~ NICOLÒ ~
O escritório do Christian era grande, mas não enorme. Mais comprido do que largo, uma parede inteira de vidro com vista para Florença e, no centro, uma mesa que parecia menos “trono” e mais “campo de batalha”. Notebook aberto, algumas pastas empilhadas, uma garrafa de água pela metade. Nada fora do lugar.
Ele estava em pé, ao lado da mesa, terminando uma conversa com duas pessoas de terno. Nem levantou a voz, só concluiu, seco:
— Mandem a projeção revisada até o final do dia. Sem maquiagem.
Os dois assentiram rápido, recolheram papéis e saíram. Uma assistente entrou, deixou outra pasta, saiu de novo. A porta se fechou. Ficamos só nós três: Christian, Dante e eu.
Christian finalmente se virou por completo.
Os olhos dele pousaram em mim por um segundo, avaliando, depois em Dante.
— Problema interessante, hein? — ele repetiu o que o primo tinha dito na porta.
Dante deu um meio sorriso.
— Prometo que é melhor do que muitos que você pega por e-mail.
Christian respirou fundo, como se aceitasse o fato de que a manhã dele tinha acabado de mudar de rumo.
— Certo — disse. — Pode deixar a bomba e sair, Dante.
— Com prazer — Dante respondeu. Deu um tapinha leve no meu ombro. — Boa sorte, quase primo.
E saiu, fechando a porta atrás de si.
O silêncio que ficou não era hostil. Era só… concentrado.
Christian voltou a me encarar. Não parecia bravo. Parecia só ocupado. E curioso.
— Se você está aqui — começou, caminhando até o lado da mesa — imagino que a Bianca tenha te contado quem é.
Assenti.
— Contou.
Uma expressão rápida — alívio? — passou pelo rosto dele. Bem rápida mesmo.
— Ótimo — disse, puxando uma cadeira de reunião e apontando pra outra. — Então posso pular a parte em que eu preciso fingir surpresa. Senta.
Sentei.
Ele também. Se inclinou um pouco pra frente, apoiando os cotovelos nos joelhos, as mãos entrelaçadas.
— E você veio me informar que vai terminar com a minha irmã — afirmou, com a mesma calma com que alguém perguntaria a previsão do tempo.
Eu pisquei.
— Talvez eu devesse — respondi, eventualmente. — Mas não vim fazer isso.
— Não? — ele ergueu uma sobrancelha.
— Não. Porque eu a amo.
Ele ficou alguns segundos me olhando. Não do jeito que mede alguém, mas do jeito que pesa uma frase.
— Certo — disse, por fim. — Então o que você quer?
Engoli em seco. Tinha repetido a resposta mentalmente desde a cafeteria, mas agora ela parecia grande demais.
— Me ajuda a colocar a Tenuta num nível em que eu não me sinta um peso na vida da sua irmã — falei, de uma vez. — Não com caridade. Com trabalho.
Alguma coisa mudou de leve na expressão dele. Os olhos desviaram por um segundo para a janela, depois voltaram para mim.
— Ok — disse. — E o que exatamente você tem em mente quando fala em “nível”?
Respirei fundo.
— Você sabe que temos qualidade — comecei. — Você provou nosso vinho. Viu a terra. Eu posso não ser um homem de números, mas sei fazer o que faço. Tenho amor pelo que faço.
Ele assentiu.
— Um bom número pra um produtor pequeno — reconheceu. — Mas uma gota no oceano pra nossa rede de distribuição. Se eu coloco Montesi em meia dúzia de restaurantes que já trabalham com a gente, você seca a produção em cinco minutos. E, no ano seguinte, se tiver geada, granizo ou qualquer imprevisto, você desaparece. Isso não é bom pra você, e não é bom pra mim.
Cruzei os braços, tentando não me encolher na cadeira.
— Nós poderíamos aumentar — argumentei. — Com investimento certo…
— Poderia — ele concordou. — Mas aí entra o segundo problema: estrutura.
Inclinou a cabeça.
— Quantos funcionários fixos você tem?
Respondi. Ele fez mais algumas perguntas rápidas. Sobre maquinário, capacidade de adega, linha de engarrafamento, logística de entrega.
Cada resposta parecia desenhar um gráfico invisível na cabeça dele.
— Isso não é uma crítica — disse, quando viu minha expressão fechar. — Pelo contrário. Para o tamanho que vocês têm, vocês fazem milagre.
Pausa.
— Mas milagre não escala. E marca premium precisa de escala mínima. Não dá pra entrar na mesma prateleira que a gente, do jeito que está hoje.
Fiquei em silêncio. As palavras começaram a se misturar na minha cabeça, virando uma massa de “não é suficiente”.
Christian me observou por um momento.
— Você entendeu o que eu quero dizer? — perguntou, por fim.
Senti a garganta apertar.
— Entendi — respondi. — Entendi que, na prática, você está dizendo que eu sou um fracasso e nunca vou estar à altura da sua irmã.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Me cobro el capitulo y no me deja leerlo....
Ja deu, né?! Quanto tempo mais a bandidagem vai se dar bem?! Ja nao ta mais colando essas artimanhas da Renata em juizo, nem a pau isso aconteceria no Brasil se do outro lado estivesse um pai e filha abandonados e uma familia poderosa como a da Bianca ... ja esta muito surreal essa narrativa....
Tudo q essa vaca da Renata faz da certo. Q ódio! Mulher ruim. Não vejo a hora dela se estrepar muito....
Gente pra comprar 200 moedas é 2 reais ou 2 dolares ? O simbolo ta ($)...
Essa Renata é repugnante! Affe...
Tem previsão pra sair o resto dos capítulos?...
Renata é a pior das vilãs até agora. Sem escrúpulo nenhum! Usar criança para fazer o mal, e pior… a própria filha… :’(...
Eu amo esse casal!!!! Que lindos!...
Parei no 636 e não consigo mais lê . Alguém pra me ajudar ? Como faço...
Algumas pessoas falaram que ela ainda está escrevendo o livro, eu até entendo essa parte, mas ela deveria só lançar um “episódio” com novos personagens qd tivesse condições de liberar alguns capítulos por dia. Acho que ela deve ter tirado férias ou aconteceu algo, mas seria de bom tom ela informar aos leitores. Qd acaba a história de um personagem ela sabe deixar um recadinho e pedir para passar para história seguinte, não era nada demais dar uma satisfação aos leitores....