~ NICOLÒ ~
Naquela segunda-feira, eu deveria ter voltado cedo para Montepulciano.
Esse era o plano. Acordar, tomar um café rápido, pegar o carro e voltar pra vida real.
Em vez disso, eu estava sentado na cafeteria mais barata que encontrei num raio de três quadras do centro, encarando um cappuccino aguado e um croissant que claramente tinha conhecido dias melhores.
O celular estava apoiado na mesa, a tela aberta numa busca: “Bellucci Florença sede”.
Havia um endereço. Fotos do prédio. Matérias falando de expansão, exportação, prêmios. Eu passava o dedo pela tela como se aquilo fosse sobre outra galáxia, não sobre a família da mulher com quem eu tinha dividido um quarto minúsculo na pousada.
Suspirei.
Eu não tinha um plano perfeito. Tinha só uma sensação incômoda que não desgrudava desde o fim de semana: a de que, se eu ia mesmo tentar dividir a vida com uma Bellucci, precisava pelo menos tentar deixar a minha em um ponto em que eu não me sentisse um peso.
Não era sobre provar algo pra ela. Era sobre tentar provar alguma coisa pra mim mesmo.
O prédio da Bellucci ocupava quase metade do quarteirão. Vidro, linhas limpas, mármore no térreo. Não era espalhafatoso, mas tinha aquele tipo de presença que fazia você endireitar as costas sem perceber.
Parei por um segundo diante da porta giratória, respirando fundo.
Bianca trabalhava ali. Entrava e saía por aquele hall todos os dias, como se fosse a coisa mais normal do mundo.
Entrei.
O chão brilhava tanto que refletia as luzes do teto. A recepção era ampla, com um balcão longo, arranjos de flores e sofás onde algumas pessoas esperavam consultando o celular. Atrás do balcão, uma mulher de terninho impecável digitava no computador.
— Buongiorno — ela disse, profissional, assim que ergueu os olhos. — Em que posso ajudar?
— Eu gostaria de falar com o Christian Bellucci.
— O senhor tem horário agendado com o senhor Bellucci? — perguntou, já com a mão no mouse.
— Horário? — repeti, sentindo-me um idiota assim que a palavra saiu.
— Sim, senhor — ela respondeu, ainda formal. — Reuniões com o CEO são feitas apenas com horário previamente agendado. Posso verificar a agenda, se me disser seu nome e a empresa que representa.
Engoli em seco.
Empresa. Representa.
— Eu sou Nicolò Montesi — falei. — Ele me conhece.
Ela digitou algo, esperou, franziu levemente a testa.
— O senhor já esteve em reunião com ele antes? — insistiu.
— Não. Mas... ele me conhecer.
Ela fez um sorriso educado, que não chegou aos olhos.
— Entendo. Infelizmente, a agenda do senhor Bellucci está bastante comprometida hoje. Posso anotar seu contato para um possível encaixe antes de ele voltar para o Brasil, ou, se preferir, posso oferecer a opção de uma videoconferência em outra data.
— Eu preciso falar com ele hoje — insisti, sem elevar a voz, mas firme. — Vai ser rápido.
— Impossível, senhor — respondeu, e agora o “senhor” vinha um pouco mais duro.
— Diz pra ele que é o Nicolò — insisti. — Nicolò Montesi. Ele sabe quem eu sou.
Ela respirou fundo, já com menos paciência.
— Senhor Montesi, se o senhor desejar, posso fornecer os contatos do setor responsável para agendamento. Mas eu realmente vou precisar que o senhor…
Ela fez uma pausa, escolhendo as palavras mais educadas possíveis.
— …que o senhor se retire da área de recepção se não tiver um compromisso marcado.
O chão pareceu subir um centímetro sob meus pés. Não era que eu esperasse um tapete vermelho. Mas ser tratado como alguém atrapalhando o caminho era… desconfortável.
Assenti, sem discutir.
— Certo. Tudo bem.
Virei as costas e comecei a andar em direção à saída, sentindo o peso daquele lugar nas costas. Eu não tinha direito de estar irritado; as regras eram as mesmas pra todo mundo. Mas a sensação de inadequação martelava.
Foi então que ouvi meu nome.
— Nico?
Virei.
Dante estava parado ao lado da área de sofás, com uma pasta debaixo do braço e óculos escuros empurrados pro alto da cabeça.
— Dante — cumprimentei, surpreso. — Eu…
— Veio ver a Bianca? — ele perguntou, se aproximando com um sorriso.
— Não — respondi rápido demais. — Quer dizer, ela não sabe que eu vim. Eu… vim ver o Christian. Mas parece que ele não tem um horário.
Tentei manter o tom neutro, mas a frustração deve ter vazado.
Dante olhou pra recepcionista, depois pra mim, e começou a rir.
O elevador continuou subindo. Dante passou a mão pelos cabelos, pensativo.
— Ok. Gosto disso — falou. — Orgulho saudável. Melhor do que chegar aqui pedindo um cheque em branco. Se fosse isso, eu mesmo te jogava no Arno.
Não consegui deixar de sorrir.
— Reconfortante.
O elevador diminuiu a velocidade, depois parou com um sinal sonoro discreto. As portas se abriram para um corredor muito mais silencioso, com portas de madeira, quadros nas paredes e um carpete grosso como o da recepção da cobertura de Bianca.
Dante saiu primeiro. Eu o segui.
Algumas pessoas cumprimentaram Dante pelo nome, outras só com um aceno rápido de respeito. Ele se movia com a naturalidade de quem conhecia aquele andar desde sempre.
Parou diante de uma porta dupla, mais larga que as outras.
Virou-se pra mim antes de bater.
— Escuta — disse, sério pela primeira vez desde que me encontrara no lobby. — Lá dentro, ele não é só o Christian. Ele é o Christian Bellucci, CEO. Frio, lógico, inevitavelmente irritante.
— Parece… animador — murmurei.
Dante ignorou.
— Ele vai falar de números. Vai ser duro. Talvez te faça sentir que está apresentando um projeto de feira de ciências pra banca de doutorado — continuou. — Não leva pro lado pessoal. Essa é a forma dele cuidar dos negócios. A gente cuida de você de outro jeito depois.
Assenti, tentando ignorar o peso das próprias mãos.
— E, Nico… — ele acrescentou, já com a mão erguida para bater à porta.
— Sim?
Dante sorriu de lado.
— Por algum motivo completamente irracional, a minha prima escolheu você. Lembra disso quando ele começar a fazer cara de planilha. Faz bem pra autoestima.
Eu ri, nervoso.
Ele bateu duas vezes na porta e, sem esperar resposta, a abriu um pouco, espiando para dentro.
— Christian? — chamou, em tom casual. — Trouxe um problema interessante pra você hoje.
Olhei para o interior da sala apenas por um segundo, antes que Dante me desse um leve empurrão adiante.
E então eu estava lá dentro.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Me cobro el capitulo y no me deja leerlo....
Ja deu, né?! Quanto tempo mais a bandidagem vai se dar bem?! Ja nao ta mais colando essas artimanhas da Renata em juizo, nem a pau isso aconteceria no Brasil se do outro lado estivesse um pai e filha abandonados e uma familia poderosa como a da Bianca ... ja esta muito surreal essa narrativa....
Tudo q essa vaca da Renata faz da certo. Q ódio! Mulher ruim. Não vejo a hora dela se estrepar muito....
Gente pra comprar 200 moedas é 2 reais ou 2 dolares ? O simbolo ta ($)...
Essa Renata é repugnante! Affe...
Tem previsão pra sair o resto dos capítulos?...
Renata é a pior das vilãs até agora. Sem escrúpulo nenhum! Usar criança para fazer o mal, e pior… a própria filha… :’(...
Eu amo esse casal!!!! Que lindos!...
Parei no 636 e não consigo mais lê . Alguém pra me ajudar ? Como faço...
Algumas pessoas falaram que ela ainda está escrevendo o livro, eu até entendo essa parte, mas ela deveria só lançar um “episódio” com novos personagens qd tivesse condições de liberar alguns capítulos por dia. Acho que ela deve ter tirado férias ou aconteceu algo, mas seria de bom tom ela informar aos leitores. Qd acaba a história de um personagem ela sabe deixar um recadinho e pedir para passar para história seguinte, não era nada demais dar uma satisfação aos leitores....