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Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango ) romance Capítulo 606

~ BIANCA ~

— Minha família? — repeti, pega completamente de surpresa.

— É claro — disse Martina como se fosse a coisa mais óbvia do mundo, virando-se do fogão para me olhar diretamente. — Família reunida é família reunida. De ambas as partes. Aliás, você nunca falou muito sobre eles. Tem uma família grande? Só me lembro de você mencionar algo sobre um irmão...

— E primos — acrescentou Paola rapidamente. — Os que vieram buscá-la aquela vez.

Tentei conter o sorriso, sabendo exatamente por que Paola se lembraria tão claramente de Dante.

— Bem, sim — comecei, puxando uma cadeira e sentando à mesa grande de madeira enquanto escolhia cada palavra com extremo cuidado. — Minha família é bem grande, na verdade. Mas muito espalhada por aí. Metade italiana, metade brasileira, o que complica bastante as reuniões.

Bella tinha parado de comer seu pão com geleia, me olhando com aqueles olhos grandes cheios de curiosidade infantil.

— Meus primos, Dante e Mia, moram em Florença também, então a gente acaba estando junto com bastante frequência.

Frequência do tipo “eles trabalham nas salas ao lado” mas não podia falar isso.

— Meus pais são separados. Nunca foram casados, na verdade. Eu só... nasci. Foi uma daquelas situações onde as coisas simplesmente aconteceram e cada um seguiu seu caminho depois.

Vi Martina acenar com compreensão genuína, sem nenhum traço de julgamento em sua expressão. Isso me deu coragem para continuar.

— Minha mãe vive numa cidadezinha de praia na Versília, com o marido dela — expliquei, mexendo distraidamente na xícara de café que Martina tinha colocado na minha frente. — Nos vemos em algumas ocasiões especiais. Aniversários, Natal quando conseguimos coordenar. Mas não somos tão próximas quanto eu gostaria. A vida acabou levando cada uma para caminhos muito diferentes.

A parte sobre meu pai veio em seguida, e senti minha garganta apertar levemente.

Como exatamente eu contaria a verdade? Que ele estava preso? Que tinha tentado dar um golpe violento na própria família? Que tinha sequestrado minha cunhada Zoey e meu sobrinho Matteo?

Não. Definitivamente era muito melhor não entrar nesses detalhes sórdidos.

— Já meu pai está no Brasil — disse simplesmente, mantendo minha voz o mais neutra e casual possível. — Ele é pai do Christian também. Do meu irmão mais velho.

— Vocês têm apenas o mesmo pai então — observou Martina, claramente interessada na dinâmica familiar.

— Sim, exatamente — confirmei, sentindo-me em terreno um pouco mais seguro agora. — O Christian é alguns anos mais velho que eu. Meu irmão e eu, apesar de estarmos separados geograficamente com ele morando no Brasil, sempre fomos extremamente unidos. Ele mora lá com a Zoey, minha cunhada, e meu sobrinho Matteo.

Fiz uma pausa, pensando se havia mais alguém relevante que deveria mencionar.

— E tem o nonno também, meu avô paterno — acrescentei. — Mas ele quase não sai mais da propriedade dele na Toscana. Um velho cabeça-dura, mas que é muito feliz! — Disse, provocando risadas.

— E tem mais alguém? — perguntou Paola, ainda organizando coisas na cozinha, mas claramente prestando atenção total na conversa.

Não pude concordar completamente com aquela afirmação generosa.

Sim, minha mãe definitivamente era maravilhosa. Tinha sido incrivelmente guerreira e forte em me criar completamente sozinha. Eu admitia e admirava isso profundamente.

Mas depois que fui finalmente arrastada para o mundo Bellucci, minha mãe tinha preferido deliberadamente não se envolver muito naquele universo novo. Ela já tinha se casado novamente, construído uma vida completamente diferente da minha nova realidade.

Já meu pai... bom, ele definitivamente não era uma boa pessoa. Nunca tinha sido. E cada ano que passava apenas confirmava isso repetidamente.

— Se eles não puderem vir por qualquer motivo — disse Nico, sua voz gentil me trazendo firmemente de volta ao momento presente — a gente faz questão de ser família por eles.

Olhei para ele. Para aqueles olhos verdes sinceros e honestos. Para o jeito como segurava minha mão como se fosse a coisa mais natural e importante do mundo.

Algo se apertou intensamente no meu peito. Bom desta vez. Quente e reconfortante.

— Vou ver o que consigo fazer — murmurei baixinho, já pensando na logística praticamente impossível.

Martina voltou animadamente para o fogão, pegando sua colher de pau favorita e voltando a mexer algo que cheirava absolutamente incrível.

— Então — disse ela com aquela energia característica de quem estava mentalmente planejando algo elaborado — sábado que vem?

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