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Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango ) romance Capítulo 649

~ NICOLÒ ~

A viagem de volta para Florença foi um borrão de pensamentos caóticos e estrada que passava sem que eu realmente prestasse atenção.

Processo de guarda.

Renata querendo tirar Bella de mim.

Argumentos sobre instabilidade. Sobre a dívida. Sobre Bianca ter controle financeiro sobre nossa casa.

Sobre o incêndio colocando minha filha em perigo.

Cada palavra do documento legal ecoava na minha cabeça em loop infinito e cruel.

Dirigi no automático. Entrei em Florença. Estacionei no hospital. Subi para o quarto de Bianca.

Tudo mecanicamente, com mente distante.

Mas quando abri a porta e vi Bianca ali, sentada na cama com travesseiros apoiando as costas, completamente acordada e me olhando com aqueles olhos que eu conhecia tão bem...

Tudo parou.

Ela estava pálida ainda. Hematomas amarelados no rosto. Braço imobilizado. Mas consciente. Presente. Viva.

— Nico — disse meu nome com alívio, como determinação.

Atravessei o quarto em três passos largos, me curvando cuidadosamente para abraçá-la sem machucar.

Ela envolveu o braço bom ao redor do meu pescoço, me puxando mais perto.

— Você voltou — murmurou contra meu ombro.

— Claro — respondi automaticamente, a voz saindo embargada. — Onde mais eu poderia querer estar se não ao seu lado?

Ficamos assim por tempo indeterminado. Apenas abraçados. Apenas respirando juntos.

Eventualmente me afastei o suficiente para olhar para o rosto dela direito. Passei os dedos levemente pela bochecha sem hematomas, com cuidado extremo.

— Eu não acredito que quase te perdi — confessei, sentindo emoção apertando minha garganta dolorosamente. — Quando recebi aquela ligação dizendo que você estava em cirurgia, eu...

Não consegui terminar. As palavras ficaram presas.

Bianca segurou meu rosto entre a mão boa dela, me forçando a olhar diretamente nos olhos.

— Estou aqui — disse firmemente. — Estou viva. Estou voltando. Não me perdeu.

— Mas quase — insisti, a realidade alternativa horrível me assombrando. — Você quase morreu, Bianca. Quase...

— Eu sei — ela interrompeu suavemente. — Acredite, eu sei. Quando o carro capotou, quando senti o impacto, quando tudo ficou preto... eu só conseguia pensar em uma coisa.

— No quê?

— Em você — respondeu simplesmente. — Em te ver novamente. Em não deixar que a última conversa que tivemos fosse por mensagem de áudio apressada. Em ter mais tempo. Mais dias. Mais tudo.

Senti lágrimas queimando, mas não as deixei cair.

— O que te deu na cabeça de sair dirigindo daquele jeito? — perguntei, frustração vazando na voz apesar da emoção. — O motorista do caminhão deu depoimento. Disse que você estava em alta velocidade. Na contramão. Tentando ultrapassar de forma completamente imprudente.

Bianca desviou o olhar brevemente.

— Eu precisava falar com você — disse baixinho. — Precisava chegar até você antes que...

Parou. Respirou fundo. Tentou de novo.

— Antes que...

Mas a frase morreu novamente.

— Nada é importante o suficiente para você arriscar sua vida — declarei com firmeza absoluta. — Nada, Bianca. Nada vale isso.

Ela me olhou diretamente agora, expressão séria e determinada.

— Mas aquilo era importante o suficiente — insistiu. — Porque não era só sobre mim. Era sobre a sua vida. E a vida da Bella. Tudo estava em jogo.

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