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Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango ) romance Capítulo 640

~ NICOLÒ ~

Não lembro direito como cheguei até o carro.

Só sei que um segundo estava parado no quarto segurando o celular com força dolorosa, ouvindo a voz tensa de Dante dizendo "Bianca sofreu um acidente grave, está em cirurgia de emergência agora", e no segundo seguinte estava correndo escada abaixo com as chaves do carro na mão.

Martina apareceu subitamente quando passei pela cozinha em disparada.

— Nico? — chamou alarmada. — O que aconteceu? Você está pálido.

— Tenho que ir — foi tudo que consegui dizer sem parar de andar, sem olhar para ela direito. — Emergência em Florença. Cuida da Bella quando ela voltar da casa da amiga, por favor.

Não esperei confirmação. Não esperei perguntas. Não podia.

Saí pela porta, atravessei o pátio em passos largos e descontrolados.

Entrei no carro, enfiei a chave na ignição com mãos que tremiam visivelmente, liguei o motor que roncou irregular.

Dante tinha passado o endereço rapidamente pelo telefone antes de desligar. Um hospital particular em Florença. Nome italiano comprido que não registrei direito na hora, só digitei no GPS com dedos trêmulos e segui as instruções da voz mecânica.

Pisei fundo no acelerador antes mesmo de sair completamente do estacionamento de terra.

A estrada começou a passar em borrão total ao meu redor. Árvores virando manchas verdes. Céu azul desfocado. Asfalto cinza correndo embaixo das rodas.

Curvas que normalmente fazia com cuidado extremo e respeito pela idade do carro, hoje cortava agressivamente no limite absoluto da aderência. Talvez perigosamente além desse limite.

Não me importava nem um pouco.

Bianca estava em cirurgia de emergência.

Cirurgia significava ferimentos graves. Significava risco real. Significava que ela poderia...

Não.

Não ia deixar minha mente terminar esse pensamento específico.

Ela ia ficar bem. Tinha que ficar bem. Não havia outra opção aceitável.

Mas a voz de Dante no telefone não tinha soado nem remotamente otimista ou tranquilizadora. Tinha soado tensa demais. Preocupada demais. Controlada de forma artificial demais.

Como alguém tentando desesperadamente não entrar em pânico.

Apertei o volante de couro gasto com tanta força que meus dedos deram câimbra. Tentei conscientemente afastar os pensamentos ruins que insistiam em invadir.

A estrada se estendia aparentemente infinita à frente, serpenteando entre colinas toscanas que em qualquer outro dia eu acharia lindas.

Hoje eram apenas obstáculos entre mim e Florença.

Cada minuto arrastando como hora inteira.

Eventualmente passei pelo trecho onde Renata tinha dito que viu o acidente acontecer.

Olhei instintivamente, automaticamente, para o acostamento irregular.

Ainda tinha marcas visíveis. Vidro estilhaçado brilhando sob sol da tarde. Terra revolvida mostrando onde carro tinha saído violentamente da pista. Pedaço de faixa de isolamento policial amarela esquecida, presa em galho de árvore baixa, tremulando com vento.

Senti meu estômago revirar violentamente.

Era verdade então.

Tinha realmente acontecido um acidente sério naquele local exato. E era realmente o carro de Bianca envolvido.

Florença finalmente apareceu no horizonte distante. Entrei nos limites da cidade dirigindo significativamente mais rápido do que qualquer limite de velocidade urbana permitia. Ignorando buzinas irritadas de outros motoristas. Passando por semáforos amarelos virando vermelho. Cortando caminho por ruas estreitas laterais.

Um silêncio pesado tomou a sala inteira, ninguém respondeu imediatamente.

Foi Mia quem eventualmente falou, voz suave soando especialmente cansada.

— Ela ainda está em cirurgia — informou cuidadosa. — Vamos saber melhor quando procedimento terminar. Os médicos responsáveis prometeram vir falar pessoalmente com a família.

Senti minhas pernas inteiras fraquejarem perigosamente e me deixei cair sem em uma das poltronas caras estofadas.

— Mas ela vai ficar bem, não vai? — insisti desesperado, olhando rapidamente de um rosto para outro buscando confirmação. — Ela não corre risco de vida, corre? Ela vai sobreviver?

Silêncio horrível novamente.

Christian desviou olhar desconfortável. Mia mordeu lábio inferior nervosa. Dante examinou chão intensamente. Ninguém estava me dando a resposta tranquilizadora que eu desesperadamente precisava ouvir.

Foi Zoey quem finalmente se moveu, aproximando devagar, ajoelhando gentil na frente da minha poltrona, pegando minhas mãos visivelmente tremulas entre as mãos dela.

— Ela vai ficar bem — declarou com uma convicção impressionante que não sei se realmente sentia ou apenas fingia corajosamente. — Ela é uma Bellucci. Essa família... essa família sabe exatamente como lutar contra impossibilidades.

Concordei com cabeça compulsivamente, mesmo sem saber exatamente com o que estava concordando. Que precisava ter fé? Eu tinha. Mas também queria desesperadamente ter certezas. E ninguém podia me oferecer isso.

Zoey se levantou, voltando silenciosa para posição perto de Christian.

Fiquei sentado imóvel, cotovelos fincados nos joelhos, cabeça pesada enterrada entre mãos frias.

— E agora, o que eu faço? — murmurei baixinho, mais para mim mesmo.

Ouvi passos se aproximando.

Dante se materializou ao meu lado, estendendo copo plástico pequeno e fumegante. Café. Extremamente forte pelo cheiro amargo penetrante.

— Agora você bebe — disse simplesmente — e a gente espera.

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