~ BIANCA ~
O jantar aconteceu no espaço que tínhamos preparado para os jantares ao pôr do sol.
A mesa longa de madeira estava coberta com uma toalha de linho branco simples, decorada com arranjos pequenos de flores silvestres que Bella tinha ajudado a colher mais cedo. Velas em suportes de ferro fundido espalhadas estrategicamente, criando aquela iluminação suave e acolhedora quando o sol finalmente se pôs completamente.
Nada extravagante. Nada pretensioso. Apenas bonito de forma honesta e genuína.
Martina tinha superado a si mesma. A entrada foi uma seleção de antepasti tradicionais — queijos locais, presunto curado, azeitonas marinadas, pães crocantes ainda quentes. O prato principal foi ossobuco alla milanese com risotto açafrão, a carne tão macia que praticamente desmanchava no garfo.
— Meu Deus — disse Zoey depois da primeira garfada, fechando os olhos. — Martina, isso está divino. Sério. Melhor que muito restaurante que já fui.
Martina corou visivelmente, claramente encantada.
— É receita da minha avó — explicou com orgulho. — Passou de geração em geração. O segredo está no tempo de cozimento e nas ervas frescas do jardim.
Christian tomou um gole do vinho que Nico tinha escolhido da adega.
— Excelente harmonização — comentou. — Este Barolo complementa perfeitamente a riqueza do ossobuco.
Nico relaxou visivelmente com o elogio.
A conversa fluía naturalmente. Mia contava sobre Florença, sobre os melhores lugares escondidos que turistas nunca encontravam. Dante fazia piadas que deixavam até Paola escondendo sorrisos relutantes. Bella conversava animadamente com Zoey sobre brigadeiros e quando exatamente fariam juntas.
— Então — disse Nico em certo momento, se virando para Christian — Bianca mencionou que você mora no Brasil agora. O que te levou para tão longe?
Vi Christian hesitar apenas uma fração de segundo antes de responder.
— Trabalho principalmente — disse com aquele tom casual praticado. — Cuido dos negócios da família lá. Alguns investimentos. E, bem... ter conhecido a Zoey me fez querer ficar.
Dei uma cutucada discreta nele por baixo da mesa, enquanto Paola elogiava o italiano da Zoey e ela agradecia, rindo, dizendo que no começo mal conseguia pedir pão na padaria, mas vinha treinando.
Christian me olhou de soslaio mas manteve a expressão neutra.
Ele sabia exatamente por que eu o tinha cutucado. Para a família de Nico, só o fato do meu irmão morar no Brasil e poder vir para a Europa regularmente já o colocava em um patamar de vida confortável. Não precisavam imaginar além disso. Não precisavam saber sobre impérios vinícolas e fortunas de gerações.
— Deve ser fascinante — disse Martina interessada. — Brasil é tão diferente da Itália.
— É — concordou Zoey. — Mas tem semelhanças também. A importância da família. As refeições longas. A paixão por vinho e comida boa.
— E futebol — acrescentou Dante. — Não esqueça o futebol.
— Obviamente futebol — concordou Christian rindo.
— Papai — disse Bella de repente — conta aquela história engraçada para a tia Zoey!
Nico arregalou os olhos.
— Qual história, princesa?
— Aquela que a nonna sempre conta — especificou Bella. — Da galinha.
Martina já começou a rir antes mesmo de abrir a boca.
— Ah, essa é ótima — disse, se inclinando para a frente de maneira conspiratória. — Nico devia ter uns seis, sete anos. Tínhamos galinhas aqui na propriedade ainda. E, naquela semana, choveu sem parar. Temporal, vento, trovão…
— Mamma… — alertou Nico, já ficando vermelho.
— Deixa eu contar — insistiu Martina, divertidíssima. — Ele decidiu que as galinhas iam morrer de medo lá fora. Então, no meio da madrugada, pegou uma lanterna, saiu escondido de pijama e começou a carregar as galinhas pro quarto dele. Uma por uma.
Zoey já estava sorrindo, antecipando o desastre.
— Quando eu acordei com aquele barulho estranho, fui ver o que era — continuou Martina. — Abri a porta do quarto e encontrei doze galinhas empoleiradas em tudo: na cama, na cômoda, na cadeira… e o Nico tentando convencê-las a ficarem quietas porque “lá dentro era mais seguro”.
Mia levou a mão à boca, rindo.
— Não.
— Sim — confirmou Martina. — A casa inteira acordou. As galinhas entraram em pânico, começaram a voar, a derrubar tudo. Seu avô escorregou nas penas no corredor e quase quebrou o braço. E o Nico, no meio do caos, chorando e gritando que era culpa da gente porque ninguém se importava com o medo delas.
Bella gargalhou, batendo palmas.
— E vocês brigaram com ele? — perguntou, ainda rindo.
— Mentimos com convicção — concordou Christian. — Zoey, amor, você teria feito o mesmo.
— Absolutamente — concordou Zoey. — Mentiria com um sorriso no rosto.
A sobremesa veio em seguida. Martina tinha feito crostata de frutas vermelhas, a massa amanteigada e delicada, o recheio doce mas não enjoativo. Perfeita até para Bella que comeu duas fatias.
Christian se virou para Nico enquanto comíamos.
— Os vinhedos aqui são impressionantes — disse genuinamente. — Quantos hectares vocês trabalham?
— De vinha, uns cinco hectares só. Não somos grandes, mas somos teimosos. Mas o que sai daqui, eu garanto.
— Gostaria de conhecer melhor amanhã — disse Christian. — Se você tiver tempo para mostrar.
— Claro — concordou Nico, claramente satisfeito. — Seria um prazer. Posso mostrar todo o processo, da colheita ao engarrafamento.
— Perfeito — disse Christian.
Estava começando a relaxar finalmente. A noite estava indo bem. Melhor do que bem. Todos conversando naturalmente, rindo, se conhecendo de verdade.
Talvez tudo realmente fosse dar certo no final.
Foi quando ouvi.
— Desculpem pelo atraso.
A voz feminina cortou através das conversas sobrepostas.
— Foi difícil achar este lugar escondido.
Virei-me automaticamente.
Renata estava parada próxima ao arco de parreiras que marcava a entrada do espaço.
— Cheguei a tempo da sobremesa?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Me cobro el capitulo y no me deja leerlo....
Ja deu, né?! Quanto tempo mais a bandidagem vai se dar bem?! Ja nao ta mais colando essas artimanhas da Renata em juizo, nem a pau isso aconteceria no Brasil se do outro lado estivesse um pai e filha abandonados e uma familia poderosa como a da Bianca ... ja esta muito surreal essa narrativa....
Tudo q essa vaca da Renata faz da certo. Q ódio! Mulher ruim. Não vejo a hora dela se estrepar muito....
Gente pra comprar 200 moedas é 2 reais ou 2 dolares ? O simbolo ta ($)...
Essa Renata é repugnante! Affe...
Tem previsão pra sair o resto dos capítulos?...
Renata é a pior das vilãs até agora. Sem escrúpulo nenhum! Usar criança para fazer o mal, e pior… a própria filha… :’(...
Eu amo esse casal!!!! Que lindos!...
Parei no 636 e não consigo mais lê . Alguém pra me ajudar ? Como faço...
Algumas pessoas falaram que ela ainda está escrevendo o livro, eu até entendo essa parte, mas ela deveria só lançar um “episódio” com novos personagens qd tivesse condições de liberar alguns capítulos por dia. Acho que ela deve ter tirado férias ou aconteceu algo, mas seria de bom tom ela informar aos leitores. Qd acaba a história de um personagem ela sabe deixar um recadinho e pedir para passar para história seguinte, não era nada demais dar uma satisfação aos leitores....