Capítulo 32 — Trajes de Guerra
Victoria Clark
Eu estava me esforçando. Eu juro por Deus que estava me esforçando, e muito, para não me apaixonar perdidamente por esse cretino na minha frente. Mas a verdade é que Adrian Foley estava fazendo com que todo o meu empenho e as minhas barreiras de proteção fossem completamente inúteis.
Como blindar meu coração de um homem que oscilava o tempo todo entre ser um arrogante, prepotente e insuportável como o Tony Stark, se, no segundo seguinte, ele se transformar em um homem gentil, protetor e atencioso como o Clark Kent?
Era um puta de um golpe baixo atrás do outro.
Olhei para o diamante solitário de cinco quilates que agora reluzia no meu dedo anelar esquerdo e engoli em seco, sentindo o peso daquela joia absurda.
Puxei a minha mão da dele com cuidado, tentando recuperar um pouco do meu bom senso que parecia ter evaporado dentro daquela joia de luxo.
— Adrian, pare com isso. Isso é muito exagerado — sussurrei, olhando ao redor, com medo de que a vendedora ouvisse. — Um anel desse tamanho para uma mentira de escritório? É ridículo.
Adrian deu um passo à frente, estreitando o espaço entre nós. Sem se importar com as aparências na joalheria, ele envolveu o braço firme ao redor da minha cintura e me puxou contra o seu peito, me fitando com aqueles olhos azuis intensos antes de decretar:
— Não é exagero, Victoria. Esse é o anel perfeito para você. Apenas acredita em mim.
Prendi a respiração, desarmada pela convicção na voz dele. Assenti com um aceno sutil de cabeça, incapaz de formular uma resposta afiada. Logo em seguida, a vendedora retornou ao balcão com um sorriso que quase rasgava o seu rosto, entregou o cartão de crédito preto para Adrian e nos parabenizou calorosamente pelo noivado.
Dei um sorriso social e contido para a mulher, guardando o turbilhão que estava na minha cabeça, e saímos de mãos dadas da loja.
No entanto, o clima de romance de cinema durou exatamente até pisarmos no corredor de mármore do shopping. Adrian parou, soltou a minha mão e me mediu de cima a baixo com um olhar analítico e severamente crítico antes de falar:
— Agora nós precisamos de uma roupa adequada para você.
Parei abruptamente no meio do corredor, girando o corpo na direção dele, e o encarei com as mãos na cintura.
— E o que tem de errado com a minha roupa, se me permite saber?
Ele adotou a sua postura mais séria e corporativa.
— Tudo, Victoria. Ela é colada demais. Reveladora demais. E nós temos uma reunião de transição de diretoria em alguns minutos, um ambiente cheio de velhos tubarões do conselho que devoram mulheres lindas como você com os olhos. Eu não vou permitir isso.
Revirei os olhos de forma dramática, soltando uma bufada audível que ecoou pelo corredor.
— Sabe de uma coisa? Estou pensando seriamente em pedir demissão antes mesmo de começar a trabalhar. Não faz nem dez minutos que fui contratada e você já está tentando controlar o que eu visto.
Adrian deu um sorriso de canto, aquela expressão cínica que me dava vontade de esmurrá-lo.
— Se você quiser, eu farei a sua carta de demissão com o maior prazer do mundo, querida. Posso até acrescentar um bônus financeiro generoso de rescisão na sua conta.
Eu não pensei. Foi puramente instintivo. Fechei o punho e desferi um murro certeiro no braço musculoso dele.
— Ow! Ficou maluca, Victoria? — ele reclamou, dando um passo para trás e massageando o local com uma careta, embora houvesse um brilho divertido nos seus olhos.
Cruzei os braços, sustentando a minha melhor postura de mulher independente.
— Se você acha que eu vou desistir de trabalhar só porque você está jogando contra mim, senhor Foley, você está muito enganado. Fique sabendo que não existem apenas as suas empresas e filiais em São Francisco. Bares, lanchonetes e restaurantes por aí têm aos montes, e eu posso conseguir uma vaga de garçonete em qualquer um deles até o final da tarde.
Bufei irritada, desviando o olhar.
— Nem pense, nem por um segundo a voltar para um daqueles bares para ser garçonete.
— Quer apostar? — o desafiei. — Uma ligação senhor Foley, e em minutos arrumo um bar como aquele que nos conhecemos. Tá incomodado com meu jeans? Agora me imagine usando uma saia que não cobre nada, no meio daqueles idiotas bêbados? Consegue imaginar isso, senhor Foley?
— Victoria, não me provoca.
— Isso não é provocação, senhor Foley. É constatação. É eu provando que não é só você quem dá as cartas aqui. E aí? O que vai ser?
Adrian respirou fundo, passando a mão pelo rosto para tentar recuperar a paciência que eu parecia esgotar com uma facilidade impressionante.
— Tudo bem, nada de demissão — ele cedeu, a voz descendo um tom. — Mas a ideia de uma roupa nova nós vamos manter. Você vai estar inserida em um ambiente corporativo de alto padrão a partir de hoje, e jeans colado definitivamente não é adequado para o cargo de assistente pessoal do CEO.
Ele não me deu chances de rebater ou formular uma nova réplica. Adrian pegou a minha mão de volta com firmeza, entrelaçou os nossos dedos e me puxou pelo corredor do shopping.
Ele parou exatamente em frente à vitrine de uma grife de alta-costura feminina que exalava sofisticação.

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