Entrar Via

Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango ) romance Capítulo 643

~ NICOLÒ ~

Passar a noite sozinho no apartamento de Bianca foi uma das experiências mais estranhas da minha vida.

Tentei me fazer o mais invisível possível, mesmo não tendo ninguém lá para me ver.

Não queria deixar vestígios. Não queria bagunçar. Não queria que parecesse que alguém tinha invadido o espaço dela.

Tomei banho rápido no banheiro enorme de mármore, usando o mínimo de itens possível e guardando tudo perfeitamente depois.

Cozinhei algo simples para jantar com ingredientes que encontrei na dispensa organizada — massa, molho de tomate em conserva, um pouco de queijo. Lavei tudo meticulosamente depois, guardei cada coisa exatamente onde encontrei.

Dormi no quarto de hóspedes, não no dela. Aquilo parecia invasão demais.

Mesmo assim, demorei horas para conseguir pegar no sono. A cama era confortável demais. O silêncio era profundo demais. A ausência dela era gritante demais.

Acabei dormindo cedo pela pura exaustão física e emocional.

No dia seguinte acordei antes do amanhecer.

O sol ainda nem tinha nascido completamente quando já estava de pé, me preparando mentalmente para voltar ao hospital no primeiro horário de visita permitido.

Peguei o celular para checar a hora.

E vi a mensagem de Paola esperando.

Enviada às cinco e quarenta e três da manhã. Ela também não estava dormindo direito, aparentemente.

"Nico, consegui confirmar. VBG Holdings é uma holding subsidiária da Bellucci. Sinto muito. Me liga se precisar conversar."

Li a mensagem três vezes.

Então Renata estava certa.

Completamente certa.

Bianca tinha comprado minha dívida.

E não tinha me contado, mesmo quando perguntei se ainda restava algum segredo entre nós.

Senti algo apertando dolorosamente no peito, mas forcei-me a afastar esses pensamentos e as consequências que eles traziam.

Não agora. Não podia processar isso agora.

Bianca estava em coma. Lutando pela vida. Isso era o que importava no momento.

O resto... o resto podia esperar.

Desci para a cozinha, preparei café forte na máquina complicada.

Estava tomando a primeira xícara quando a campainha tocou. Não o interfone da portaria. A campainha da porta do apartamento. O que indicava alguém que já tinha acesso autorizado ao prédio. Provavelmente alguém da família.

Caminhei rapidamente até a porta, abri.

Zoey estava ali, sorrindo cansada, mas genuína.

— Bom dia — cumprimentou. — Desculpa aparecer tão cedo. Vim buscar uns documentos da Bianca que o hospital pediu. Identidade, cartão do plano de saúde, essas coisas burocráticas chatas.

— Claro! — respondi imediatamente, abrindo espaço para ela entrar. — Deve estar no quarto dela ou no escritório, imagino. O quarto fica no segundo andar, última porta à direita — informei. — E o escritório... bem, eu não faço ideia de onde fica o escritório.

Zoey riu levemente.

— Primeiro andar, final do corredor, antes do jardim de inverno.

Ela entrou, olhando ao redor com familiaridade clara.

— Eu e Christian costumávamos ficar nesse apartamento quando vínhamos a Florença — explicou com nostalgia. — Antes da Bianca se mudar definitivamente para cá. Acho que... quando ela morava na Inglaterra ainda... ou era na China naquela época... ou sei lá onde...

Riu do próprio esquecimento.

Apenas concordei com a cabeça, meio em choque genuíno com a informação casual.

Bianca tinha morado na Inglaterra? Na China? Em quantos outros lugares que eu nem sabia?

— É meio assustador, não é? — Zoey disse suavemente, me observando. — Esse mundo dos Bellucci.

— Como? — perguntei, confuso.

Sabia. Sabia muito bem.

Mas não ia falar.

— De prostituição — Zoey disse a palavra que eu não disse. — Não era, é claro. Era uma acordo. Mas o mundo dele fazia questão absoluta de me lembrar disso o tempo inteiro. Incluindo a mãe dele que não me aceitava de jeito nenhum. E a ex dele, que fazia da minha vida um inferno completo.

Parou, me olhando diretamente.

— Mas aí... a gente se apaixonou de verdade — continuou, a voz suavizando. — E nada disso importava mais. Porque só o que importava era que a gente iria enfrentar o mundo inteiro se fosse preciso para ficar juntos.

Ela deu um passo na minha direção.

— É isso que você sente, Nico? — perguntou diretamente. — Que poderia enfrentar o mundo para ficar com a Bianca?

Pensei por alguns segundos longos.

Suspirei.

— Sim — admiti honestamente. — É exatamente isso que eu sinto. Que a amo tanto que enfrentaria o mundo inteiro por ela.

Zoey sorriu.

— Então comece enfrentando seus fantasmas internos primeiro — aconselhou. — Quer ser o provedor? Seja. Mas provenha aquilo que a Bianca realmente precisa. Que definitivamente não é dinheiro.

Ela começou a subir as escadas elegantes em direção ao segundo andar.

— Vou começar procurando os documentos pelo quarto dela — disse por cima do ombro.

— Espera — chamei de volta urgentemente.

Ela parou, virando.

— O que... o que a Bianca precisa exatamente? — perguntei, perdido. — Ela tem literalmente tudo!

Zoey me olhou como se a resposta fosse a coisa mais óbvia do universo.

— De você — disse simplesmente. — Da Bella. De uma família de verdade. Não é óbvio?

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )