~ NICOLÒ ~
Estava consertando a cerca próxima à área de barris quando ouvi o som distinto de um carro subindo pela estrada de terra da propriedade.
Não estava esperando ninguém hoje.
Larguei o martelo sobre a madeira velha, limpei as mãos sujas de graxa e terra no jeans já manchado e caminhei até a frente da Tenuta, franzindo a testa contra o sol forte da tarde.
O carro parou perto da entrada principal, levantando uma pequena nuvem de poeira que demorou a assentar.
Renata saiu do lado do motorista.
Senti minha mandíbula travar automaticamente. Os músculos do pescoço tensionando de forma involuntária.
— Você não deveria estar aqui — disse antes mesmo que ela conseguisse abrir a boca completamente.
Ela fechou a porta do carro com cuidado exagerado, ajeitou a bolsa no ombro com movimentos lentos.
Parecia... estranha. Diferente do normal. Nervosa, talvez? Hesitante? Não conseguia definir direito, mas algo estava claramente fora do padrão dela.
— Nico, eu preciso falar com você — começou, a voz saindo mais controlada e suave do que eu esperava dela.
— Não temos absolutamente nada para falar — cortei imediatamente, cruzando os braços sobre o peito. — Achei que tinha deixado isso perfeitamente claro quando te bloqueei em todos os lugares possíveis. E quando ignorei deliberadamente todas as suas tentativas patéticas de contato pelos últimos dias.
— Eu sei que você está bravo comigo...
— Bravo? — ri sem nenhum humor genuíno. — Bravo não é nem remotamente perto do que eu realmente sinto por você agora.
Ela respirou fundo, visivelmente se controlando. Como se estivesse segurando palavras na ponta da língua. Ponderando cuidadosamente algo importante.
O que já era suspeito por si só.
Renata nunca ponderava nada.
— Olha, eu entendo sua posição — disse eventualmente, escolhendo as palavras com cuidado incomum. — E talvez... talvez eu tenha exagerado. Com algumas coisas que disse. Com algumas ameaças.
Arqueei uma sobrancelha, genuinamente incrédulo.
Renata admitindo abertamente que exagerou? Que estava errada? Isso era completamente novo.
E imediatamente extremamente suspeito.
— O que você quer de verdade? — perguntei diretamente, sem rodeios. — Porque eu sei perfeitamente que não veio até aqui só para pedir desculpas educadamente.
Ela abriu a boca como se fosse responder imediatamente. Fechou sem emitir som. Pareceu debater internamente por alguns segundos longos e desconfortáveis.
Olhou para o chão de terra. Para o carro dela. Para a propriedade ao redor. Para literalmente qualquer lugar exceto diretamente para mim.
Suas mãos mexiam nervosamente na alça da bolsa.
— Escuta — começou finalmente, a voz saindo diferente agora. Menos controlada. Menos ensaiada. — Eu estava vindo para cá, de Florença... aconteceu um acidente grave.
Franzi a testa, confuso com o rumo do assunto.
— Um acidente?
— Sim — ela continuou mais rapidamente agora, as palavras saindo apressadas. — Um caminhão enorme... bateu em um carro menor. Ou na verdade acho que o carro bateu tentando desviar desesperadamente do caminhão, não tenho certeza. Foi absolutamente horrível de ver. Tinha ambulância, polícia, bombeiros, isolamento de área, tudo.
Fiquei parado esperando ela finalmente chegar ao ponto relevante dessa história toda.
— E? — provoquei quando ela pausou tempo demais sem continuar.
— Sai daqui imediatamente — ordenei com firmeza, apontando diretamente para o carro dela. — Agora.
Renata ficou parada por um momento longo e tenso, me encarando com uma expressão que misturava raiva e frustração.
— Tudo bem então — disse finalmente com voz controlada demais, virando-se lentamente para o carro. — Tudo bem, Nico. Eu vou embora como você quer.
Abriu a porta do motorista, jogou a bolsa sem cuidado no banco do passageiro.
Entrou. Fechou a porta com força.
Ligou o motor.
Por um segundo acreditei que ela simplesmente iria embora, se retirar sem tentar sair por cima como sempre fazia. Só por um segundo.
Mas então, ela abaixou o vidro da janela e me olhou diretamente com aquela expressão estranha e perigosa voltando ao rosto.
— Mas lembra-se bem disso, Nico — disse com voz casual demais para ser natural. — Eu tentei ser legal hoje. Com você e com ela. Dei uma chance. Avisei sobre o acidente. Tentei fazer a coisa moralmente certa pela primeira vez.
Fez uma pausa calculada, me encarando.
— Agora não vou tentar mais ser legal com nenhum de vocês dois. Vocês vão arcar com suas escolhas estúpidas.
Começou a dar ré lentamente.
E então parou novamente de forma abrupta.
Virou a cabeça, me olhando uma última vez através do vidro abaixado.
— A propósito, Nico — disse com voz perigosamente calma — Bianca Bellucci comprou sua dívida por 2,3 milhões de euros e é sua nova credora oficial. Parabéns!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Poxa autora, é interessante a gente disponibilizar os capítulos gratuitos mesmo já tendo acabado de postar a história... Não dá pra toda hora ficar comprando moedas pra ler....
Boa noite... Desde 6f que não liberam os capítulos... já está ficando cansativo.... affff...
Oi autoura Kayla Sango, sei que se despeciu e finalizou esses livros, mas quando sentir que deve, conte a história de Matheus e Mia e também Dante e Paloma, acho que nós como espectadores ficariamos muito gratos, principalmente quem acompanhou todos os livros até aqui. Estou com um gostinho de saudade já. Obrigada!...
Quem é Paloma, gente? Era pra ser a Paola, no caso?...
Pois é Simone Honorato, eu tbm fiquei super animada achando que leria 20 capítulos.Frustante mesmo...
Boa tarde, reparei que do capitulo 731 pulou para o capitulo 751 !!!! Me parece o FINAL !!!! É ISSO MESMO ? FRUSTANTE, PENSEI QUE LERIA 20 CA´PITULOS, E NADA, SOMENTE 01.!!...
Pelo amorrrrrrr desbloqueia esses capitulos!!!!!...
Paguei pelas moedas, e não foi desbloqueado! Afff...
O que houve porque parou de carregar capítulos?...
Gostaria de manifestar uma profunda insatisfação com vc autora, pois vc parou a história no capítulo 731 e nada de falar se foi o fim do livro ou se vai ter continuação Acho um desrespeito com os leitores q espera todo dia por um novo capítulo. Acho que seria o.minimo de respeito avisar q acabou....