Capítulo 33 — Me ajoelho diante dela…
Adrian Foley
Deixei Victoria imersa nas araras de grife sob os cuidados da vendedora e saí para o corredor movimentado do shopping, buscando a privacidade necessária para atender ao celular que vibrava insistentemente no meu bolso.
— Senhor, mudei a nossa primeira reunião de transição na nova filial para daqui a trinta minutos — a voz de Henry soou pragmática do outro lado da linha.
— Perfeito — respondi, ajeitando o punho da camisa. — A Victoria está terminando de escolher algumas roupas de trabalho e nós já nos encontramos com você na garagem subterrânea.
Houve um vácuo de silêncio na linha. Henry ficou mudo por um segundo inteiro, e eu, conhecendo os trejeitos do meu assistente e amigo de longa data, soube exatamente o que aquela pausa significava.
— Pergunta logo o que você quer, Henry. Desembucha — ordenei, soltando um suspiro impaciente.
Henry soltou um riso contido e audível pelo telefone.
— Cara... Fazer a Vic a sua assistente pessoal? Sério isso, Ade? Por que você simplesmente não admite logo o que está sentindo por ela, assume o seu casamento de uma vez para o mercado e pronto?
Senti o meu estômago dar um nó. Voltei o olhar para a vitrine da loja, vigiando a entrada.
— Não é tão simples assim, Henry. Você sabe muito bem.
— Cara, quem está complicando o que deveria ser fácil é você — Henry rebateu, o tom mudando para uma insistência amigável. — É visível para qualquer um com meio neurônio funcional que ambos estão completamente a fim um do outro. O senhor Victor está radiante com essa união. Onde diabos está a complicação nisso tudo?
— Você sabe exatamente onde está — respondi, a minha voz descendo para um tom tenso.

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