mesmo de chegar até a bolsa, o som do celular tocando ecoou pelo espaço reservado. Corri até o aparelho, o coração dando um salto de expectativa na esperança de ser o vovô com notícias sobre a alta da tia Marie.
Mas assim que deslizei os olhos pela tela, um sorriso imenso, que mal coube no meu rosto, desenhou-se nos meus lábios. Atendi de imediato, a voz transbordando empolgação:
— Lucas!
— Como vai a minha princesa? — A voz dele veio do outro lado da linha, rouca e alegre como sempre.
Me acomodei na borda da espreguiçadeira antes de responder, sentindo o calor do sol na pele.
— Estou bem, príncipe.
Nós dois rimos juntos, uma risada cúmplice de quem compartilhava anos de confidências. Pelo canto do olho, notei Adrian saindo da piscina. A água escorria pelos músculos definidos do seu peito, mas decidi não interromper a ligação. Continuei focada no meu amigo.
— E aí? Como estão as coisas? O tal casamento já aconteceu? — Lucas perguntou, o tom misturando curiosidade e uma preocupação nítida.
Soltei uma risada curta, olhando para os meus próprios pés.
— Sim, hoje de manhã. Mas você sabe que é só um contrato.
Ouvi um bufo pesado vindo de onde Adrian estava. Levantei a cabeça no mesmo instante, procurando os olhos dele, mas ele desviou o olhar com rispidez, pegando a camiseta na espreguiçadeira ao lado.
A voz de Lucas ao telefone exigiu a minha atenção novamente:
— Vic, eu ainda não acredito que você se casou com um estranho sabendo que eu podia ter te ajudado. Eu teria pago de bom grado todas as contas do hospital da sua tia, você sabe disso.
Senti um aperto de gratidão, mas suspirei, balançando a cabeça.
— Eu jamais pediria algo assim para você, Lucas...
Eu estava tão imersa na conversa, tentando explicar as minhas razões, que só percebi o movimento ao redor quando Adrian já cruzava o batente da saída da área privativa.
Olhei confusa para as costas dele se afastando a passos largos. Levei a mão livre até o microfone do celular, tampando-o, e gritei:
— ADRIAN!
Ele me ignorou completamente, continuando a caminhar sem sequer olhar para trás.
— Lucas, preciso desligar. Te ligo mais tarde, tudo bem? Beijo — finalizei a chamada às pressas, sem esperar resposta.
Juntei minhas coisas na bolsa de praia com as mãos trêmulas e comecei a correr atrás do meu "marido". Saí da área reservada e passei pela piscina principal, que agora estava completamente lotada de hóspedes.
Meus olhos varreram a multidão, mas a silhueta imponente do Adrian parecia ter evaporado. Parei no meio do caminho, frustrada e com a respiração arfante, soltando um murmúrio irritado:
— Onde aquele babaca foi?
— Falando sozinha? — um sussurro divertido perto do meu ouvido me fez dar um pequeno sobressalto.
Girei o corpo, já rindo ao reconhecer a figura esguia do britânico.
— Tenho esse péssimo hábito — admiti, ajeitando a alça da bolsa.
Will soltou uma risada, cruzando os braços.
— Não te julgo, também tenho. — rimos juntos. — Mas e então... sozinha de novo? — ele perguntou, arqueando uma sobrancelha com uma preocupação genuína.
Soltei o ar com força, olhando em direção aos elevadores do resort.
— Não estava até minutos atrás. Mas o meu deus grego simplesmente deu as costas e saiu andando enquanto eu estava ao telefone.

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