Entrar Via

Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango ) romance Capítulo 648

~ NICOLÒ ~

Ver a destruição pessoalmente foi completamente diferente de ver pelas fotos no celular.

Dirigi pela estrada familiar até Montepulciano com sensação crescente de pavor no estômago. Mas nada me preparou para virar na entrada da propriedade e ver minha casa assim.

A ala leste estava irreconhecível.

Paredes externas enegrecidas por fuligem densa. Janelas completamente quebradas, apenas buracos irregulares onde antes tinha vidro. Parte considerável do telhado tinha desabado, vigas de madeira carbonizadas expostas ao céu aberto como costelas quebradas.

O cheiro ainda estava no ar. Fumaça velha. Madeira queimada. Algo químico e sufocante que grudava na garganta.

Estacionei em frente à casa e fiquei sentado por alguns minutos, apenas olhando.

Minha casa.

A casa onde cresci. Onde Bella estava crescendo. Onde gerações da minha família tinham vivido.

Destruída.

Eventualmente saí do carro, caminhando lentamente até a fita de isolamento amarela que cercava a área mais danificada.

Havia pessoas trabalhando. Alguns com uniformes de bombeiros fazendo inspeção estrutural final. Outros com jalecos de perícia técnica examinando pontos específicos com equipamento especializado.

E, surpreendentemente, Dante Bellucci estava ali também.

Ele me viu se aproximando e acenou, caminhando na minha direção com passos firmes.

— Nico — cumprimentou, apertando minha mão. — Christian me mandou vir supervisionar o progresso. Garantir que tudo está sendo feito corretamente.

Olhei para ele com gratidão genuína que não consegui expressar em palavras adequadas.

— Obrigado — consegui dizer eventualmente. — Por estar aqui. Por... tudo.

Dante deu de ombros como se fosse insignificante.

— Somos família agora — disse simplesmente. — E família cuida de família.

Aquela palavra de novo. Família.

Vinda de um Bellucci, significava algo que ainda estava aprendendo a processar completamente.

Ficamos em silêncio por alguns segundos, ambos olhando para os danos.

— Quando começam a reconstrução? — perguntei eventualmente.

— Já começou tecnicamente — Dante respondeu. — O arquiteto finalizou plantas revisadas ontem. A empreiteira começa a demolição controlada do que não pode ser salvo amanhã cedo. Depois disso, a reconstrução propriamente dita. Estimativa de três a quatro meses para estar completamente habitável novamente.

Senti o peso da informação cair sobre mim como pedra.

— Três a quatro meses sem poder receber hóspedes — repeti, fazendo as contas mentalmente. — Três a quatro meses sem receita nenhuma entrando.

A Tenuta dependia das hospedagens. Era nossa principal fonte de renda. A temporada alta estava chegando, quando normalmente ficávamos lotados por finais de semanas seguidos.

E agora teríamos que cancelar tudo. Devolver depósitos. Perder reservas.

— Como vou... — comecei, mas a frase morreu.

Como ia pagar funcionários? Manter a propriedade funcionando? Cobrir despesas básicas por meses sem entrada de dinheiro?

Mesmo com a parceria Bellucci, mesmo com tudo...

Dante deve ter visto o pânico crescendo no meu rosto.

— A reconstrução está coberta — disse firmemente. — Seguro e investimento do grupo. E podemos discutir compensação pela perda de receita. Você não vai ficar na mão, Nico.

Assenti mecanicamente, mas a preocupação não sumiu.

— E a investigação? — perguntei, gesticulando vagamente para os peritos que continuavam trabalhando.

— A polícia ainda está coletando evidências finais — Dante informou cuidadosamente. — Mas a confirmação não oficial é incêndio criminoso. Vestígios de acelerante em três pontos diferentes. Iniciado deliberadamente.

Senti raiva fria subindo pela espinha.

— Alguém fez isso de propósito — declarei, não foi pergunta.

— Sim — Dante confirmou sombriamente. — Alguém fez.

— Sabem quem?

— Ainda não oficialmente — ele admitiu. — Mas estão investigando algumas linhas.

Quis perguntar se Renata era uma dessas linhas. Se alguém tinha conectado os pontos entre ela ameaçando consequências e incêndio criminoso dias depois.

Mas antes que pudesse formular a pergunta, Dante se virou para mim com uma expressão que mudou.

Será que Renata tinha realmente mandado alguém colocar fogo na minha casa?

Na casa onde nossa filha dormia?

Tudo para construir um caso contra mim? Para provar que Bella não estava segura comigo?

Parecia loucura demais. Extremo demais. Perigoso demais mesmo para Renata.

Mas então lembrei da voz dela. Fria. Calculada. Perigosa.

"Vocês vão arcar com suas escolhas estúpidas."

Ela tinha avisado. Literalmente tinha me avisado.

E dias depois, minha casa pegava fogo.

— Preciso falar com advogado — disse mecanicamente, o cérebro tentando processar os próximos passos práticos. — Preciso responder isso. Preciso...

— Fique tranquilo — Dante interrompeu firmemente. — Nosso departamento jurídico vai cuidar disso. O melhor advogado de família que o dinheiro pode comprar. Ela não vai conseguir tirar Bella de você.

Quis acreditar nele. Quis sentir confiança.

Mas o medo estava consumindo tudo.

E se ela conseguisse? E se juiz olhasse para tudo o que ela estava alegando e decidisse que Bella estaria melhor com a mãe?

E se eu perdesse minha filha?

Não... ela não ia conseguir.

— Ela pode tentar — murmurei, mais para mim mesmo que para Dante. — Renata pode tentar tirar tudo de mim.

Olhei para casa destruída. Para vida que estava reconstruindo com ajuda dos Bellucci. Para futuro incerto que estava navegando.

Renata podia ter queimado minha casa. Podia estar usando cada arma que tinha contra mim.

Mas uma coisa ela não ia conseguir.

Cerrei os punhos, sentindo determinação férrea substituindo o medo.

— Mas não vai conseguir tirar minha filha — disse com convicção absoluta. — Não vai.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )