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Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango ) romance Capítulo 644

~ NICOLÒ ~

As quarenta e oito horas viraram setenta e duas sem que eu percebesse direito a passagem do tempo.

Tudo virou uma rotina nebulosa de hospital, apartamento, café ruim, notícias médicas que nunca diziam nada definitivo.

"Estável."

"Respondendo bem."

"Sem mudanças significativas."

No segundo dia, Paola apareceu no hospital carregando uma mala grande.

— Trouxe roupas limpas — disse, me abraçando forte. — E alguns produtos de higiene. Achei que você precisaria.

Senti gratidão genuína apertando minha garganta.

— Obrigado — consegui dizer. — Você não precisava vir até aqui.

— Claro que precisava — ela respondeu simplesmente. — Como ela está?

— Estável — repeti aquela palavra que estava começando a perder significado. — Mas ainda em coma. Vamos saber mais quando acordar.

Paola ficou apenas algumas horas. Tinha que voltar para cuidar da Tenuta. Mas sua presença, mesmo breve, me lembrou que havia vida acontecendo fora daquele hospital.

Falei com a minha mãe pelo telefone naquela noite. Ela perguntou quando eu voltaria, se estava tudo bem, se precisava de alguma coisa.

— Está tudo bem — menti automaticamente. — Volto logo.

Não sabia se isso era verdade.

Bella pegou o telefone em seguida. Sua vozinha preocupada me partiu o coração.

— Papai, a tia Bianca vai ficar boa?

— Vai sim, meu amor — garanti, tentando soar convincente. — Ela só precisa descansar bastante agora. Mas logo, logo ela vai estar de volta brincando com você.

— Promete?

— Prometo.

Outra promessa que não sabia se conseguiria cumprir.

Desliguei o telefone e fiquei ali parado por alguns minutos, olhando para a tela preta.

Bella precisava que eu voltasse. Martina precisava de ajuda. A Tenuta não parava só porque eu estava em Florença.

Mas Bianca...

Bianca precisava que eu ficasse.

Voltei para o hospital, direto para a cafeteria onde sabia que encontraria Christian. Ele parecia viver entre a sala de espera e aquele lugar, assim como eu.

Não a cafeteria comum cheia de gente. Mas uma área VIP reservada que aparentemente existia para as famílias ricas de pacientes em situação grave.

Mais silenciosa. Mais privada. Café significativamente melhor.

Conversávamos sobre Bianca principalmente. Christian contando histórias da infância dela que eu nunca tinha ouvido. De como ela sempre foi teimosa, determinada, incapaz de aceitar não como resposta.

— Quando ela tinha uns dez anos — contou com meio sorriso nostálgico — eu estava numa fase péssima. Brigando com nosso avô o tempo todo, querendo largar tudo e ir embora. Bianca era criança ainda, mas percebia tudo.

Tomou um gole de café.

— Um dia cheguei em casa depois de uma discussão horrível com ele. Encontrei ela no meu quarto, sentada na cama, com uma mala aberta. Tinha colocado algumas roupas lá dentro, mal dobradas. Quando perguntei o que estava fazendo, ela disse: "Se você vai embora, eu vou com você. Alguém precisa cuidar de você."

Parou, olhando para o café.

— Ela tinha dez anos, Nico. Dez. E estava disposta a largar tudo para não me deixar sozinho. Foi quando percebi que não podia simplesmente fugir. Que tinha responsabilidade com ela.

Sorri imaginando Bianca pequena, determinada, arrumando aquela mala.

— Ela sempre foi assim então — observei.

— Sempre — Christian confirmou, voz mais suave. — Teimosa, leal, incapaz de deixar as pessoas que ama se virarem sozinhas.

Ficamos em silêncio confortável por alguns minutos.

Então Christian perguntou sobre a Tenuta. Sobre os números. Sobre meus planos.

E eventualmente voltamos àquela conversa que tivemos no escritório dele dias atrás.

Antes de tudo desmoronar.

Pensei nas palavras de Zoey. Sobre Bianca não precisar de provedor financeiro. Sobre ela precisar de família.

— Eu tenho essa certeza — disse finalmente, com convicção genuína. — Quero mudar. Quero crescer. Quero construir algo que a Bella possa herdar com orgulho. Algo sustentável.

Christian sorriu. Não foi sorriso profissional de CEO. Foi sorriso genuíno de aprovação.

— Ótimo — disse. — Então podemos conversar sobre números específicos e burocracias depois, quando estivermos com cabeça realmente livre para focar nisso adequadamente.

Fez uma pausa.

— Mas tenha certeza de uma coisa, Nico — continuou, a voz ficando mais séria, mais pessoal. — Você não está vendendo seu negócio para um tubarão corporativo que engole peixes pequenos sem piedade. Você está unindo negócios de família. E nós cuidamos da nossa família.

Senti algo apertando no peito. Algo que não esperava.

Christian me considerava família. De verdade.

— Obrigado — disse, voz saindo mais rouca que pretendia.

— Não precisa agradecer — Christian respondeu. — Só cuida da minha irmã quando ela acordar. E aceita que ela provavelmente vai querer opinar sobre cada detalhe dessa parceria.

Ri genuinamente pela primeira vez em dias.

— Não esperaria menos.

Ficamos conversando mais um pouco. Planejamento vago de futuro. Possibilidades.

Quando finalmente voltamos para a sala de espera privativa, o médico estava lá. O mesmo que tinha nos dado notícias da cirurgia.

Zoey, Mia e Dante também estavam presentes. Mas não eram só eles. Ao longo dos últimos dias, mais gente tinha chegado. Annelise, com o marido Nathaniel, e Matheus, ambos irmãos de Zoey que eu tinha conhecido brevemente. Marco Bellucci, outro primo, com a esposa Maitê. Todos ali, esperando por notícias.

A sala de espera privativa estava cheia de família Bellucci. Todos claramente esperando por nós.

O médico se virou quando entramos.

— Ótimo, vocês chegaram — disse, expressão neutra, mas não negativa. — Estava aguardando para dar a notícia.

Meu coração disparou imediatamente.

— Notícia? — Christian perguntou, tenso.

O médico assentiu.

— Vamos começar a reduzir a sedação gradualmente para tirar a Bianca do coma induzido.

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