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Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango ) romance Capítulo 617

~ BIANCA ~

— Repito: quem em sã consciência daria diamantes genuínos para uma criança de sete anos?

Mia estava sentada na poltrona ao lado da janela no meu quarto, ainda usando o vestido do jantar, mas com os sapatos jogados descuidadamente no chão. Zoey estava deitada de bruços na cama, apoiada nos cotovelos, me observando com aquela expressão divertida e levemente preocupada.

Eu tinha acabado de trocar o vestido por uma calça de moletom confortável e uma camiseta larga, sentindo finalmente que conseguia respirar direito depois da tensão sufocante do jantar.

— Em minha defesa — disse, me sentando na beirada da cama — eu não estava em sã consciência quando dei aquele colar para ela. Estava sem memória!

— Você estava sem cérebro, isso sim — retrucou Mia sem piedade. — Sério, Bia. Pega o colar daquela criança antes que descubram que é diamante de verdade. Antes que a Renata leve em um joalheiro e confirme que você está mentindo sobre absolutamente tudo.

— Eu não posso! — protestei, virando-me para encará-la com indignação. — Você viu como ela gosta! Viu como protegeu! É nosso colar da amizade! Ela me deu um também! Como eu vou simplesmente arrancar isso dela?

Mia bufou, jogando a cabeça para trás dramaticamente.

— Você também não se ajuda.

— Calma, calma — interveio Zoey. — É só mandar fazer realmente uma réplica perfeita. Quando a Bella não estiver vendo, você troca os pingentes. Simples. Fácil. Resolvido.

— Um pouco demorado — observou Mia com ceticismo evidente. — Se aquela louca levar em um joalheiro antes da réplica ficar pronta...

— Ela não vai levar — cortei com convicção que não sabia se realmente sentia. — O Nico não vai deixar. Ele deixou bem claro que ela ultrapassou todos os limites hoje.

Fiz uma pausa, me ajeitando melhor na cama, cruzando as pernas.

— E por falar em Nico — disse, olhando diretamente para Zoey — você que ainda não conhecia ele pessoalmente, o que achou? Dele? Da família toda?

Zoey sorriu, aquele sorriso genuíno e caloroso que sempre me fazia relaxar.

— Encantadores — disse honestamente. — A família toda. A Martina é um amor absoluto de pessoa. A Bella é adorável, mesmo assustada. A Paola é hilária com aquele sarcasmo todo. E o Nico... — fez uma pausa significativa — realmente dá para entender perfeitamente por que você se apaixonou pelo seu eremita das montanhas.

Senti meu rosto esquentar levemente.

— Mas? — perguntei, conhecendo-a bem demais.

Zoey arregalou os olhos com inocência exagerada e falsa.

— Como você sabe que tem um "mas"?

— Porque eu te conheço há tempo suficiente — respondi. — Então? Qual é o "mas"?

Zoey suspirou, se sentando direito na cama agora, sua expressão ficando mais séria.

— Eu sei perfeitamente — concordou. — E é exatamente por ter vindo de uma família humilde, da classe trabalhadora, que eu consigo entender o Nico completamente. As pessoas ricas com quem estamos acostumadas a lidar profissionalmente não estão nem aí para gente comum, Bia. Bancos fechando crédito sem consideração. Cobradores ameaçando famílias. Patrões explorando funcionários. Empresas pisoteando pequenos negócios sem nenhum remorso. Investidores destruindo comunidades inteiras em nome do lucro máximo.

Fez uma pausa, me olhando com seriedade.

— Então é muito, muito fácil para quem vive do outro lado achar que todos os ricos são exatamente assim. Cruéis. Insensíveis. Egoístas. Hoje eu sei que não é exatamente a verdade completa. Que existem nuances. Que existem pessoas boas e pessoas terríveis em todos os níveis econômicos. E é exatamente isso que você precisa mostrar para ele. Que o seu mundo... que o nosso mundo... é como qualquer outro. Tem pessoas do bem tentando fazer diferença positiva. E tem pessoas do mal pensando apenas em si mesmas. E que você, com absoluta certeza, é uma das mocinhas dessa história toda.

Ri, sentindo algo aquecendo no peito.

— É... talvez — concordei. — Eu só não sei exatamente por onde começar essa conversa. Ainda mais quando... tecnicamente... eu sou dona da propriedade dele sem ele saber.

Mia suspirou profundamente, se levantando da poltrona para vir se jogar na cama ao nosso lado.

— É... — disse, olhando para o teto também agora — quem disse que o amor é fácil?

Zoey e eu nos entreolhamos. E então, simultaneamente, ecoamos:

— Quem disse que o amor é fácil?

E as três caímos na gargalhada.

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