~ NICOLÒ ~
Peguei duas bicicletas velhas do galpão na manhã seguinte. Christian tinha aceitado meu convite para conhecer os vinhedos de perto, e eu estava mais apreensivo do que gostaria de admitir.
Por mais que ele tivesse parecido um cara legal no jantar, ainda era o irmão mais velho e obviamente protetor de Bianca. E depois daquela confusão toda na noite anterior, com minha ex-esposa invadindo e criando aquele clima horrível, eu tinha medo da impressão que podia ter ficado.
Será que ele achava que minha vida era um caos? Que eu trazia problema demais para a irmã dele?
— Pronto? — perguntei, ajustando o guidão de uma delas.
Christian sorriu, pegando a outra bicicleta com facilidade.
— Sempre — comentou.
Descemos pela trilha de terra entre as fileiras de videiras, o sol da manhã ainda suave e agradável. O ar estava fresco, carregado com aquele cheiro característico de terra úmida e folhas verdes.
Christian pedalava ao meu lado, seus olhos percorrendo tudo com atenção genuína. Não era aquele olhar superficial de turista tirando foto.
— Sangiovese? — perguntou, mais como confirmação do que dúvida.
— Isso — respondi, impressionado que ele conseguisse identificar só olhando. — Praticamente tudo aqui é Sangiovese.
Ele parou a bicicleta, descendo para examinar mais de perto. Tocou as folhas, verificou os cachos ainda em formação, observou o espaçamento entre as plantas.
— O terroir aqui é interessante — comentou. — Solo calcário, boa drenagem… isso é ouro pra Sangiovese.
Fiquei surpreso com o nível de conhecimento técnico dele.
— Você realmente entende de vinhos — observei.
— Um pouco — disse modestamente.
Continuamos pedalando, descendo mais para as áreas mais antigas da propriedade. Christian fazia perguntas técnicas sobre poda, sobre irrigação, sobre manejo de pragas. Perguntas que demonstravam conhecimento profundo.
— Curioso — comentei eventualmente — a Bianca também entende bastante de vinhos. É algo de família ou algo assim?
Christian hesitou apenas uma fração de segundo antes de responder.
— É algo assim — disse de maneira simpática, mas claramente não querendo entrar mais em detalhes.
Achei que seria o fim daquele assunto. Mas depois de alguns minutos de silêncio confortável pedalando, ele resolveu acrescentar:
— Nosso avô tem uma propriedade na Toscana. Alguns vinhedos também. Nada muito fora do normal pra quem cresce no meio do campo por aqui.
Assenti, processando aquilo. Fazia sentido. Explicava o conhecimento, o interesse, a familiaridade com o tema.
Paramos em um ponto alto da propriedade, de onde dava para ver praticamente toda a extensão dos vinhedos. Christian desceu da bicicleta, olhando ao redor com aquela expressão pensativa.
— Você já pensou em certificação orgânica? — perguntou. — Com esse tamanho, seria viável. E o mercado paga bem melhor.
— Já — admiti. — Mas a conversão é cara. E se alguma coisa dá errado no meio do processo, eu fico sem safra e sem dinheiro.
Christian assentiu, sem parecer minimamente ofendido com minha sinceridade.
— Verdade. É um risco. Mas dá pra fazer por etapas — disse. — Começar com uma área pequena, testar, aprender. E ir documentando tudo, pra quando você quiser pedir a certificação oficial já ter meio caminho andado.
Passei a próxima meia hora ouvindo sugestões práticas e surpreendentemente úteis.
— Vocês fazem um bom trabalho aqui — comentou finalmente. — Ainda mais com recursos limitados. Pequenos ajustes de manejo e essa uva pode render bem mais.
Sorri, meio sem graça.
— Nossos vinhedos são simples — disse honestamente. — Mas carregam história. Minha mãe diz que essas terras são a alma da nossa família. Se a gente perde isso, perde tudo.
Engoli em seco, mas não voltei atrás.
— Mas, se a Bianca quiser ficar na minha vida, eu vou dar o máximo de mim para que ela tenha a vida que merece. Eu nunca vou deixar faltar o que eu posso dar de verdade. Respeito. Lealdade. Casa. Gente que se importa de verdade.
As palavras saíram mais sérias do que eu tinha planejado. Era para ser uma frase qualquer, uma garantia para o irmão ciumento. No fim, parecia mais um voto.
— Eu não me preocupo com a capacidade de ninguém "prover" para a minha irmã — ele disse, com aquela calma que é mais perigosa do que grito. — A Bianca é perfeitamente capaz de conquistar sozinha a vida que ela quer e merece. O que me preocupa é que, por algum motivo que eu ainda não entendi totalmente, a vida que ela quer agora é estar ao seu lado.
Senti o ar prender no peito.
Ele levantou a mão, num gesto de paz.
— E não me leve a mal. Eu gostei de você, de verdade. Dá para ver que você ama esse lugar. Ama a sua família. Ama a Bella. Isso conta muito — disse, como se estivesse dando um parecer final de alguém que pesa tudo na balança.
Relaxei um pouco os ombros, mas não o suficiente para ficar confortável. Não com aquela sensação de estar sendo examinado minuciosamente.
Foi então que ele sorriu. Não um sorriso simpático de foto. Foi um sorriso de quem está prestes a avisar que, apesar de gostar de você, não vai facilitar a sua vida.
— Mas… — acrescentou — se você partir o coração da minha irmã, Nicolò, eu vou fazer questão de ser o tipo de problema que você não quer ter.
Engoli em seco, mas não desviei o olhar.
— Fica tranquilo — respondi, mais sério do que tinha planejado. — Isso não vai acontecer. Se algum dia a Bianca chorar por minha causa, eu quero que seja porque a vida deu certo demais, não porque eu fui covarde.
Ele me encarou por um segundo, como se estivesse testando o peso das minhas palavras. Então um meio sorriso apareceu.
— Ótimo — disse, enfim. — Então a gente tem um acordo. Você cuida bem dela… e ganha um cunhado com quem pode contar pelo resto da vida.
Soltei o ar que nem tinha percebido que estava prendendo e ri, aliviado.
— Isso eu aceito sem ler as letras miúdas.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Me cobro el capitulo y no me deja leerlo....
Ja deu, né?! Quanto tempo mais a bandidagem vai se dar bem?! Ja nao ta mais colando essas artimanhas da Renata em juizo, nem a pau isso aconteceria no Brasil se do outro lado estivesse um pai e filha abandonados e uma familia poderosa como a da Bianca ... ja esta muito surreal essa narrativa....
Tudo q essa vaca da Renata faz da certo. Q ódio! Mulher ruim. Não vejo a hora dela se estrepar muito....
Gente pra comprar 200 moedas é 2 reais ou 2 dolares ? O simbolo ta ($)...
Essa Renata é repugnante! Affe...
Tem previsão pra sair o resto dos capítulos?...
Renata é a pior das vilãs até agora. Sem escrúpulo nenhum! Usar criança para fazer o mal, e pior… a própria filha… :’(...
Eu amo esse casal!!!! Que lindos!...
Parei no 636 e não consigo mais lê . Alguém pra me ajudar ? Como faço...
Algumas pessoas falaram que ela ainda está escrevendo o livro, eu até entendo essa parte, mas ela deveria só lançar um “episódio” com novos personagens qd tivesse condições de liberar alguns capítulos por dia. Acho que ela deve ter tirado férias ou aconteceu algo, mas seria de bom tom ela informar aos leitores. Qd acaba a história de um personagem ela sabe deixar um recadinho e pedir para passar para história seguinte, não era nada demais dar uma satisfação aos leitores....