Capítulo 26 — Polaroides ao Luar
Adrian Foley
Ver Edgar Walton surgir do nada, bem no momento em que Victoria e eu havíamos decidido baixar as armas e curtir a lua de mel, foi como receber um banho de água congelada direto na espinha.
Mas ouvir Victoria rebater, os olhos castanhos faiscando de mágoa, imaginando que ser chamada de minha "acompanhante" significava ser rebaixada ao nível de uma garota de programa, foi o equivalente a correr completamente nu em pleno Pólo Norte.
Senti o ar faltar nos meus pulmões diante do tamanho do mal-entendido.
— Victoria, do que você está falando? — perguntei, a voz saindo mais exasperada do que eu pretendia.
— Você acabou de dizer com todas as letras que, se ele me abordasse, era para dizer que sou sua acompanhante neste final de semana! — ela rebateu, dando um passo para trás na areia, os braços cruzados sobre o peito como uma barreira intransponível.
Passei a mão pelos cabelos, bufando de pura frustração com a minha própria incapacidade de me comunicar direito com essa mulher.
— Acompanhante no sentido estrito e literal da palavra, Victoria! Alguém que está me fazendo companhia neste final de semana. Um encontro, nada formalizado ainda para o mercado. Eu quis dizer que não temos um compromisso público. Não que eu estou pagando você por sexo! Pelo amor de Deus!
Ela me encarou por alguns instantes longos. Seus olhos vasculharam o meu rosto, procurando qualquer vestígio de mentira ou cinismo.
Embora a raiva ainda estivesse ali, percebi que a humilhação recuou um pouco. Ela manteve os braços cruzados e inclinou a cabeça, soltando uma lufada de ar ácida.
— E você não teria outro nome menos problemático para usar, senhor Foley? Um rolo, uma ficante, uma namorada de mentira, sei lá... Acho que eu aceitaria até um "pega mas não se apega" vindo de você, mas acompanhante? Me faça o favor!
Victoria girou nos calcanhares, bufando, e começou a marchar em direção à multidão que se aglomerava ao redor da imensa fogueira do luau.
Não dei a ela mais do que dois passos de vantagem. Avancei rapidamente pela areia fofa, estendi o braço e a puxei de volta pela cintura, colando o corpo dela ao meu.
— Me solta, Adrian! — ela sibilou em um tom seco, embora não tenha lutado contra o meu aperto.
— Eu disse que ficaria a noite inteira ao seu lado — falei, a voz colada ao seu ouvido, mantendo-a firme contra mim.
Victoria virou um pouco o rosto por cima do ombro, sustentando um olhar melancólico que me deu um aperto incômodo no peito.
— Você também disse que seria meu marido neste final de semana... — ela soltou um suspiro pesado antes de concluir: — E que coisa, né? Parece que não vai rolar.
Ela voltou a bufar e apertou o nó dos braços. Encostei o meu queixo no ombro dela, deixando que o aroma do seu cabelo me acalmasse, e sussurrei:
— Me dá um minuto para pensar, Vic. Eu não planejei nada disso. Não planejei esta lua de mel, não planejei a minha decisão repentina de querer curti-la de verdade com você e muito menos planejei ser visto por um acionista bisbilhoteiro aqui.
Minhas palavras pareceram amolecer as defesas dela. Senti a rigidez muscular do seu corpo relaxar gradativamente contra o meu peito. Deixei um beijo demorado e terno na curva do seu pescoço antes de virá-la de frente para mim, mantendo minhas mãos espalmadas na sua cintura.
— Faremos assim... — afastei com cuidado alguns fios de cabelo que o vento teimava em jogar sobre o rosto dela. — Para o Edgar, nós somos um casal, mas um casal que ainda não se oficializou para a mídia. Estamos nos conhecendo, saindo juntos. Na segunda-feira de manhã, ele com certeza vai tentar sondar isso dentro da holding, mas até lá eu já terei pensado em uma estratégia melhor para me blindar.
Encostei a minha testa na dela, sentindo a respiração morna dela se misturar à minha.
— Tudo bem assim para você?
Victoria me olhou por mais um segundo e assentiu com a cabeça em um gesto sutil. Não esperei. Inclinei o rosto e a beijei, um beijo lento, denso e profundo que selou a nossa trégua ali mesmo, sob o luar de San Diego.
Quando o beijo terminou, segurei a mão dela, entrelaçando nossos dedos, e seguimos juntos em direção ao calor da fogueira.
— VIC!! — uma voz masculina e escandalosa gritou no meio do burburinho da música.
Giramos os dois na direção do som e vi o tal do Will se esquivando entre alguns hóspedes. Assim que o britânico se aproximou, ele praticamente arrancou a mão de Victoria da minha e a puxou para um abraço caloroso.
— Vocês demoraram uma eternidade! — Will exclamou, soltando-a com um sorriso radiante. — Achei genuinamente que teria que ir até o quarto de vocês e esmurrar a porta para te trazer para a festa.
Victoria se soltou do abraço, ajeitando o vestido curto que me causava acessos de possessividade silenciosa, e me lançou um olhar terrivelmente provocativo.
— Alguém me atrasou... — ela comentou, descarada.
Dei uma piscadinha cúmplice para ela, aceitando o jogo.
Will soltou uma gargalhada e olhou para mim, erguendo as mãos em sinal de paz.
— Ah, eu não julgo! Afinal de contas, vocês estão em uma lua de mel. Por isso... aproveitem ao máximo.
Nós três rimos do comentário, e logo em seguida um homem loiro, de porte elegante, se aproximou do nosso círculo. Will abriu um sorriso ainda maior, segurando a mão do recém-chegado e puxando-o para mais perto.
— Gente, este é o meu namorado, Augustus.
Nós nos cumprimentamos formalmente. Augustus provou-se um homem educado e de postura firme. Pouco tempo depois, quando a música mudou para um ritmo mais animado, Will e Victoria começaram a se mexer, claramente querendo ir para a pista improvisada na areia.
Eles tentaram arrastar a mim e ao Augustus, mas nós dois recusamos o convite no mesmo instante. Prontamente, Augustus sugeriu que os dois fossem dançar juntos enquanto nós, os parceiros ranzinzas, ficávamos observando de longe com alguns drinks.
Will aceitou a proposta na hora, pegando Victoria pelo braço. Antes de se afastar, ela deu um passo na minha direção e me deu um selinho rápido. A segurei pela nuca, aprofundando o toque em um beijo possessivo antes de sussurrar bem perto dos seus lábios:
— Se comporte, senhora Foley.
Vic abriu um sorriso, os olhos brilhando com aquela faísca de deboche que eu estava começando a adorar.
— Eu sempre me comporto, senhor Foley.
Depois, ela e o Will saíram rindo em direção ao centro do luau.

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