~ NICOLÒ ~
A viagem de volta para Florença foi um borrão de pensamentos caóticos e estrada que passava sem que eu realmente prestasse atenção.
Processo de guarda.
Renata querendo tirar Bella de mim.
Argumentos sobre instabilidade. Sobre a dívida. Sobre Bianca ter controle financeiro sobre nossa casa.
Sobre o incêndio colocando minha filha em perigo.
Cada palavra do documento legal ecoava na minha cabeça em loop infinito e cruel.
Dirigi no automático. Entrei em Florença. Estacionei no hospital. Subi para o quarto de Bianca.
Tudo mecanicamente, com mente distante.
Mas quando abri a porta e vi Bianca ali, sentada na cama com travesseiros apoiando as costas, completamente acordada e me olhando com aqueles olhos que eu conhecia tão bem...
Tudo parou.
Ela estava pálida ainda. Hematomas amarelados no rosto. Braço imobilizado. Mas consciente. Presente. Viva.
— Nico — disse meu nome com alívio, como determinação.
Atravessei o quarto em três passos largos, me curvando cuidadosamente para abraçá-la sem machucar.
Ela envolveu o braço bom ao redor do meu pescoço, me puxando mais perto.
— Você voltou — murmurou contra meu ombro.
— Claro — respondi automaticamente, a voz saindo embargada. — Onde mais eu poderia querer estar se não ao seu lado?
Ficamos assim por tempo indeterminado. Apenas abraçados. Apenas respirando juntos.
Eventualmente me afastei o suficiente para olhar para o rosto dela direito. Passei os dedos levemente pela bochecha sem hematomas, com cuidado extremo.
— Eu não acredito que quase te perdi — confessei, sentindo emoção apertando minha garganta dolorosamente. — Quando recebi aquela ligação dizendo que você estava em cirurgia, eu...
Não consegui terminar. As palavras ficaram presas.
Bianca segurou meu rosto entre a mão boa dela, me forçando a olhar diretamente nos olhos.
— Estou aqui — disse firmemente. — Estou viva. Estou voltando. Não me perdeu.
— Mas quase — insisti, a realidade alternativa horrível me assombrando. — Você quase morreu, Bianca. Quase...
— Eu sei — ela interrompeu suavemente. — Acredite, eu sei. Quando o carro capotou, quando senti o impacto, quando tudo ficou preto... eu só conseguia pensar em uma coisa.
— No quê?
— Em você — respondeu simplesmente. — Em te ver novamente. Em não deixar que a última conversa que tivemos fosse por mensagem de áudio apressada. Em ter mais tempo. Mais dias. Mais tudo.
Senti lágrimas queimando, mas não as deixei cair.
— O que te deu na cabeça de sair dirigindo daquele jeito? — perguntei, frustração vazando na voz apesar da emoção. — O motorista do caminhão deu depoimento. Disse que você estava em alta velocidade. Na contramão. Tentando ultrapassar de forma completamente imprudente.
Bianca desviou o olhar brevemente.
— Eu precisava falar com você — disse baixinho. — Precisava chegar até você antes que...
Parou. Respirou fundo. Tentou de novo.
— Antes que...
Mas a frase morreu novamente.
— Nada é importante o suficiente para você arriscar sua vida — declarei com firmeza absoluta. — Nada, Bianca. Nada vale isso.
Ela me olhou diretamente agora, expressão séria e determinada.
— Mas aquilo era importante o suficiente — insistiu. — Porque não era só sobre mim. Era sobre a sua vida. E a vida da Bella. Tudo estava em jogo.
Vi lágrimas começando a descer pelo rosto dela.
— Mas — continuei, porque precisava dizer isso também — a gente precisa parar com essas mentiras. Ou mesmo com essas omissões. Precisa acabar, entende? Confiança total. Transparência total. Ou a gente não sobrevive.
Bianca concordou com a cabeça vigorosamente, limpando as lágrimas com a mão boa.
— Você tem razão — disse, voz saindo rouca. — Tem toda razão. E eu juro, Nico. Juro que não estou escondendo mais nada de você. Nem vou. Nunca mais.
Quis acreditar completamente. Quis sentir alívio.
Mas ainda tinha algo pesando.
— Mas eu estou — admiti com dificuldade.
Ela me olhou confusa.
— O quê?
— Escondendo algo — esclareci. — Na verdade, é algo que soube hoje. Literalmente hoje. Mas preciso te contar imediatamente. Sem omissões, como eu disse.
Bianca ficou tensa visivelmente.
— O que aconteceu?
Respirei fundo, preparando para a bomba.
— Renata entrou com um processo judicial — revelei, cada palavra saindo pesada. — Pedido de modificação de guarda. Ela quer a guarda total da Bella.
Vi o exato momento em que ela registrou a informação. O choque. O horror. A culpa.
Bianca fechou os olhos com força, soltando suspiro longo e trêmulo.
Quando abriu os olhos novamente, estavam brilhando com lágrimas novas.
— É minha culpa — disse simplesmente.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Hoje 04/04, até agora não foram desbloqueados os restantes dos capítulos. Último capitulo liberado 729.... Sem nenhuma explicação. Falta de respeito com os leitores... affff...
Estou achando a história da Anne muito chata. Até agora só enrolação. Aff......
Amei esse livro!! que venham os proximos, com certeza lerei......
O último capítulo desbloqueado foi o 729...isso a quase 15 dias... Qdo a autora irá desbloquear o restante dos capítulos?...
Amei todo o livro Mas infelizmente ficou sem alguns capítulos E agora não liberam o final Muito triste 😞...
Quando vai liberar os extras?...
Um salto de 20 capítulos???? E ainda por cima depois de "obrigarem" os leitores a gastarem dinheiro, pois não disponibilizaram os 2 últimos capítulos da história para depois saltar a história e terminar desta maneira, não achei correto 🤬...
Então dá entrada do Kristian passa para a avó Martina e para a Bella, não entendi......
Poxa autora, é interessante a gente disponibilizar os capítulos gratuitos mesmo já tendo acabado de postar a história... Não dá pra toda hora ficar comprando moedas pra ler....
Boa noite... Desde 6f que não liberam os capítulos... já está ficando cansativo.... affff...