Capítulo 34 — Palavras que cortam
Adrian Foley
Ouvi Henry soltar um suspiro derrotado do outro lado antes de falar
— Você quem sabe. Eu ainda acho que você poderia ter as duas coisas agora, o amor e os negócios, sem essa necessidade estúpida de esperar o amanhã.
— Não — rebati de forma decidida, a voz gélida e final. — Eu não vou arriscar tudo o que construí. Por enquanto, a Victoria é exatamente o que nós combinamos desde o começo: ela é a minha esposa por contrato, e nada mais.
No exato milésimo de segundo em que a última frase saiu da minha boca, um ruído sutil de passos atrás de mim me fez congelar.
Girei o corpo lentamente.
Victoria estava ali. Parada a poucos metros de mim, no meio do corredor. Ela estava deslumbrante, absolutamente linda. O conjunto de alfaiataria nude que eu imaginei que seria discreto e não revelaria nada, moldava o corpo dela com uma elegância que entregava absolutamente tudo.
Mas, naquele instante, não foram as roupas novas que prenderam a minha atenção. Foram os olhos dela. As íris castanhas brilhavam com uma camada espessa de lágrimas que ela lutava arduamente para não deixar rolar pelo rosto pálido.
O meu coração despencou nas costelas.
— Henry, já estamos saindo. Prepare o carro. — comandei de forma abrupta e desliguei a chamada sem esperar resposta, jogando o aparelho no bolso.
Caminhei na direção dela a passos rápidos, sentindo uma urgência estranha me sufocar. Me aproximei, peguei as sacolas de grife que ela carregava e tentei ler a sua expressão.
— Pegou tudo o que precisa? — perguntei, a voz saindo mais baixa.
Victoria apenas assentiu com um aceno mecânico de cabeça, mantendo os lábios colados em uma linha fina.
— Tudo bem. Então vamos, o Henry já está nos esperando na garagem — estendi a minha mão livre na direção dela, oferecendo os meus dedos entrelaçados como havíamos feito antes.
Para o meu completo assombro, ela recuou o braço, rejeitando o meu toque de forma sutil, mas firme.
— Acho que nós já abusamos demais das aparências por hoje, Adrian — ela disse, e o tom de voz dela saiu baixo, firme e cortante. Não havia um pingo do calor ou da provocação debochada de minutos atrás. — Alguém do shopping pode nos ver juntos e o seu plano precioso em me esconder do mundo pode ruir.
A frieza daquelas palavras me atingiu como uma bofetada. O incômodo cresceu no meu peito, mas engoli a seco diante do rosto fechado dela.
— Ok. Então vamos.
Caminhamos lado a lado até o elevador e descemos para o estacionamento em um silêncio absoluto e sufocante. Assim que chegamos ao carro, Henry veio rapidamente na nossa direção, pegou as sacolas de roupas da minha mão e as acomodou no porta-malas.
Me aproximei da porta traseira e a abri para que Victoria entrasse. Mas, antes que ela pudesse deslizar para o banco, segurei o seu braço com delicadeza, impedindo-a por um segundo. Eu precisava entender aquela mudança drástica.
— Está tudo bem, Victoria? Aconteceu alguma coisa errada dentro da loja? Alguém te tratou mal?
Ela negou com a cabeça devagar, sem desviar os olhos dos meus.
— Não aconteceu nada, Adrian. A vendedora foi extremamente atenciosa comigo... Principalmente depois que eu usei isso aqui — ela estendeu a mão e me entregou de volta o meu cartão de crédito preto. — Obrigada pelas roupas novas. Pode pedir para o Henry descontar o valor total do meu primeiro pagamento na empresa, se você quiser.

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