Capítulo 27 — O Retorno à Realidade
Victoria Clark
Se alguém me dissesse, há uma semana, que a minha lua de mel com o homem mais arrogante de São Francisco seria o melhor final de semana da minha vida, eu teria rido na cara da pessoa.
Mas a verdade é que esses dois dias em San Diego foram completamente diferentes de tudo o que imaginei. Na privacidade do resort, Adrian havia se mostrado exatamente como o homem intenso da nossa primeira noite, e não como o babaca frio que havia me confrontado na manhã seguinte.
Ele foi cuidadoso, protetor e me fez flutuar. E era justamente por isso que, agora, eu estava lutando arduamente para blindar o meu coração e não me apaixonar perdidamente por ele.
A noite de domingo chegou rápido demais, trazendo consigo o fim da nossa bolha de fantasia. A tortura em ter que voar de volta para São Francisco começaria em minutos. Eu estava em pé no hall do hotel, segurando a alça da minha bolsa enquanto esperava Adrian fechar a conta na recepção, quando vi Will e Augustus se aproximarem.
— Olha só quem encontramos por aqui antes da partida — Will anunciou com o seu habitual e um sorriso radiante.
Nós três começamos a conversar, e o clima de despedida logo se transformou em celebração. Augustus estava com os olhos brilhando de felicidade; ele me contou que Adrian havia conseguido uma excelente oportunidade para ele no departamento jurídico da Foley Enterprises.
Eles se mudariam para São Francisco em apenas duas semanas. Will e eu já estávamos radiantes, trocando ideias e planejando passar muito tempo juntos assim que eles se estabelecessem na cidade.
Adrian se aproximou do nosso grupo com passos firmes, ajeitando o relógio no pulso. Ele se despediu dos rapazes com um aperto de mão firme e olhou para o loiro.
— Aguardo você na holding em duas semanas, Augustus. Henry já vai deixar sua sala pronta.
— Obrigado, senhor Foley. Estarei lá — Augustus respondeu, grato.
Will deu um passo à frente e me puxou para um abraço apertado. Sentir o carinho dele e perceber que a viagem estava realmente acabando fez uma onda de emoção me atingir, e meus olhos marejaram.
Will se afastou um pouco, segurando meus ombros, e sorriu docemente.
— Ei, não chore. Estaremos juntos de novo em duas semanas, Vic. É logo ali.
Assenti com a cabeça, engolindo o nó na garganta. Cada casal seguiu o seu caminho em direção aos respectivos transportes.
Assim que Adrian e eu embarcamos no jato particular e nos acomodamos nas poltronas luxuosas, ele quebrou a distância. Inclinou o corpo na minha direção e sussurrou bem perto do meu ouvido, com aquela voz grave que me arrepiava inteira:
— O que você prefere para o voo... uma bebida? Ou eu?
Virei o rosto para encará-lo, deixando um sorriso surgir nos meus lábios.
— Mas que dúvida cruel, senhor Foley...
Nós dois rimos juntos, relaxados. Pelo sistema de som, o piloto anunciou os procedimentos de decolagem. Ao contrário do primeiro voo, não havia mais pânico em mim. Adrian segurou o meu rosto e me beijou de forma profunda e apaixonada enquanto a aeronave ganhava altitude.
Tudo parecia tão perfeito que, bem lá no fundo do meu peito, um medo sussurrou que tudo aquilo estava prestes a acabar.
E o medo estava certo.
Assim que desembarcamos em São Francisco, a realidade nos deu as boas-vindas na pista. O senhor Victor, com o seu terno impecável e bengala em mãos, nos esperava ao lado de um Henry sorridente.
Me aproximei e cumprimentei os dois. O avô de Adrian foi carinhoso e atencioso como sempre, me enchendo de abraços e perguntando se o neto havia se comportado.
Nós quatro seguimos no carro executivo até o prédio da cobertura de Adrian. Durante o trajeto, o senhor Victor começou a insistir que deveríamos nos mudar para a mansão da família, alegando que o espaço era muito melhor para um casal recém-casado.
— Vovô, nós já conversamos sobre isso — Adrian rebateu, o tom de voz recuperando aquela rigidez que eu não ouvia há dias. — Você sabe muito bem que a cobertura fica muito mais perto da sede da empresa. Facilita a minha rotina.
— Isso é uma tremenda bobagem, Adrian! A mansão tem uma estrutura muito melhor e...
Percebendo que os dois começariam uma daquelas discussões familiares intermináveis, decidi intervir antes que o clima azedasse.
— Vovô — chamei com uma voz doce, tocando de leve no braço dele. — O Adrian tem razão sobre a logística do trabalho, mas eu prometo que nós vamos almoçar com o senhor no próximo domingo. O que acha?
Adrian, captando o meu movimento, passou a mão pela minha cintura e depositou um beijo rápido na minha bochecha, concordando em encerrar o assunto.
— Viu só? A Victoria tem razão. Domingo estaremos lá.
O senhor Victor bateu palmas, dando uma risada satisfeita ao nos ver agindo como um casal apaixonado e em sintonia. Dei um sorriso terno para o velho, mas a alegria dele evaporou na frase seguinte:
— Tudo bem, eu encerro esse assunto por enquanto. Mas fiquem sabendo que, quando o meu bisneto nascer, eu não vou aceitar que o menino seja criado trancado em uma gaiola de vidro no topo de um prédio. Já tenho toda a estrutura da mansão preparada para quando isso acontecer!

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