~ NICOLÒ ~
O café que Dante me deu esfriou completamente na minha mão sem que eu tomasse um único gole.
Fiquei ali sentado, olhando para o líquido escuro e opaco, incapaz de fazer qualquer coisa além de esperar.
Esperar era tortura.
Cada minuto se arrastava como uma hora inteira. Cada segundo pesando como chumbo.
O relógio na parede marcava a passagem do tempo com tiques audíveis que pareciam deliberadamente projetados para enlouquecer.
Três horas.
Três horas desde que cheguei.
Quatro horas desde que Bianca entrou em cirurgia, segundo Christian.
Quanto tempo uma cirurgia deveria durar? Era normal demorar tanto? Ou significava complicações?
Ninguém falava muito.
Zoey tinha saído em algum momento para “fazer ligações”. Voltou com olhos vermelhos.
Mia continuava andando de um lado para o outro, incapaz de ficar parada.
Dante estava mergulhado no celular, digitando furiosamente, provavelmente gerenciando alguma crise corporativa que não podia esperar nem mesmo por isso. Ou apenas usando trabalho para se distrair.
Christian permanecia sentado, imóvel como estátua, olhando para parede oposta sem realmente ver nada.
Eu entendia perfeitamente.
Finalmente, após eternidade absoluta, a porta se abriu.
Um homem de jaleco branco entrou. Mais velho, cabelos grisalhos, expressão profissional, mas cansada.
Todos nos levantamos simultaneamente como se conectados por fio invisível.
— Família Bellucci? — perguntou desnecessariamente.
— Sim — Christian respondeu imediatamente, dando passo à frente. — Como ela está?
O médico olhou para cada um de nós rapidamente antes de focar em Christian.
— A cirurgia foi bem-sucedida dentro das circunstâncias — começou, e senti algo afrouxando levemente no meu peito. — Conseguimos estabilizar as hemorragias internas principais e reparar a fratura no braço esquerdo. Havia também traumatismo craniano significativo, mas felizmente sem sangramento cerebral detectável nos exames.
Fez uma pausa, respirando fundo.
— O estado dela é grave, mas estável no momento. Induzimos coma farmacológico para permitir que o corpo descanse e inicie o processo de recuperação sem estresse adicional. Vamos mantê-la assim por pelo menos quarenta e oito horas antes de considerar despertar gradual.
— Ela vai ficar bem? — a pergunta saiu da minha boca antes que pudesse controlar.
O médico me olhou com aquela expressão cuidadosa que profissionais de saúde desenvolvem.
— As próximas setenta e duas horas são críticas — disse honestamente. — Mas ela é jovem, saudável, e respondeu bem ao procedimento cirúrgico. Estou cautelosamente otimista.
Cautelosamente otimista.
Não era garantia. Mas era algo.
— Podemos vê-la? — Christian perguntou.
— Sim, mas vou permitir apenas um visitante inicialmente — respondeu o médico. — Por períodos curtos. Não queremos perturbar a paciente desnecessariamente mesmo estando inconsciente. O corpo precisa de tranquilidade para se recuperar.
— Entendo — Christian disse. — Posso ir agora?
— Claro. Me acompanhe.
Christian seguiu o médico para fora da sala.
A porta se fechou, deixando o resto de nós em silêncio pesado novamente.
Voltei a me sentar, as pernas repentinamente incapazes de me sustentar.
Grave, mas estável.
Coma induzido.
Setenta e duas horas críticas.
As palavras giravam na minha cabeça sem parar.
— Ela é forte — Zoey disse suavemente, mais para si mesma que para qualquer um. — Vai sair dessa.
Mia se sentou finalmente, enterrando rosto nas mãos.
Dante guardou o celular, encostando-se novamente na parede com suspiro longo.
Ficamos ali em silêncio carregado, cada um perdido nos próprios pensamentos e medos.
Me aproximei lentamente, como se movimento brusco pudesse machucá-la mais.
Puxei a cadeira ao lado da cama, me sentei pesadamente.
Peguei a mão dela com extremo cuidado. Estava fria. Inerte.
— Oi — sussurrei estupidamente, como se ela pudesse me ouvir. — Sou eu. Estou aqui.
Silêncio exceto pelos bipes rítmicos das máquinas.
— Vai ficar tudo bem — prometi, minha voz quebrando. — Você só precisa descansar agora. Não precisa se preocupar com absolutamente nada. Sua família está aqui. Zoey, Mia, Dante, Christian... todos esperando você acordar.
Apertei a mão dela levemente.
— Eu estou aqui também — continuei. — E não vou a lugar nenhum. Vou ficar até você abrir os olhos e me xingar por estar sendo dramático demais.
Tentei rir, mas saiu como algo quebrado e molhado.
— Por favor, volta para mim — pedi baixinho. — Por favor. Porque eu te amo. Te amo tanto. E só isso importa, entende? Nada mais importa. Não importa de onde você vem, quanto dinheiro você tem, quantas diferenças existem entre nossos mundos.
Passei o polegar suavemente sobre os dedos frios dela.
— Vamos lutar para vencer todas essas diferenças, juntos — prometi com convicção, por mais que acreditação nisso apenas em parte. — Eu prometo que vamos encontrar um jeito. Só... só volta para mim primeiro.
Fiquei ali sentado em silêncio, segurando a mão dela, ouvindo as máquinas respirarem por ela.
Mas mesmo naquele momento, mesmo com ela ali inconsciente e machucada, mesmo com meu coração partido em pedaços...
Uma vozinha insistente e irritante na parte de trás da minha cabeça não parava de sussurrar.
Se Renata tinha razão sobre o acidente...
Então talvez ela também tivesse razão sobre a outra coisa.
Sobre Bianca ter comprado minha dívida.
E quando ela acordasse — porque ela ia acordar, tinha que acordar — eu não sabia como íamos lidar com isso.
Com essa dúvida. Com essa mentira potencial entre nós.
Mas isso era problema para depois.
Agora, só precisava que ela abrisse os olhos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Poxa autora, é interessante a gente disponibilizar os capítulos gratuitos mesmo já tendo acabado de postar a história... Não dá pra toda hora ficar comprando moedas pra ler....
Boa noite... Desde 6f que não liberam os capítulos... já está ficando cansativo.... affff...
Oi autoura Kayla Sango, sei que se despeciu e finalizou esses livros, mas quando sentir que deve, conte a história de Matheus e Mia e também Dante e Paloma, acho que nós como espectadores ficariamos muito gratos, principalmente quem acompanhou todos os livros até aqui. Estou com um gostinho de saudade já. Obrigada!...
Quem é Paloma, gente? Era pra ser a Paola, no caso?...
Pois é Simone Honorato, eu tbm fiquei super animada achando que leria 20 capítulos.Frustante mesmo...
Boa tarde, reparei que do capitulo 731 pulou para o capitulo 751 !!!! Me parece o FINAL !!!! É ISSO MESMO ? FRUSTANTE, PENSEI QUE LERIA 20 CA´PITULOS, E NADA, SOMENTE 01.!!...
Pelo amorrrrrrr desbloqueia esses capitulos!!!!!...
Paguei pelas moedas, e não foi desbloqueado! Afff...
O que houve porque parou de carregar capítulos?...
Gostaria de manifestar uma profunda insatisfação com vc autora, pois vc parou a história no capítulo 731 e nada de falar se foi o fim do livro ou se vai ter continuação Acho um desrespeito com os leitores q espera todo dia por um novo capítulo. Acho que seria o.minimo de respeito avisar q acabou....